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Carlos André

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Carlos André, cantor, produtor e compositor
Carlos André

Carlos André

Oséas Carlos André Almeida Lopes
 28/10/1938 Mossoró, Rio Grande do Norte

Biografia

Cantor. Produtor. Compositor.

Dados Artísticos

Foi um dos fundadores do Trio Mossoró em 1959. No ano seguinte trabalhou nas rádios Mayrink Veiga e Nacional. Depois da dissolução do grupo seguiu carreira individual de grande sucesso com cerca de um milhão de discos vendidos. Em 1974 lançou o primeiro disco solo, o compacto duplo "O apaixonado", pela gravadora Beverly, seguido no mesmo ano de um LP com idêntico nome. Em 1979 passou a gravar pela Copacabana e em 1984 pela Chantecler, na qual estreou com o disco "Volte pra mim". No ano seguinte lançou pela mesma gravadora o LP "Para sempre vou te amar", com composições como "Faz assim comigo não" e "Peço por favor", parcerias com Alcymar Monteiro. Em 1996 lançou o CD "20 super sucessos", pela Polydisc, contando com as participações especiais de Reginaldo Rossi, Adilson Ramos, Alcymar Monteiro e Flávio José. Gravou ainda na Polydisc e na Cid. Como compositor teve parcerias com Zé Ramos, Bastinho Calixto, Noca do Acordeon, João Mossoró e Barthô Galeno, esse seu maior parceiro, entre outros. Teve cerca de 100 músicas gravadas. Como produtor ficou conhecido com o nome de Oséias Lopes, tendo produzido entre outros, discos de Marinês e sua Gente, Trio Nordestino, Dominguinhos e Noca do Acordeon.

Obra

A telefonista (c/ Gilson Carlos)
Adeus solidão (c/ Barthô Galeno)
Agora vem você (c/ José Maurício)
Amor colorido (c/ Jony Peter e Francisco Gomes)
Amor que é amor (c/ Jacinto José)
Amor, amor (c/ Magno)
Aquela estrelinha (c/ Iranilson e Gilson Carlos)
Aquele cofrinho (c/ Iranilson e Gilson Carlos)
Arrasta-pé em Guarabira (c/ Ary Monteiro)
Até três (c/ Jacinto José)
Balançando no forró (c/ André Amazonas)
Beijinho, beijinho (c/ Iranilson e Manoel Cordeiro)
Brincando com as cordas (c/ André Amazonas)
Cadeira vazia (c/ Barthô Galeno)
Cego de amor (c/ Jony Peter e Francisco Salles)
Chorei por amor (c/ Barthô Galeno)
Coitado de mim (c/ Genival Santos e Alberto Lacerda)
Coração mentiroso (c/ Barthô Galeno)
Cuidado menina (c/ Jacinto José)
Dançando com você (c/ Alcymar Monteiro e João Paulo Jr)
De leve (c/ Iranilson)
De que vale a minha vida agora (c/ Barthô Galeno)
Desamparada (c/ Alypio Martins)
Desejo louco (c/ Zé Ramos Filho)
Domingo em Mossoró (c/ Barthô Galeno)
E eu chorei (c/ Barthô Galeno)
É só saudade (c/ Luiz Guimarães)
Eco do meu grito (c/ Barthô Galeno)
Esta mulher já foi minha (c/ Bastinho Calixto)
Esta noite eu preciso te amar (c/ Barthô Galeno)
Eu preciso de um homem (c/ Barthô Galeno)
Eu quero (c/ Barthô Galeno)
Eu te amo demais (c/ Tony Cesar e Joseval Costa)
Farrapo humano (c/ Jacinto José)
Faz assim comigo não (c/ Alcymar Monteiro e Iranilson)
Fiel companheira (c/ Barthô Galeno e João Mossoró)
Foi por amar demais que eu chorei (c/ Ismael R. de Souza)
Forrozão da multidão (c/ André Amazonas)
Jesus Cristo está voltando (c/ Barthô Galeno)
Lá lá lá em 3 atos (c/ Jacinto José)
Lambada do bigode (c/ André Amazonas)
Longe de você (c/ Barthô Galeno)
Madre (c/ Gilson Carlos)
Mãe querida (c/ T. Geraldo)
Metade de amor (c/ Jacinto José)
Meu coração é teu (c/ José Orlando)
Meu grande amor (c/ Wilson Guimarães)
Minha liberdade (c/ Regi Campelo)
Moça bonita (c/ Ademar Pinheiro e Russo Estrada)
Não me procures mais (c/ Elias Soares)
Não sou de aço (c/ Ivan Peter)
No dia da minha partida (c/ Jacinto José)
No toca-fita do meu carro (c/ Barthô Galeno)
Noite insônia (c/ Cassiano Costa)
Nosso amor é demais (c/ Zé Ramos)
O meu desespero (c/ Barthô Galeno)
O tocador de tuba (c/ Jacinto José)
Oceano de penar (c/ Antônio Barros)
Onde está (c/ Ivan Peter e Bella Maria)
Onde morou nosso amor (c/ Socorro Maria)
Palavras perdidas (c/ Barthô Galeno)
Pare de chorar (c/ Ciro José)
Peão de estrada (c/ Cassiano Costa)
Peço por favor (c/ Alcymar Monteiro)
Pegando fogo (c/ Genival Santos)
Pelo menos uma palavra (c/ Barthô Galeno)
Pense meu bem (c/ Efson)
Pode zombar (c/ Jacinto José)
Por onde andarás (c/ Zeca Freire)
Que maldade (c/ Lindemberg Araújo)
Quem dera (c/ Jacinto José)
Quem é você (c/ Jacinto José)
Quero que você se dane (c/ Bastinho Calixto)
Quero que você venha comigo (c/ Bastinho Calixto)
Revendo a minha terra (c/ Nóca)
Saxofone porque choras? (c/ Ratinho e Alcymar Monteiro)
Seja mais gente (c/ Barthô Galeno)
Siboney (c/ Lecuona Morse)
Só lembranças (c/ Barthô Galeno)
Solidão de amor (c/ Kacik)
Sonhar com você (c/ Socorro Maria)
Sou todo teu (c/ Carlos Fernandes)
Te amo, te amo, te amo (c/ Barthô Galeno)
Trancada no quarto (c/ A. Sima)
Tudo é nada sem você (c/ Barthô Galeno)
Tudo isso porque te amo (c/ Barthô Galeno)
Tudo vai mudar (c/ José Orlando)
Um cachorro amigo (c/ Jacinto José)
Vai saudade (c/ J. Fernandes e Billy Barba)
Vem me ajudar a lhe esquecer (c/ Barthô Galeno)
Vida cruel (c/ Jacinto José)
Você não vai saber (c/ Barthô Galeno)
Você quis assim (c/ Magno)
Voltei para ficar (c/ Carlos Pachola)
Vou devolver a cama (c/ Gilson Carlos)
Vou dormir no chão (c/ Gilson Carlos)
Zé ninguém (c/ Jacinto José)

