Zabumba, com abafador na pele superior: recurso pessoal utilizado pelos zabumbeiros

Maceta (acima) e bacalhau (abaixo): o primeiro é para percutir a pele superior e a segunda para percutir a pele inferior

Lúcia Gaspar – Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco –pesquisaescolar@fundaj.gov.br

Conhecido popularmente como bombo ou bumbo, “a” zabumba ou “o” zabumba é um instrumento de percussão em formato cilíndico, com membranas dos dois lados, tocado normalmente na vertical ou inclinado, pendurado por uma alça no ombro do tocador.

Confeccionada com pranchas de madeira coladas com veios alternados ou metal, em formato de caixas cilíndricas, a zabumba é, na verdade, um tambor duplo achatado. A parte superior é tocada com a maçaneta, também conhecida como baqueta ou marreta e a inferior com uma vareta chamada de resposta ou bacalhau. As membranas ou as peles podem ser confeccionadas com couro ou nylon.

A pele de cima é acompanhada por um abafador, cuja função é retirar o excesso de harmônico na nota emitida pela vibração, que varia  dependendo do tamanho do instrumento. Quanto maior a profundidade, maior a facilidade de emissão de notas graves e quanto maior o diâmetro, mais facilidade em emitir harmônicos.

Com a mão esquerda o zabumbeiro levanta a baqueta e bate com força na pele do tambor. O som que sai é grave e abafado za…bumba parecendo com o nome do instrumento.

Cheio de ar comprimido, o instrumento só não estoura por causa dos furos que existem na sua lateral, que além de auxiliar na ressonância, funcionam como uma válvula de escape.

Antigamente, a zabumda era feita com tronco de árvores. Hoje, ela pode ser encontrada  em lojas com modernos recursos de amplificação e é bastante utilizada também nos forrós urbanos, além de animar festas e feiras pelo interior do Nordeste do Brasil.

Composta por quatro partes: aros, peles, canoas, garras e corpo, a zabumba é característica dos ritmos nordestinos do forró, como o baião, o xaxado e o xote. É mais conhecida como o instrumento dos trios pé-de-serra – compostos por zabumba, sanfona e triângulo – muito apreciados nas festas do ciclo junino nordestino. São usadas também nos maracatus, sambas, pastoris, bandas de pífano, coco e nos bois de zabumba do Maranhão, onde em alguns casos são encontradas duas baquetas.

Na Espanha e em Portugal zabumba é o instrumento que aqui no Brasil conhecemos como cuíca.

O termo zabumba designa ainda um tipo de formação instrumental característica do Nordeste brasileiro, composto por zabumba, caixa, pífano ou gaita. No Nordeste é conhecido também como Musga (música) do Mato, Musga de Matuto, Banda cabaçal, Cabaçal, Música de Couro, Banda de negro, Música de pife. Em Alagoas, é conhecido como Esquenta mulher.

Caruaru, em Pernambuco, é a terra de grandes mestre zabumbeiros como Macário Ganhador, Negro Vicente, Mestre Gato, Vitalino. Segundo o pesquisador caruaruense Nelson Barbalho:

[…] A zabumba genuína é de origem negra e, tradicionalmente, compõe-se de dois, três pifes, uma caixa e o bombo (ou zabumba). Fora disso, já constitui deturpação do conjunto, já é sofisticação para modernizar a bandinha, tirando-lhe a inocência primitiva e suas características também. Esquenta Mulher que mantem sua pureza original é conjunto tosco, de instrumentos rudes de fabricação popular – os pifes (pífaros ou pífanos) são feitos de taquara, com os furos a fogo; a caixa e o bombo são de madeira oca, cobertos com pele de carneiro. Os musgos (músicos) zabumbeiros nunca usam trajes iguais entre si durante as exibições do Esquenta Mulher – um vem de chapéu e gravata, outro surge de blusão e apragatas, um terceiro aparece de chinelos, camisa de algodãozinho e calça pólvora com farinha, outro mais vem de pés no chão e cabelo solto ao vento, tudo tosco e autêntico. […] O nome Esquenta Mulher é atribuído ao alvoroço, à agitação que as músicas da zabumba provocam pelos matos no âmbito feminino. Toda mulher fica quente, com vontade de dançar, oiçando zabumba boa, oxente sinhô!. […]

A palavra zabumba, na linguagem popular, também pode significar azar ou acontecimentos negativos na vida de uma pessoa.

Recife, 30 de abril de 2010.

FONTES CONSULTADAS:

BARBALHO, Nelson. Zabumba. Recife: IJNPS, Centro de Estudos Folclóricos, 1977. (Folclore, 29).

BRASIL: sons e instrumentos populares. São Paulo: Instituto Itaú Cultural, 1997.

INSTRUMENTOS  musicais brasileiros. [S. l.]: Projeto Cultural Rhodia, 1988.

SOUTO MAIOR, Mário; LÓSSIO, Rúbia. Dicionário de folclore para estudantes. Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 2004.

ZABUMBA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Zabumba>. Acesso em: 23 abr. 2010.

Fonte: GASPAR, Lúcia. Zabumba. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>.

Dança folclórica acompanhada por tocadores de pífanos e zabumba.

Fonte: Dicionário de Sergipanês, Rubens Dória, 2000 –https://sites.google.com/site/dicionariodesergipanes/

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