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Zé Gonzaga

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Zé Gonzaga, cantor, compositor e instrumentista
Zé Gonzaga

Zé Gonzaga

José Januário Gonzaga do Nascimento nasceu em  15/1/1921 Exu, PE. Faleceu em  2002 Rio de Janeiro, RJ. Cantor. Compositor. Instrumentista. Acordeonista.Irmão de Luiz Gonzaga.

Começou cantando em programas de calouros. Em 1948, já no Rio a convite do irmão, foi conttratado pela Rádio Guanabara. Alavancado pela enorme popularidade do irmão, então já muito famoso, gravou em 1949 pela Star o seu primeiro disco, interpretando ao acordeom os choros "Teimoso" de Zé Januário Gonzaga e "Vira o outro lado" de Cipó. Em 1950 gravou pela Odeon o calango "Ai sanfona" de Jeová Rodrigues e José Januário e a rancheira "Bate sola" de Jeová Rodrigues e José Januário. No mesmo ano, entre outras, gravou o choro "Disco voador" de José Gonçalves e Abelardo Barbosa, o famoso apresentador de Televisão "Chacrinha". Em 1951 gravou a batucada "Bebida não mata ninguém" de Kid Pepe e Arlindo Caldas, o baião "Teimosinho" de Claudionor Cruz e Mário Duarte, o xote "O forró de Quelemente" de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e as marchas "Tô doido que chegue!" de Guio de Morais e "Cadilac do papai" de Zé Dantas e Péricles, entre outras. No mesmo ano fez excursão pelo norte do país. Apresentou-se ainda no uruguai e na Argentina. Em 1952 gravou as marchas "Não quero me casar" de sua autoria e Aldemar Paiva e "Eu sei mas não digo" de sua autoria e Zé Amâncio, o baião "Vem cá bichinha" de sua autoria e Humberto Teixeira e a toada "Pombinha estrangeira" de Humberto Teixeira, entre outras composições. Depois da Rádio Guanabara passou a atuar na Rádio globo e depois na Rádio Tupi. Ainda no mesmo ano viajou para a França substituindo o irmão Luiz Gonzaga em excursão promovida por Assis Chateaubriand, onde se apresentou no Cassino Deauville. Em 1953 gravou, entre outras, os baiões "Siri sem moio" dele e Maria de Oliveira e "Madalena" de sua autoria e João do Vale. Nessa época substituiu Luiz Gonzaga no programa "Vesperal das moças", apresentado por Abelardo Barbosa, o Chacrinha, na Rádio Tupi. Em 1954 gravou interpretando ao acordeom o baião "Pagode chinês" e a valsa "Marquesa de Santos", ambas de sua autoria. No mesmo ano passou a gravar na Continental, onde estreou com o xote "Cascatinha" de sua autoria e o galope "Galope à beira-mar" de sua autoria e Zé Praxede. Em 1956 fez grande sucesso com o xote "O cheiro da Carolina", parceria com Amorim Rego. Em 1957 formou um conjunto com o qual passou a se apresentar e a gravar durante um certo período. No mesmo ano, gravou com seu conjunto a polca "Quando a jia canta" dele e Jorge Tavares e o xote "Pisa na fulô" de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr. Em 1958 gravou na Copacabana a polca "A fuga da Asa Branca" de sua autoria e Nelson Barbalho e o calango "Peguei-te oito baixos" dele e Menezes Veiga. Em 1959 gravou com seu conjunto o frevo "Frevinho na roça" dele e Zito Borborema e o xote "Prisão do Quelemente" de Carlos Diniz e Silveira Júnior. Em 1960 gravou ainda pela Copacabana a polca "Viva o dono da casa" e o frevo "Pernambuquinha". Em 1962, gravou, entre outras, a composição "Vendedor de camarão" de sua autoria e Menezes Veiga e "As coisas boas que eu tenho" de Irani de Oliveira e Altamiro Carrilho. Em 1963 gravou as polcas "Vai Zabé" de sua autoria e "Pensando nela" feita em parceria com Menezes Veiga e Antônio Vasconcelos. Gravou diversos LPs, entre os quais, "Pedacinho do Nordeste", pela Copacabana, "Zé Gonzaga", pela Beverly, e "Tangos", pela Phonodisc.

