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Diniz Vitorino

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Urbano Lima
Diniz Vitorino, poeta e repentista
Acervo www.onordeste.com

Diniz Vitorino Ferreira é natural de Monteiro, na Paraíba, em 6 de maio de 1940.

Começo a cantar com a viola quando tinha 16 anos.

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Morreu ontem pela manhã (5/6/2010, em Caruaru - Pernambuco), onde morava já alguns anos, o poeta Diniz Vitorino, um dos grandes mestres de uma geração de repentistas históricos. Era de família de poetas, filho de Joaquim Vitorino e irmão do também poeta Lourinaldo Vitorino.


Diniz, que ia completar 70 anos, foi parceiro de nomes clássicos da nossa cantoria de repente, entre eles, é impossível citar todos, estão; Manuel Xudú, os irmãos Batista, Pinto do Monteiro, Jó Patriota, Ivanildo Vilanova, Geraldo Amâncio, Oliveira de Panelas, entre tantos outros.

O mestre Diniz era dono de uma das vozes mais fortes do repente. De uma linhagem de poetas eruditos e letrados, com um vocabulário rebuscado tanto no falar como no modo de cantar de improviso, ou escrevendo seus sonetos.

Uma perda inestimável para nossa poesia.

Segue um poema do mestre e uma seqüência de temas e modalidades de cantoria com o parceiro Otacílio Batista.

AOS CANTADORES
Diniz Vitorino

Ilustres colegas, fiéis andarilhos,
ó amados filhos das musas celestes!
Eu vos enalteço, chorando ou sorrindo,
por tudo de lido que em versos fizestes.

Poetas gigantes, caboclos aedos,
os vossos dez dedos são teclas caipiras,
cavando saudades em mundos de anseios,
tirando gorjeios das bocas das liras.

As vossas violas são harpas sonoras,
cítaras canoras, vestidas de rendas...
pianos matutos, que gemem sonatas,
ferindo as mulatas, no chão das fazendas.

As vossas falanges dedilham baiões,
tocando os bordões, batendo nas primas,
jogando nas nuvens poemas dispersos,
conjunto de versos, colóquios de rimas.

Amantes da lua, poetas legítimos!
Ó filhos dos ritmos, dos cantos selvagens!
As vossas cantigas aos rudes ofendem,
porque não entendem das vossas linguagens.

Cantai, cantadores, fazei vossa festa!
A vida só presta com cantos assim.
Se fordes expulsos por gênios perversos,
cantai vossos versos somente pra mim.


Fonte: No pé da parede

Um poema de Diniz Vitorino

EU CANTADOR

Eu sou o pássaro cantor,
a patativa de gola,
o colibri sem gaiola,
que, além da humanidade,
faz da garganta um piano,
para, nas verdes ramagens,
compor em versos selvagens,
as valsas da liberdade.

A cigarra da floresta
sempre foi minha irmã gêmea…
ela, a selvagem boêmia;
eu, o boêmio cantor.
Ela, cantando nos bosques,
eu, nos sertões ressequidos,
transformo feios gemidos
em liras puras de amor.

Sou um ídolo imortal.
Sou caboclo das mãos grossas.
Transformo humildes palhoças
em bonitos pavilhões.
Meu pinho, quando soluça,
deixa as mulatas tostadas,
estáticas, fulminadas
por circuitos de emoções.

É lindo cantar tranqüilo,
da maneira como canto,
sem incomodar-me tanto,
com fortunas obtusas,
e fazer d alma um refúgio
para as ninfas virtuosas,
do peito um berço de rosas
para o repouso das musas.

O poeta Diniz Vitorino falando de ciência e natureza disse:


E as abelhas pequenas, sempre mansas
Com as asas peludas e ronceiras
Vão em busca das pétalas das roseiras
Que se deitam no colo das ervanças
Com ferrões aguçados como lanças
Pelo cálix das flores bebem essência
E fazem mel que os mestres da Ciência
Com os séculos de estudo não fabricam
Porque livros da Terra não publicam
Os segredos reais da Providência.

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