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José Rozenblit

José Rozenblit nasceu em 1927, no Recife, no bairro da Boa Vista. Seu sobrenome, assim como sua origem judaica, provém da Romênia. Rozeblit significa, num dialeto romeno, “Rosa de Sangue”.

Uma viajem aos Estados Unidos bastou para que Rozenblit entrasse para o mercado musical. Através de um amigo, Rozenblit acabou conhecendo Mr. Siegel, dono da pequena gravadora Mercury. Em conversa com Siegel, Rozenblit foi incentivado a entrar no ramo do disco. Dois anos depois ele estaria distribuindo no Brasil o catálogo da Mercury.

A loja do pai, localizada na Rua da Palma, no centro do Recife, serviria, a princípio, de vitrine para expor seus discos. Sua viajem aos EUA havia lhe rendido à bagagem cerca de dois mil dólares em álbuns, que em pouco tempo ele passaria a importá-los regularmente.

Não demorou muito para que José Rozenblit inaugurasse sua primeira loja, que ele batizou de Lojas do Bom Gosto. Era um moderníssimo estabelecimento, localizado próximo a ponte que liga os bairros de Santo Antônio e Boa Vista. Lá, o cliente dispunha de seis cabinas, onde podia ouvir os álbuns antes de comprá-los ou não. Também podia se encontrar uma cabina especial de gravação, onde o cliente podia gravar jingles ou sua voz em acetato – algo raro no país. A Loja não vendia apenas discos, ela também comercializava eletrodomésticos e móveis modernos, contudo, os vinís eram os responsáveis pela sua fama na cidade. Vez por outra, artistas plásticos locais expunham seus trabalhos no espaço físico da loja.

No livro “Do Frevo ao Manguebeat” de José Teles, pela Editora 34, encontramos um caso curioso sobre a cabina de gravação da Lojas do Bom Gosto:

Na campanha presidencial de 1950, o ex-presidente Getúlio Vargas veio ao Recife, onde empreendia intensa programação de comícios pelo interior do estado. Porém, foi apanhado por uma forte gripe que o deixou acamado … O mini estúdio da Lojas do Bom Gosto foi instalado no Grande Hotel, onde a comitiva de Vargas se encontrava hospedada. Getúlio Vargas gravou seus discursos em 160 bolachões de acetato, imediatamente enviados às emissoras e difusoras do interior de Pernambuco.

A fábrica de discos:

Por incrível que pareça, até então, o primeiro nome nacional lançado por Rozenblit, em 1950, ainda na época do mini estúdio que havia em sua loja, fora Getúlio Vargas.

Em 1954, José Rozenblit, enfim, criaria com seus irmãos, no Recife, uma das mais importantes fábricas de discos do Brasil: a Fábrica de Discos Rozenblit. Até aquele ano, o frevo pernambucano era gravado graças a RCA-Victor no Recife. A partir deste momento, a fábrica dos Rozenblit assumiria este papel e passaria a cuidar da produção local e regional, inclusive, vez por outra, tratava de produzir alguma coisa do eixo Rio-São Paulo.

Naquela época o “bolachão” em 78 rpm rendia uma tiragem modesta, de apenas 2.500 cópias, mesmo assim, a Rozenblit abriu filiais no Rio, São Paulo e Porto Alegre, possuia um estúdio que comportava uma orquestra sinfônica e um moderno parque gráfico.

Segundo o JC Online (Especial 80 anos), A Fábrica pernambucana, “Entre 1959 a 1966, chegou a ter 22% do mercado nacional e 50% do regional. Mas fechou em 1966, não suportando os interesses das multinacionais” e às seis enchentes que devoraram suas instalações, inclusive a sua gráfica.

