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Waldemir Miranda

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Waldemir Miranda, médico e escritor

O Dr. Waldemir de Soares Miranda é um dos três filhos do primeiro prefeito de Caiçara. Foi um grande dermatologista, membro fundador da primeira faculdade particular de medicina do Recife, escritor e por mais de 10 anos presidente da Academia Pernambucana de Letras, fundador da referenciada Clínica São Marcos em Recife, considerado o decano dos médicos do estado de Pernambuco, além de grande benfeitor da cidade de Caiçara, tendo recebido o título de "Caiçarense do Século XX".

Nascido em 24 de abril de 1903. Filho de Antonio Florentino da Costa Miranda ("Tota Miranda") e de Enedina Soares de Miranda. Seu pai administrou nossa cidade de 1909 a 1915, tendo como principais obras o Prédio do Conselho (Antiga Prefeitura), o antigo Grupo João Soares e a Cadeia Pública, sua administração foi muito elogiada, chegando o jornal "O Norte" à época denominá-lo de "prefeito modelo". Enquanto seu pai se entregava à administração, sua mãe tomava a frente dos negócios, tendo sido talvez a primeira mulher empresária da Paraíba, ela também se destacou na administração pelo seu trabalho na área da saúde. A família morava num casarão que em 1910, a pedido de Enedina, foi transformado em nosso único sobrado. Em 1915, com a mudança do governo estadual e conseqüente afastamento do seu pai da prefeitura, a família mudou-se para Guarabira.

Seguindo a tradição da época, um dos seus irmãos, Abdon Miranda, seguiu administrando os bens da família, como grande pecuarista, além de tido participação no teatro de Guarabira e ter escrito poesias que postumamente se transformariam no livro "O Poeta do Curimataú". O outro, Dustan Miranda, seguiu o caminho do direito e da política, chegou a ser prefeito de Caiçara por duas vezes, nomeado em curtos períodos, tendo se destacado como advogado e promotor público.

Waldemir fez os estudos primário e secundário no Colégio Pio X e no Liceu Paraibano, em João Pessoa. Iniciou o curso de medicina na Faculdade de Medicina da Bahia e concluiu em 1926 na respeitada Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro. No Rio, gostava de frequentar a Academia Brasileira de Letras, tendo conhecido muitos dos seus imortais escritores.

Ao concluir o curso foi trabalhar no Estado do Espírito Santo como inspetor de ensino. Depois, decidiu-se por uma especialização na área de dermatologia em Paris. Retornando da experiência no exterior, Waldemir resolveu mudar-se para Recife, que despontava como pólo médico regional. A partir de 1932, passa a exercer a função de professor universitário na Faculdade de Medicina e em 1934 fundou uma clínica dermatológica.

Em 1937, cursou pós-graduação em Hamburgo, na Alemanha. De volta a Pernambuco, fundou o Instituto de Radioterapia Waldemir Miranda (1940), a Casa de Saúde São Marcos (1946), além de ter construído o Edifício Caiçara (1942)

Apaixonado por literatura, escreveu para o jornal "Pirilampo" de Guarabira na juventude. Já em Recife, criou a revista Arquivos Demartológicos de Pernambuco. Desenvolveu teses importantes na área médica como "Conceito Moderno das Blastomycoses"; "Dermatomicoses observadas em Pernambuco (1932)"; "A Bouba no Nordeste Brasileiro (1935)"; "Um Novo Esporotricado e Suas Reações Alérgicas (1936)"; e "Alguns Aspectos Farmacológicos da Jotopha Curcas (1938)"; Também publicou os seguintes livros: "Palavras de Médico (1950)"; "Vida Médica em Pernambuco (1974)", "O Domínio do Sentimento Patriótico na Formação Espiritual do Indivíduo"; "Datas Históricas"; "Notas de uma viagem médica -impressões médicas da Europa" e "Minha Caiçara(1999)", este último trata-se do discurso proferido na inauguração do Centro Cultural da sua cidade natal que, publicado, tornou-se sua última obra.