Obra

A fuga da Asa Branca (c/ Nelson Barbalho)

Adeus São João (c/ Menezes Veiga)

Ai Rosinha(c/ Silveira Lima)

Barba de bode

Batistério (c/ Zé Praxede)

Bem-te-vi (c/ Carlos Diniz)

Cascatinha

Chorei sim

Chote da Vovó (c/ Nelinho)

Criança levada (c/ J. Mendonça)

Deixa o martelo bater (c/ Elias Januário)

Eu sei mas não digo (c/ Zé Amâncio)

Festa na casa grande

Forró na caiçara (c/ Nadim Abraham)

Frevinho na roça (c/ Zito Borborema)

Galope à beira-mar (c/ Zé Praxede)

Madalena (c/ João do Vale)

Margarida

Marquesa de Santos

Não quero me casar (c/ Aldemar Paiva)

Nós era sete (c/ Antônio Maria)

O "Cheiro" da Carolina(c/ Amorim Roxo)

Pagode chinês

Peguei-te oito baixos (c/ Menezes Veiga)

Pensando nela (c/ Menezes Veiga e Antônio Vasconcelos)

Pernambuquinha (c/ Luis Guimarães)

Quando a jia canta (c/ Jorge Tavares)

Sanfoninha de oito baixos (c/ Armando Siqueira)

Serenata chinesa (c/ José Amâncio)

Siri sem moio (c/ Maria de Oliveira)

Vai Zabé

Vem cá bichinha (c/ Humberto Teixeira)

Vendedor de camarão (c/ Menezes Veiga)

Vida de pobre (c/ J. Portela)

Viva o dono da casa (c/ Paulino de Freitas e Menezes Veiga)

Discografia

([S/D]) Asa branca • Japoti • LP

([S/D]) Baile da tartaruga • Japoti • LP

([S/D]) Começo de festas • Copacabana • LP

([S/D]) Pedacinho do Nordeste • Copacabana • LP

([S/D]) Zé Gonzaga • Beverly • LP

([S/D]) Tangos • Phonodisc • LP

([S/D]) Verdadeiro amor • Beverly • LP

(1963) Hoje...vou/Margarida • Copacabana • 78

(1963) Vai Zabé/Pensando nela • Copacabana • 78

(1962) Chorei sim/Adeus São João • Copacabana • 78

(1962) Vendedor de camarão/Dançando com Andréia • Copacabana • 78

(1962) Festa na casa grande/As coisas boas que eu tenho • Copacabana • 78

(1961) O casamento de Roberta/Bem-te-vi • Copacabana • 78

(1960) Viva o dono da casa/Pernambuquinha • Copacabana • 78

(1959) Voltar a Pernambuco/Cascatinha • Copacabana • 78

(1959) Frevinho na roça/Prisão do Quelemente • Copacabana • 78

(1958) Barba de bode/Sanfoninha de oito baixos • Copacabana • 78

(1958) São João não gostou/Forró na caiçara • Copacabana • 78

(1958) A fuga da Asa Branca/Peguei-te oito baixos • Copacabana • 78

(1957) Quando a jia canta/Pisa na fulô • Copacabana • 78

(1956) O "cheiro" da Carolina/Xote da vovó • Copacabana • 78

(1955) Cascatinha/Garanhuns • Guanabara • 78

(1954) Pagode chinês/Marquesa de Santos • Odeon • 78

(1954) Cascatinha/Galope à beira-mar • Continental • 78

(1953) Cesário Pinto/Deixa o martelo bater • Odeon • 78

(1953) Criança levada/Siri sem moio • Odeon • 78

(1953) Vida de pobre/Madalena • Odeon • 78

(1953) Natal/Alaíde • Odeon • 78

(1952) Não quero me casar/Eu sei mas não digo • Odeon • 78

(1952) Ai, ai, São João/Vem cá bichinha • Odeon • 78

(1952) Pombinha estrangeira/Nós era sete • Odeon • 78

(1952) Serenata chinesa/Batistério • Odeon • 78

(1951) Cabelo couve-flor/Bebida não mata ninguém • Odeon • 78

(1951) Januário criou fama/Moreninha do sertão • Odeon • 78

(1951) Chegou o sanfoneiro/Teimosinho • Odeon • 78

(1951) Viva o rei/O forró de Quelemente • Odeon • 78

(1951) Este ano eu vou me casar/O galho da roseira • Odeon • 78

(1951) Elisa/Recordação • Odeon • 78

(1951) Tô doido que chegue!/Cadilac do papai • Odeon • 78

(1950) Ai sanfona/Batendo sola • Odeon • 78

(1950) Disco voador/Alencarina bonita • Odeon • 78

(1950) Ai Rosinha/No casório do Irineu • Odeon • 78

(1949) Teimoso/Vira o outro lado • Star • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Filho de Januário e irmão de Luiz Gonzaga

José Januário Gonzaga do Nascimento, conhecido pelo nome de Zé Gonzaga, além de cantor, compositor e instrumentista, o acordeonista é o filho de nada menos que o grande tocador de 8 baixos Seu Januário, tendo como irmãos, Luiz Gonzaga, Chiquinha Gonzaga e Severino Januário.