Discografia

(1998) Seleção de ouro. 20 sucessos • Copacabana/EMI • CD
(1996) 20 super sucessos • Polydisc • CD
(1996) Seleção de ouro • Copacabana • CD
(1995) Popularidade • Phonodisc • LP
(1993) Para recordar e xamegar • CID • LP
(1990) Não te esquecerei • Polydisc • LP
(1989) Na estrada do amor • Gel/Chantecler • LP
(1987) O que o povo gosta • Chantecler • LP
(1986) Na parede da paixão • Gel/Chantecler • LP
(1986) Seleção de ouro. Volume 2 • Copacabana/Magazine • LP
(1985) Para sempre vou te amar • Chantecler • LP
(1984) Volte pra mim • Chantecler • LP
(1980) Aquelas canções • Copacabana • LP
(1979) O apaixonado. Volume 6 • Copacabana • LP
(1978) Seleção de ouro • Magazine • LP
(1976) O apaixonado. Volume 3 • Beverly • LP
(1974) O apaixonado • Beverly • CD
(1974) O apaixonado • Beverly • LP

Bibliografia Crítica

CÂMARA, Leide. Dicionário da Música do Rio Grande do Norte. Natal: Acervo da Música Potiguar, 2001.

Fonte:  dicionariompb

Carlos André a espera que vendeu um milhão de discos

Quando Carlos André resolveu gravar Se meu amor não chegar, teve gente que o alertou: "essa música é popular demais para o senhor." Colocaram a canção lá no lado B de um compacto duplo. Em poucos dias, tornou-se sucesso que fez o disco sumir das prateleiras. O hino do homem que sofre à mesa de um bar é até hoje uma das âncoras que mantém o cantor no mercado: além dos shows, de frequência semanal, ele também media apresentações de colegas como Roberto Müller e José Ribeiro. "Se eu gravasse o quebra mesa hoje, ficava rico".