Seus trabalhos fizeram com que o mesmo fosse nomeado para a Academia Pernambucana de Letras em 1976, membro correspondente das Academias de Letras do Rio de Janeiro, da Paraíba e de Campina Grande. Foi também membro da Academia Pernambucana de Medicina, do Colégio Ibero Latino Americano de Dermatologia; do Instituto Internacional de Dermatologia Tropical; da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Instituto de História da Medicina; membro honorário da Academia Paraibana de Medicina; da Academia Brasileira de Medicina Militar e da Sociedade de Médicos Escritores (Regional Pernambuco). Waldemir chegou a ser presidente da Academia Pernambucana por dez anos (1982-1992), tornando-se logo após presidente de honra. Foi Agraciado com a Medalha do Mérito São Lucas, com a Medalha Guararapes, com a Medalha do Mérito do Conselho Estadual de Cultura da Paraiba, dentre outros títulos e homenagens.

Na área da educação Waldemir, esteve à frente da fundação da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, em 1950, tendo sido também seu primeiro diretor. Além disso, foi o primeiro inspetor regional do Ensino Secundário daquele estado (1955).

Na vida pessoal, casou-se pela primeira vez com Zara da Cunha Rêgo, com a qual teve três filhos: Mírcio, Marcos e Waldemir. Sua segunda esposa foi a enfermeira Jazete Magno, sendo fruto deste relacionamento o filho Marcelo Miranda. Em terceira núpcias, casou-se com D. Ione Miranda.

Após ter doado o busto do seu pai para a Praça Dois Antonios, em 1975, nos anos 90 Waldemir volta a sua atenção para a terra natal decidido a deixar seu legado em Caiçara. Aqui construiu o Centro Cultural Enedina Soares, o Esperança Caiçara Hotel, apoiou projetos escolares, banda de música, a rádio comunitária FM Cidade Marquesa, e muito mais. Á frente dos seus projetos em Caiçara estava a sua sobrinha, Dra. Lígia Miranda e seu esposo o Dr. Cleidson de Jesus.

Em 2002, Waldemir recebeu o título de "Cidadão Pernambucano" e em 2003, ao completar cem anos de vida, foi homenageado em Caiçara com o título de "Caiçarense do Século" e a edificação da praça que leva seu nome. Em Recife, dentre muitas homenagens, foi lançada sua biografia "Waldemir Miranda, um cidadão do Nordeste" do jornalista Carlos Cavalcante. Dr. Waldemir realizou consultas até o seu centenário, tendo sido assim o médico mais antigo ainda em atividade no país.

No ano de 2005, o Grupo de Teatro Senhora e Rainha encenou a peça "Caiçara, da aldeia à cidade", com roteiro de minha autoria, a partir do livro "Caiçara … caminhos de almocreves…". A peça encerrava-se com uma homenagem ao Dr. Waldemir. Em uma das suas últimas visitas à Caiçara, ele assistiu ao vídeo da peça, permitiu que o prédio do Centro Cultural fosse sede da Quadrilha Nação Nordestina e cedeu o restante do acervo da biblioteca do Centro para o Grupo Atitude, viabilizando assim a formação da "Casa da Leitura".

O Dr. Waldemir Miranda faleceu em 1º de novembro de 2009, aos 106 anos, vitimado por uma falência múltipla de órgãos, decorrente de insuficiência respiratória associada a uma doença que comprometeu seus pulmões nos últimos três meses.

Nos últimos anos de sua vida a saúde não permitia que visitasse Caiçara, o que o deixava entristecido. Porém, com relação à cidade, deve ter partido tranquilo por ter feito a sua parte para o crescimento da sua terra natal, cabe a todos nós mantermos viva a sua memória, além de preservarmos e darmos continuidade ao seu legado.

Questionado sobre o segredo da longevidade, respondeu: Eu não como carne vermelha, só branca; nunca fui de noitadas, sempre fui comedido; sempre usei processos de defesa, como vacinas; sempre fiz caminhadas diariamente na praia; nunca fiz da vida escola de prazeres, mas de amor à vida; nunca fui contra os prazeres da vida, mas do modo de fazê-los e vivê-los; nunca fui além dos limites permitidos pela minha saúde; nunca fui de guardar ódios, rancores ou emoções negativas; sempre amei muito minha família, sempre procurei ficar perto de minha família; sempre tratei todos com dignidade e respeito; sempre tive a proteção da minha madrinha Nossa Senhora do Rosário, padroeira de Caiçara.


Prof. Jocelino - julho/2010.

Fonte: Caiçara PB

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