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Rio Vaza Barris, Bahia/Sergipe

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Rio Vaza Baris, Bahia/Sergipe, mapa
Rio Vaza Barris, Sergipe

O rio Vaza-Barris é um rio brasileiro que banha os estados da Bahia e Sergipe. Sua nascente localiza-se no sopé da Serra dos Macacos, sertão da Bahia, próximo ao município de Uauá.

Geograficamente, o ponto exato onde ele começa é uma várzea denominada Alagadiço Grande, normalmente seco, só aparece quando chove. Em seu curso natural, mais à frente, forma a Lagoa dos Pinhões, que é o referencial de sua nascente, já que é mais estável na época da seca.

É um rio perene, com cerca de 450 quilômetros de comprimento que atravessa a Bahia, onde nasce passando por Sergipe e desaguando no litoral sergipano, no local denominado Mosqueiro.

Em seu percurso, localiza-se a Cachoeira do Jacoca, no município de Macambira, em Sergipe. Nesse local forma um desfiladeiro com mais de 40 metros de altura.
Em abril de 1968, foi construído o açude de Cocorobó no seu baixo curso, já próximo à foz.

Fonte: Wikipédia

Informações retiradas do site www.seia.ba.gov.br

O Rio Vaza-Barris é um fenômeno de hidrografia e imaginação. Esse rio feito de chuva, de mar, de fé e de História nasce seco, no pé da Serra dos Macacos, em pleno sertão baiano, perto do município de Uauá, um dos principais criatórios de bode do país. Menos que uma nascente, o que se tem aqui na realidade é uma probabilidade líquida. O ponto exato onde ele deveria começar é uma várzea chamada Alagadiço Grande.

Quando chove forte por essas bandas as águas que descem da serra e brotam das encostas inundam os baixios e formam a Lagoa dos Pinhões. É dela que o rio transborda e parte resoluto em impetuosa carreira rumo ao leste, à procura do mar. Ele percorre um traçado incerto e selvagem, típico de rio temporário, que literalmente vaza como onda gigante nas trovoadas de novembro a março, quando desabam as tempestades sertanejas. Por isso, talvez, os indígenas chamavam-no de Ipiranga, "mel vermelho", numa alusão às correntezas barrentas que se formam nesse período.

Ao longo de 450 quilômetros de alucinante topografia, o Vaza-Barris exibe uma inquebrantável versatilidade de rio sertanejo em luta permanente contra a morte. À medida em que avança no sertão baiano em direção a Sergipe, ele intercala trechos secos e pedregosos, com canyons profundos e gargantas estreitas, onde, às vezes, desaparece; outras, corre como um filete frágil esgueirando-se por entre vertedouros rasgados ao longo de milênios de inundações. Quem se dispuser a persegui-lo, com uma dose razoável de persistência e esforço, descobrirá nesse jogo de quebra-cabeça alguns dos mais belos inesperados cenários do sertão brasileiro. Um deles, sem dúvida, é a Cachoeira do Jacoca, afluente que avança pela região de Macambira/SE  até encontrar um desfiladeiro com mais de 40 metros de altura, de onde se derrama para injetar vida no vertedouro estrangulado do Vaza-Barris lá embaixo. Os paredões de pedra do Arara - outro afluente no mesmo município - confirmam o primitivismo geológico e a imponência geográfica que esse herói líquido desafia e supera ao longo de seu trajeto.

Vencido o sertão, o Vaza-Barris transforma-se num espetáculo aquático irreconhecível. Na sua foz, em Mosqueiro, no litoral sergipano, ele vive da maré. Sua água naturalmente salobra, temperada por terrenos antigos e salino, torna-se então mais salgada ainda. E ganha uma calha espaçosa que mede mais de 800 metros de largura com até 30 metros de profundidade, rodeada de manguezais férteis criatório de curimatãs, caatinga e cachoeiras encapsuladas. Na tensão dessa polaridade geográfica  e cultural  explodiu um conflito sangrento, o maior massacre de civis da História brasileira: a Guerra de Canudos.

Desde abril de 1968, cerca de 300 quilômetros do rio Vaza-Barris tornaram-se menos voláteis graças ao açude de Cocorobó, que passou a alimentar seu baixo curso. Ele barrou as águas numa garganta estreita, circundada por um anel de serras e desfiladeiros, propícios a emboscadas que os sertanejos não desperdiçaram. No fundo da grota inundada ficava o arraial - "Canudos era uma tapera dentro de uma furna" (Euclides da Cunha). A barragem de 600 metros de comprimento, com uma saia de 300 metros, demorou oito meses para ser construída. Em março de 1968 quando ficou pronta, os técnicos previram que o rio levaria 10 anos para encher uma área de 16 quilômetros de extensão por 5 quilômetros de largura, com profundidade média de 20 metros. Era mais uma demonstração oficial de desconhecimento das leis que regem o sertão. No início de abril de 1968, uma tromba-d"água arrasadora trouxe dos confins da Serra dos Macacos a força esquecida e menosprezada do velho Vaza-Barris. E o Cocorobó sangrou em apenas três dias de fulminante inundação. O Cocorobó hoje está 12 metros abaixo do seu nível normal. Como se adivinhasse o centenário do massacre - em outubro de 1897 -, o rio que afogou Canudos agora devolve ao país rescaldo de sua memória. Há três anos o Vaza-Barris não repões suas águas na represa, o que permite que lentamente ressurjam fragmentos do antigo arraial. Entre eles, a ruína da igreja nova - erguida por Conselheiro - que emerge como uma esfinge solene e desafiadora.