Fabiana Moraes - fmoraes@jc.com.br

"O Rei dos Motoristas de Táxi". Carlos André estava chegando a Manaus para mais um show quando viu o cartaz que anunciava a sua apresentação naquela noite. Era ali apresentado a mais um título que indicava tanto o seu lugar quanto o de seus fãs na pirâmide sócio-cultural do País. Conhecia outros: era "artista de cabaré", "cantor de brega", fazia "música de empregada" (e de caminhoneiros, pedreiros, manicures, serventes, estivadores, prostitutas). Carlos, assim como outros cantores do romântico popular, eram os tenores de uma enorme parcela de trabalhadores que prestavam serviços pouco prestigiados para a classe média criada com banquinho e violão. Serviam antes mais, hoje menos como contraponto daquilo o que era "de bom gosto" ou, no máximo, cabiam na esfera do folclórico e no risível.

Neste sentido, era quase um impropério, entre intelectuais e demais esclarecidos do Brasil de 1975, ouvir e cantar versos como "Não posso mais, eu confesso/Confesso que vou chorar/ Eu hoje quebro essa mesa/Se meu amor não chegar". Escondida na última faixa do lado B do compacto duplo O apaixonado, a música Se meu amor não chegar (Lindolfo Barbosa e Wilson Nascimento) provocou um sismo nas rádios do País quando foi lançada. Foi em grande parte por causa dela que o artista nascido em Mossoró, no Rio Grande do Norte, foi parar em Manaus: virou astro nas regiões Norte e Nordeste do País, aquelas que melhor acolhiam tais artistas e que, por isso mesmo, terminavam fazendo parte do cimento do preconceito em relação a tal produção. Esse olhar negativo era duplo: enquanto direitistas julgavam as músicas como cafonas, esquerdistas viam ali o subjugo do intelecto a favor da alienação. "A esquerda era muito elitizada", conta Carlos André, cujo escritório é decorado com várias capas de discos, inclusive aquele que traz o "quebra-mesa", como seu maior sucesso ficou conhecido. O enorme interesse pela música agradou imensamente a gravadora Beverly: um milhão de cópias foram vendidas, instigando a empresa a realizar mais cinco discos com o mesmo título O apaixonado (que distinguiam-se pelo número do volume: 2, 3, 4, 5, 6).

Foi o momento máximo de um artista que havia iniciado sua carreira no fim da adolescência, quando fez parte do Trio Mossoró (ao lado dos irmãos Hermelinda e João, ele usava o nome de batismo, Oséas Lopes). O trio, formado nos anos 50, fez sucesso em um Sudeste que consumia com certo apetite o forró e o baião, sendo Luiz Gonzaga seu mais cortejado nome. Quando o interesse por tais ritmos começou a arrefecer, foi a vez de a música romântica trazer seus ídolos e foi aí que Carlos André deixou Oséas para trás, gravou suas dores  e estourou.

Queria ser artista desde criança: usava folha de carnaúba como se fosse sanfona, gostava de chamar atenção de quem estava ao seu redor. "No vesperal de domingo, o programa era ir para o cinema ou ver Oséas Lopes pular da ponte." Prestou serviços pouco comuns, como pintar carroceria de caminhão e entregar bilhetes para o delegado soltar este ou aquele preso. Nessa época, usava uma bicicleta que tinha um motorzinho. Mas gostava mesmo era de cantar, aprendeu ouvindo a própria mãe, que cozinhava e arrumava a casa soltando a voz. Esse gosto foi observado por Canindé Alves, locutor da Rádio Tapuyo, que chamou o rapaz lá no estúdio. Ele cantou uma música para Senhora de Aparecida e fez sucesso. "Eu era o cara mais famoso da cidade." Só que a cidade era pequena demais para o nível de aparecimento que Oséas queria: decidiu ir para Fortaleza. Também achou pequena. Veio para Recife e se apresentou no programa de Fernando Castelão (o popularíssimo Você faz o show, apresentado aos domingos na TV Jornal). Trabalhou também com Orlando Silva, criador de novelas para a mesma emissora. Mas não era exatamente o que queria: voltou para Mossoró e o emprego, onde ganhava bem. Mas queria mesmo o Rio de Janeiro. Em 1959, arrumou as malas e pegou um navio. Foram sete dias e sete noites navegando até chegar ao porto da cidade. Instalou-se em um dos galpões localizados no bairro de São Cristóvão: lotado de nordestinos que também buscavam algo dourado na cidade, o local quase não conseguia abrigar mais uma rede. "Era um depósito de sal. Não tinha lugar pra mim. Aí um vigia, Calazans, que também era de Mossoró, encontrou um canto pra minha rede rede. Mas era bem no local onde passava o trem. Eu tinha que acordar todo dia às 5h30, pois o trem passava às seis. Calazans me acordava gritando Olha o trem!. Eu pagava a ele comprando uma abacatada e um pastel, toda manhã."