Começou sua carreira cantando em programas de calouros. Em 1948, já no Rio, a convite do irmão, foi contratado pela Rádio Guanabara alavancado pela enorme popularidade de Luiz Gonzaga, então já muito famoso, gravou em 1949 pela Star o seu primeiro disco.

Em 1950 fez duas gravações de disco em 78 rpm pela Odeon. A primeira, o calango "Ai sanfona" de Jeová Rodrigues e José Januário e a rancheira "Bate sola" de Jeová Rodrigues e José Januário. E a segunda o xaxado "Alencarina Bonita" de José Januário e José Amâncio e o choro "Disco voador" de José Gonçalves e Abelardo Barbosa, o famoso apresentador de Televisão "Chacrinha".

Fonte: www.forroemvinil.com

ZÉ GONZAGA

UM ARTISTA QUE NÃO DEVIA

TER SIDO ESQUECIDO

Texto de Abílio Neto

abilio.neto@zipmail.com.br

O sucesso é mesmo complicado para se entender. Para um, a fama, todas as honras e homenagens, e o relançamento de toda a sua obra, mesmo às vésperas dos catorze anos da sua morte: Luiz Gonzaga. Para outro, embora melhor músico que o irmão, porém com uma voz não tão poderosa, o doloroso esquecimento em vida desde a década de 1970. Falamos de outro Gonzaga bem menos famoso, o Zé. Em 12 de abril de 2004, completaram-se dois anos do seu falecimento. Esquecido e condenado a ter o seu passado musical apagado, pois grande parte do seu acervo está mofando nas prateleiras da EMI, gravadora que comprou a Copacabana. Do restante nem se fala, pois não se sabe onde está. Há preciosos discos de 78 rotações e LPs somente em poder de colecionadores, alguns deles radialistas que fazem dos seus discos troféus para ganhar audiência, embora sejam verdadeiros coveiros culturais.

José Januário dos Santos, conhecido artisticamente como Zé Gonzaga, nasceu em Exu/PE em 15/01/1921 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 12/04/2002, aos 81 anos de idade. Era o mais novo dos cinco homens, dos filhos de Januário, pai de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

Tal qual o pai Januário, o irmão Severino, a irmã Chiquinha e o irmão Luiz, Zé tinha um enorme talento musical e sem dúvida foi um dos maiores músicos de sanfona deste País, de todos os tempos. Todos tocavam sanfona de oito baixos, mas somente Luiz e Zé a trocaram por outra de 120 baixos. Zé também foi ótimo compositor. Eram lindas suas harmonias e tinha também talento como letrista. Luiz que era um mestre da sanfona considerava-o também o melhor músico da família que, ao todo, tinha sete artistas entre pai, irmãos e irmãs.

Fugindo da seca do sertão pernambucano, Zé Gonzaga, em 1939 saiu em direção ao sul do País em busca de ajuda dos seus irmãos Joca e Severino que moravam em São Paulo, ou Luiz, no Rio de Janeiro, que não via desde 1930.

Não achou os irmãos de São Paulo, escreveu para a mãe, D. Santana, pedindo o endereço de Luiz no Rio de Janeiro. E foi assim que numa manhã de março de 1940, numa pensão situada na Rua São Frederico, 14, no Morro de São Carlos no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga foi acordado antes da hora por D. Tereza, uma portuguesa, dona da pensão que lhe disse: - Gonzaga, acorda que cá está um gajo a dizer que é teu irmão. Gonzaga que ainda vivia no mangue tocando em praça pública para sobreviver, respondeu:

- Oxente D. Tereza, que diabo é isso?

Aí, tropeçando de sono foi até a porta, reclamando, e deu de cara com um rapaz moreno de olhos azuis iguais ao da sua mãe. Disse José, com quem Luiz sempre teve uma relação de amor e ódio, que ao aparecer aquele negão, de cara redonda, perguntou:

- Você é que é Luiz Gonzaga?

Eu sou José seu irmão, ao que Luiz respondeu:

- E você veio fazer o quê aqui, seu moleque safado que eu não mandei chamar ninguém porque eu estou pior que vocês?

- Eu vim praqui porque tá uma seca danada lá no Sertão e mãe mandou dizer pra tu dar um jeito de ajudar a gente.

De imediato, a ajuda de Luiz foi comprar um colchão para o irmão e pagar pra ele as despesas de hospedagem da pensão. Zé então com 19 anos passou a ajudar o irmão carregando-lhe a sanfona até o Mangue e a passar o pires no recolhimento das gorjetas. Depois com o passar do tempo e tendo Luiz Gonzaga ficado famoso, deu-lhe uma sanfona, o incentivo e abriu os espaços para o novo artista.

Fonte: Franzé da Aurora

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Palavras-chave: Pernambuco, Nordeste