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Paixão de Cristo, Nova Jerusalém, Pernambuco

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Paixão de Cristo, Nova Jerusalém, Pernambuco 
Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

pesquisaescolar@fundaj.gov.br       

A Quaresma, do ponto de vista religioso, é o período entre a quarta-feira de cinzas e o domingo de Ramos (40 dias), quando tem início a Semana Santa, que comemora a ressurreição e a vitória de Cristo depois dos seus sofrimentos e morte.


        Durante a Semana Santa, realiza-se em Nova Jerusalém, em  Fazenda Nova, distrito do município de Brejo da Madre de Deus, no agreste de Pernambuco (180 Km do Recife), um espetáculo sobre a Paixão de Cristo que se constitui hoje numa das maiores atrações turísticas do estado.


        Inspirado pela leitura de uma reportagem da revista Fon-Fon (Rio de Janeiro), sobre a representação do drama da Paixão de Cristo na cidade alemã de Oberammergau, o comerciante e líder político da vila de Fazenda Nova, Epaminondas Mendonça, resolveu montar, junto com sua esposa, Sebastiana Mendonça, uma encenação semelhante.


        Iniciado em 1951, o drama da Paixão de Fazenda Nova não contava com atores profissionais. Todos os papéis eram representados por amigos, parentes e moradores da região e o figurino confeccionado com lençóis do Hotel Familiar, cujo proprietário era Epaminondas Mendonça.


        O primeiro papel de Jesus Cristo foi interpretado por Luiz Mendonça, um filho de Epaminondas, que também foi o autor do primeiro texto, uma peça em três atos intitulada Drama do Calvário, além de seu primeiro diretor, em parceria com o radialista Osíris Caldas.


        A peça era realizada no Domingo de Ramos, na Quinta e Sexta-Feira santas O povo acompanhava os atores pelas ruas da cidade, que serviam de cenário para a representação da Paixão, assim como a igreja, o Salão Azul e a fonte hidromineral do hotel.

      

O sucesso foi grande e a encenação foi definitivamente incorporada ao calendário da vila de Fazenda Nova.

Dois anos depois, em 1953, o evento conseguiu a adesão de atores, diretores e técnicos teatrais do Recife, incorporando qualidade e fazendo com que o espetáculo se tornasse menos amador, como havia sido nos dois primeiros anos.

A partir de 1956, a direção do espetáculo ficou a cargo de Clênio Wanderley, responsável também pela interpretação do papel de Judas.

A crescente profissionalização do espetáculo, no entanto, fez com que o evento fosse se tornando financeiramente inviável.

      

A solução para o problema foi encontrada por Plínio Pacheco, em 1962. Casado com Diva, filha mais nova de Epaminondas, Plínio, que já conhecia a encenação, teve a idéia de construir uma cidade-teatro semelhante a antiga Jerusalém e cobrar ingressos ao público para assistir a peça.

Assumiu a coordenação do projeto, colaborando na projeção dos cenários, conseguindo financiamento para a compra de terrenos e ajudando a carregar material, água e comida para os operários, durante a sua construção.

No período em que foi construída a cidade-teatro, não houve o espetáculo da Paixão de Cristo em Fazenda Nova.

Em 1967, Plínio Pacheco escreveu uma peça em dois atos, intitulada Jesus, que, em 1968, se transformou, com a direção de Clênio Wanderley, na primeira Paixão de Cristo encenada na cidade-teatro de Nova Jerusalém.

O palco da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém ocupa uma área de 70 mil metros quadrados, cercada por uma muralha de pedra de três metros de altura. O cenário do espetáculo é composto por palcos-cenários em pedra granito, como o Palácio de Herodes, o Fórum de Pilatos e o Cenáculo, onde se realizou a última ceia, inspirados na antiga cidade de Jerusalém. 

A paisagem árida do agreste nordestino é muito semelhante a da Judéia, fazendo com que ela também seja um fator preponderante para a grandeza do espetáculo realizado em Nova Jerusalém.

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é um espetáculo onde o público se integra à representação, como se estivesse nos caminhos da antiga Jerusalém. Com atores e figurantes percorre os arruados e os palcos onde estão sendo representadas as cenas da Paixão. É um espetáculo interativo.

  

           A partir da encenação na cidade-teatro o espetáculo teve um grande aumento de público e precisou ir introduzindo sistematicamente diversas melhorias técnicas como efeitos sonoros e visuais, além de um sistema de dublagem.

Em 1969, José Pimentel assumiu a direção do espetáculo e fez alguns cortes no texto de Plínio Pacheco por considerá-lo muito longo.

No período de 1969 a 1977, o papel de Jesus foi interpretado pelo ator Carlos Reis. 

Em 1978, além da direção da peça, Pimentel passou a representar também o papel de Jesus Cristo. Sofreu muitas críticas por isso e, em 1996, se desligou do grupo, por não aceitar a pressão dos patrocinadores para a escalação de atores da Rede Globo de televisão para o papel do Cristo.


           A partir de 1997, a direção do espetáculo ficou a cargo de Carlos Reis e Lúcio Lombardi e conta, anualmente, com a participação de atores da Globo nos seus principais papéis.

Atualmente, com 500 atores e figurantes, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, é apresentada diariamente, do sábado anterior ao Domingo de Ramos até o sábado de Aleluia, sendo  assistida por cerca de 10 mil espectadores por noite.

Considerado o maior espetáculo ao ar livre do mundo, constitui-se hoje como uma das mais importantes atrações do turismo cultural de Pernambuco.

No dia 1º de março de 2009, o governador de Pernambuco assinou a Lei nº 13.726, concedendo o título de Patrimônio Cultural, Material e Imaterial de Pernambuco à cidade cenográfica de Nova Jerusalém.

                                                        Recife, 14 de março de 2007.

(Atualizado em 31 de agosto de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

BANDEIRA, Alexandre. Os caminhos da Paixão. Continente Multicultural, Recife, ano 2, n.15, p.33-37, mar. 2002.

PAIXÃO de Cristo de Nova Jerusalém, Pernambuco. Disponível em:

<http://www.guiapernambuco.com.br/eventuais/semanasanta2007.shtml> Acesso em: 7 mar. 2007.

REIS, Luís Augusto. Paixão de Cristo: o sonho, o verbo e a pedra. Continente Multicultural, Recife, ano 6, n.64, p.55-58, abr. 2006.

SANTOS, José Batista dos. A Nova Jerusalém. In: _____. Pernambuco histórico, turístico, folclórico.[Recife: s.n.], 1989. p.271-275.


Fonte: GASPAR, Lúcia. Paixão de Cristo, Nova Jerusalém, Pernambuco. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em:dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 
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