GUERRA DE CANUDOS

Em 1893, no final do governo Floriano Peixoto, surge no sertão da Bahia um movimento messiânico, na época considerado monarquista, que se transforma em uma guerra civil. É liderado por um beato, figura comum no sertão nordestino na segunda metade do século XVIII. Os beatos aparecem em torno das várias casas de caridade fundadas pelo padre José Maria Ibiapina e administradas por ordens leigas. Antônio Vicente Mendes Maciel, o beato Antônio Conselheiro, começa a formar seu grupo de adeptos na casa de caridade de Bom Conselho, no sertão de Pernambuco. Mais tarde, funda a cidade de Belo Monte, no Arraial de Canudos, palco de um dos conflitos sociais mais sangrentos da Primeira República.

ARRAIAL DE CANUDOS - À margem do rio Vaza-barris, no sertão baiano, o Arraial de Canudos reúne quase 30 mil habitantes. Os romeiros plantam e criam rebanhos para consumo próprio e comércio com as cidades vizinhas. A comunidade prospera e começa a inquietar os grandes proprietários rurais da região e a Igreja. Para se defender, os fiéis de Antônio Conselheiro organizam-se em grupos armados. Entre novembro de 1896 e março de 1897, tropas federais fazem três investidas contra o arraial e são derrotadas. O fracasso assusta o governo e uma nova expedição é organizada em meados de 1897 com 8 mil soldados, algumas metralhadoras e dois canhões, sob o comando do general Artur Oscar Andrade Guimarães. Os combates começam em 25 de junho de 1897 e prolongam-se até 1o de outubro. As tropas do governo ocupam o povoado e matam Antônio Conselheiro. A luta continua até 5 de outubro, quando morrem os quatro últimos combatentes.

METEORITO DE BENDEGÓ 

O meteorito Bendegó, o maior do Brasil e durante séculos o maior do mundo (hoje na 16ª posição), Foi encontrado em 1784 próximo ao rio Vaza-Barris, na cidade de Monte Santo, na Bahia, com 2,15 metros de comprimento por 1,5 metro de largura. Pesava 5.360 kg. Levá-lo ao Rio foi uma aventura. Na primeira tentativa, em 1785, o eixo do carretão em que fora colocado, com 12 juntas de bois, pegou fogo ao descer de uma colina. Pior: o carretão não tinha freios e a rocha rolou para o leito do riacho Bendegó, afluente do Vaza-Barris. Em 1810, peritos da Real Sociedade de Londres descobriram que se tratava de um meteorito de ferro e níquel. Em 1886, o imperador D. Pedro II recebeu em Paris um grupo da Academia de Ciências, que lhe pediu para remover o meteorito para um museu. De volta ao Brasil, D. Pedro II pediu a um engenheiro da Marinha, José Carlos de Carvalho, que organizasse uma expedição para levar o meteorito ao Rio. Em 1887, a equipe de engenheiros retirou a rocha do rio e a pôs sobre um carretão de ferro, que se deslocava sobre dormentes. Tarefa árdua: em 126 dias, percorreram 118 km (900 metros por dia) de riachos e colinas. O Bendegó caiu seis vezes do carretão, cujo eixo partiu quatro vezes até chegarem à estação ferroviária de Jacurici e, dois meses depois, ao Rio.

RECLAMAÇÕES DA POPULAÇÃO

ALGUMAS CIDADES AGRIDEM A NATUREZA E POLUEM NOSSO RIO

Esgotos de cidades, sem nenhum trata-mento, escoa todo tipo de sujeira para dentro do Rio Vaza Barris, inclusive o esgoto com dejetos de Hospital (retirado da internet, onde a cidade de Jeremuabo é a maior agressora do rio). A água desse rio serve para animais, para a população ribeirinha tomar banho, utilizar para cozinhar e beber.
 Além de ser um rio útil à população das várias cidades nos estados da Bahia e Sergipe, trata-se de um rio histórico, como foi citado no livro Os Sertõs de Euclides da Cunha e é livro estudado por todos os brasileiros que prestam vestibular. Imaginem o que pensariam se visse o estado de degradação em que ele se encontra.

No estado de Sergipe, ele se constitui num espetáculo da natureza, onde sua aparência se transforma num lindo visual no momento de desaguar no mar. Passa por vários municípios iniciando seu trajeto nas cidades de Pinhão e Simão Dias.

Palavras-chave: Nordeste, Sergipe, Bahia