Zabelê

Zabelê

Zabelê. (Tinamidae, Crypturus noctivagus, Wied), Jaó, no Sul.

É caça apreciada pela delicadeza da carne. Citada como ave excelente nos versos dos cantadores. Gostosa como titela de zabelê.

Fonte: Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo, Ediouro.

1. É como é chamado na Bahia o jaó ou macucau, pássaro com penugem escuras e listras transversais, comum em todo país e de carne saborosa. Câmara Cascudo registra a expressão “gostosa como titela de zabelê“. Gilberto Gil tem uma música com esse nome: “Minha sabiá/ Minha zabelê/ Toda meia-noite eu sonho com você/  Se você duvida, eu vou sonhar pra você ver.” “Zabelê”, Gilberto Gil/Torquato Neto.

2. Era o nome de um cangaceiro do bando de Lampião: “(…) voltaseca/ jararaca/cajarana/ viriato/ gitirana/ voltabrava/ meia noite/ zabelê/ quando degolaram minha cabeça,/ passei mais de dois minutos/ vendo o meu corpo tremer/ e não sabia o que fazer,/ morrer, viver, morrer, viver”. “Sangue de bairro”, Chico Science/ Ortinho.

Fonte: Dicionário do Nordeste, Fred Navarro, Estação Liberdade, São Paulo, 2004.

Nome de ave. Denomina também conhecida lenda piauiense dos índios Amanajós, cujo chefe era pai de Zabelê. Esta conheceu o jovem Metara, guerreiro da tribo das Pimenteiras, e se amaram, sendo visto por Mandaú, também dos Amanajós, que enciumado, lutou contra o rival. Morreram os amantes e o provocador.

E deu-se cruenta guerra entre as nações indígenas dos dois lados. Tupã transformou os namorados em duas aves de canto mavioso e fez da alma de Mandaú um gato maracajá, felino traiçoeiro, que persegue as duas aves e lhes imita o canto para capturá-las.

Fonte: “Teresina 134 – Ruas – Praças – Avenidas”, A. Tito Filho, Fundação Cultural Monsenhor Chaves, Teresina, 1986.