Fonte: Sou Bruno
A ROZENBLIT – Esse estado de coisas só ia mudar a partir de 1953, quando começou a se delinear o que seria a primeira gravadora pernambucana, e a mais importante que já funcionou fora do Sudeste: a Fábrica de Discos Rozenblit, mais lembrada pelo seu principal selo, o Mocambo. O surgimento da Rozenblit aconteceu quando José Rozenblit (da luxuosa Loja do Bom Gosto, na Rua da Aurora) decidiu lançar um disco com uma música que lhe agradou, mas não tinha passado pelo crivo dos representantes das gravadoras: o frevo-canção Boneca, de José Menezes e Aldemar Paiva. Ele bancou o disco, gravado no precário estúdio da Rádio Clube de Pernambuco, com Claudionor Germano acompanhado pela Jazz PRA-8, regida por Nelson Ferreira (autor de Come e dorme, frevo-de-rua que está no lado B deste disco pioneiro). Prensado na Sinter, no Rio, esse 78 rpm inaugural vendeu o suficiente para José Rozenblit acalentar o sonho de construir uma fábrica de discos no Recife.

A Rozenblit estaria funcionando com a carga toda em 1955. Embora mantivesse um variado catálogo, com música nacional e estrangeira, o frevo era privilegiado em seus suplementos. Os discos eram lançados e pelo menos três meses antes do Carnaval. Boa parte da tiragem distribuída para divulgação, nos jornais e principais emissoras brasileiras. Como produto comercial, o frevo teve seu apogeu durante a Era Rozenblit. Claudionor Germano, que até então era mais um intérprete de músicas românticas, tornou-se o mais conhecido cantor de frevo. Expedito Baracho, cujo repertório privilegiava a seresta, também caiu no passo.

O auge do sucesso radiofônico do frevo coincide com o apogeu da Rozenblit – de 1956 a 1970. A gravadora, no entanto, foi vitimada pelas constantes inundações do Rio Capibaribe, pela modernização do mercado de disco e pela entrada de multinacionais no País. Acabou fechando as portas em 1984. O frevo continuou sendo gravado, mas perdeu espaço no rádio e na TV. Paradoxalmente, o advento do CD, inicialmente, não trouxe mais discos do gênero. Nunca se escutou tão pouco frevo nas rádios pernambucanas.

Capistas impulsionaram a venda dos discos no mercado inóspito do frevo

Enquanto o frevo se tornava o carro-chefe dos discos fabricados pela Rozenblit, através do selo Mocambo, as capas davam ainda mais força à comercialização e, conseqüentemente, ao ritmo. Vários programadores visuais debruçaram-se sobre o ofício, até mesmo o artista plástico modernista Lula Cardoso Ayres. Mas foi o designer Wilton de Souza o autor das mais famosas concepções gráficas para os LPs, porque trabalhou durante quase dez anos para a Rozenblit.
Entre os anos de 1956 e 1964, Wilton, que hoje cuida do acervo do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, trabalhou cuidadosamente capa a capa. Para os designers da era digital, o trabalho pode ser visto como algo ultrapassado, ou mesmo “tosco”, mas para a época era um sucesso.

Para realizar cada projeto, os capistas valiam-se de cromos coloridos, de tipografias e de desenhos que ele mesmo criava. “Procurei colocar o frevo como maior expressão de liberdade. Fui dentro do sentimento de nervosismo do passista, extravasando o sentimento do ritmo”, explica. Ele conta que, inclusive, aprendeu na fábrica a desenvolver uma técnica de superposição de cores (como a serigrafia) que utiliza até hoje.

“A Rozenblit foi a primeira a ter uma máquina offset no Recife”, lembra o designer, que conviveu com nomes como Nelson Ferreira e Capiba. É dele a capa do disco Carnaval começa com 'C' de Capiba e da série de discos Recife, capital do frevo, lançada todos os anos.

As capas da Rozenblit rivalizavam em inovações com as da carioca Elenco (de Aloysio Oliveira), considerada a pioneira em modernidade de embalagem de discos. Na história das capas de disco no Brasil, pouco se fala no pioneirismo da gravadora pernambucana que, entre outras novidades, foi a primeira a lançar álbuns duplos. O primeiro foi exatamente na série Recife, capital do frevo, com um LP contendo frevos-de- rua e de bloco, e o outro formado por frevos-canção.

Fonte: José Teles, Jornal do Commercio

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