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Otoniel Menezes

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Para a maioria dos norte-rio-grandenses, Otoniel Menezes é e continuará sendo sobretudo o criador dos versos da canção "Praieira", de 1922, espécie de hino da cidade do Natal, (aliás, pelo decreto-lei nº 12, de 22 de novembro de 1971, o governo municipal de Natal considerou a "Praieira", o "Hino da Cidade"), com música de Eduardo Medeiros. Originalmente intitulada "Serenata de Pescador", "Praieira", como ficou conhecida popularmente, foi escrita para saudar os pescadores natalenses que, em três barcos a vela, viajaram de Natal ao Rio de Janeiro, dentro das comemorações do Centenário da Independência, em 1922. Otoniel Menezes, certa vez, revelou que uma das alegrias de sua vida era ouvir, nas madrugadas natalenses, gente do povo cantando sua "Praieira" em serenatas.
Eduardo Medeiros musicou outros poemas de Otoniel, e outros foram musicados pelo seresteiro Olympio Batista Filho.
Otoniel nunca se libertou das rimas e da métrica. Seus poemas modernos, não obstante a grandeza criadora do poeta, não alcançaram a beleza e a perfeição dos primeiros versos, dos primeiros livros. Sobre ele, escreveu Veríssimo de Melo: "Autodidata, era contudo homem de cultura literária, versado nos bons autores, sobretudo franceses, ingleses e portugueses, o que transparece na sua bela prosa e forma polida e brilhante dos seus versos."
Uma obra original no seu universo poético é o livro "Sertão de Espinho e de Flor", um canto de amor ao Seridó, região onde o poeta viveu 20 anos de sua juventude, conforme depoimento de seu irmão, Francisco Menezes, na Academia Norte-rio-grandense de Letras. Além de uma poesia tipicamente sertaneja, seu autor oferece ainda ao leitor um importante glossário de termos e expressões regionais.
Otoniel foi ainda jornalista escrevendo para o "Diário de Natal" e trabalhando como redator e secretário de "A República", sendo (anonimamente) um dos redatores do jornal "A Liberdade", que o governo revolucionário de 35 lançou em Natal, quando assumiu o poder.
(Deífilo Gurgel in 400 nomes de Natal, 2000)
Aquele que foi cognominado, na sua época, de o Príncipe dos poetas norte-rio-grandenses, embora seus inúmeros livros de poesia não tenham sido mais reeditados - o que se faz necessário - tem tido a sua permanência relativa em muitas antologias poéticas: uma delas antes de sua morte, em 1965, Panorama da Poesia Norte-rio-grandense, edição feita no Rio de Janeiro, e duas mais recentes, a do professor e ficcionista Manoel Onofre Jr., de 1984, Guia Poético da Cidade do Natal, e a de Aluízio Mathias, Poesia Circular, de 1996.
Otoniel Menezes está situado naquela faixa intervalar, algo sincrética, quando a paixão pelo verso bem medido não arrefecera, tendo sido classificado como um neo-parnasiano, "embora tenha adotado, em muitos dos seus poemas, formas modernistas, inclusive o poema-piada", na observação de Manoel Onofre Jr. Mas tal atitude era apenas uma postura, pois já no seu segundo livro, Jardim Tropical, a dedicatória vai para os "poetas Alberto Alberto de Oliveira, o maior do Brasil, Henrique Castriciano, o primeiro da minha terra, Edinor Avelino, a mais bela afirmação entre os novos".
Otoniel Menezes de Melo nasceu em Natal no dia 10 de março de 1895. Dado como autodidata, aprendeu com a vida e as leituras, tirando da própria obra poética a sua vivênvia intelectual. "Pobre e probo", exerceu a atividade jornalística em Natal, colaborando em inúmeros jornais e revistas, e chegando a redator e secretário de A República.
Os livros de Otoniel Menezes vão sair desde 1918, com Gérmen, prefácio de Henrique Castriciano passando pelo Jardim Tropical, em 1923, onde se encontra o poema que o consagrou popularmente, Serenata do Pescador, musicado por Eduardo Medeiros, até chegar ao Sertão de Espinho e Flor, de 1952. Culmina sua obra com A Canção da Montanha, de 1955, quando o poeta tenta os recursos mais livres do Modernismo. Deixou inédito A Cidade Perdida. Membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, o poeta morreu no Rio de Janeiro no dia 19 de abril de 1969.
(Assis Brasil in A Poesia Norte-rio-grandense no século XX, Natal, 1998)

Serenata do pescador (Praieira)
 
Praieira dos meus amores,
encanto do meu olhar!
quero contar-te os rigores
sofridos, a pensar
em ti, sobre o alto mar ...
Ai! Não sabes que saudade
padece o nauta, ao partir,
- sentindo, na imensidade,
o seu batel fugir,
incerto do porvir!
 
Os perigos da tormenta
não se comparam, querida,
às dores que experimenta
a alma, na dor perdida,
- nas ânsias da partida!
Adeus à luz que desmaia,
nos coqueirais, ao sol - pôr ...
e, bem pertinho da praia,
o albergue, o ninho, o amor
do humilde pescador!
 
Quem vê, ao longe, passando
uma vela, panda, ao vento,
não sabe quanto lamento
vai nela, soluçando,
- a Pátria procurando!
praieira, meu pensamento,
linda flor, vem me escutar
a história do sofrimento
de um nauta, a recordar
amores, sobre o mar!
 
Praieira, linda entre as flores
deste jardim potiguar!
Não há mais fundos horrores,
iguais a este do mar,
- passados a lembrar!
A mais cruel noite escura,
nortadas e cerração,
não trazem tanta amargura
como a recordação,
que aperta o coração!
 
Se, às vezes, seguindo a frota,
pairava uma gaivota,
logo eu pensava, bem triste:
- "O amor que lá deixei,
quem sabe se inda existe?" -
A ave, então, gritava, triste:
- "Não chores! Não sei! Não sei ... -
E eu, sempre e sempre mais triste,
rezava, a murmurar:
- Meu Deus! Quero voltar!"
 
Praieira do meu pecado,
morena flor, não te escondas,
quero, ao sussurro da ondas
do Potengy amado,
- dormir sempre ao teu lado ...
Depois de haver dominado
o mar profundo e bravio,
à margem verde do rio
serei teu pescador,
Ó pérola do amor!

Fonte: geraldo2006

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