Apesar de contar com o apoio financeiro do pai, cuja renda permitia uma confortável vida familiar, Carlos André começou a fazer bicos e foi mais ou menos por causa de um deles que mais tarde obteve a incrível soma de um milhão de discos vendidos. Estava entregando uma carta no edifício da Rádio Nacional quando encontrou o prestigioso Trio Irakitan, contratado da casa. Também vindos do Rio Grande do Norte, Edinho, Paulo e Joãozinho ficaram sabendo que o conterrâneo estava há quase um mês no Rio, experimentando um pouco confortável anonimato após sair de Mossoró, onde era celebridade. Oséas também aproveitou o laço geográfico que os unia: o trio possuía um programa na rádio, o que o ajudou a chegar a nomes como Rildo Hora (caruaruense exímio na harmônica) e Paulo Gracindo, apresentadores do programa Gaita Hering. Conseguiu ser contratado e logo saiu do galpão de sal. Os irmãos vieram do RN e continuaram a parceria iniciada no Nordeste. Em 1962, lançaram Rua do namoro, em 1965, Quem foi o vaqueiro. Ganharam o troféu Elterpe (o maior da música popular nacional nos anos 60) com a música Carcará, aquela que dois anos depois transformaria uma jovem Maria Bethânia, cantando no Teatro Oficina, em mito. Foram mais 10 discos até que, em 1972, Oséas Lopes decidiu ser Carlos André e o trio chegou ao fim.

O apaixonado veio em 1974 e logo todos cantavam as dores do homem que se perguntava "Pra quê dois copos na mesa/e uma cadeira vazia?" Ironicamente, a canção que tornaria Carlos André nacionalmente famoso quase não era gravada ? foi considerada por alguns como "popular demais" para ser interpretada pelo cantor. Seu conteúdo atormentado, pouco contido, dramático, soava meio... brega. "Diziam Essa música é muito sem-vergonha para o senhor cantar. Mas se ser brega é agradar o povão, então eu sou." Lançou mais 32 discos, boa parte deles gravados enquanto Carlos também trabalhava como diretor artístico da Copacabana, que o contratou em 1979. Produziu trabalhos de artistas como Luiz Gonzaga ("Ele ajudava todo mundo"). Com dinheiro no bolso e fama, Carlos André não entrou na rotina padronizada dos artistas populares que o cercavam, preferindo não envolver-se em farras intermináveis, onde a soma bebida e mulheres era regra. "Eu era muito família, saía do show e ia direto pro hotel." Nos anos 1980, lançou seis discos e mais uma coletânea, trabalhos que foi realizando até sair da Copacabana, no fim da década. A década de 1990 vaticinou o fim de uma época, e foi justamente nela que Carlos André iniciou um quase caminho de volta: foi morar em Fortaleza, cidade que sempre cortejou os cantores populares e onde vários deles, a exemplo de Genival Santos,  vivem. Foi o momento no qual regravou um sucesso popular, Siboney (Ernesto Lecuona e Dolly Morse), que tornou-se famoso nas rádios nordestinas. Recife, no entanto, continuava a ser o polo regional de música, o que logo atraiu o artista: em 1996, veio para a capital a convite de João Florentino, dono da Polydisc, produzir a famosa série 20 Super sucessos (onde os hits de cantores como Roberto Muller, José Ribeiro, Adelino Nascimento, Waleska, Fernando Mendes e Leonardo foram compilados). Trabalhou durante anos na empresa até ser desligado. O mercado já sentia os efeitos da gravação caseira de discos. "A pirataria acabou com a produção", diz Carlos André, que, naquele momento, voltara a também ser Oséas Lopes, o homem à frente do escritório local da Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Intelectuais (Socinpro). É desse trabalho, além dos shows que faz e ainda produz, que vive hoje. "Se o quebra mesa fosse sucesso hoje, eu estava rico", comenta ele, que, religiosamente, durante seus shows, desce até a plateia para cantar seu maior hit ao lado dos fãs. "Não acho cansativo, acho gratificante. Quando a música se imortaliza, não se acaba mais. Estamos fazendo shows com sucessos de ontem", comenta, referindo-se a colegas como Müller e Bartô Galeno (seu maior parceiro nas mais de cem composições que escreveu, músicas como Toma juízo mulher, Vou devolver a cama, Vou dormir no chão). No escritório da Socinpro, ele vai recebendo interessados em contratar seu show ou de outros cantores é difícil manter sua atenção contínua na entrevista enquanto ele tenta marcar datas e estabelecer preços. Nas cerca de duas horas do primeiro encontro com Carlos, seu telefone tocou 13 vezes (celular e fixo). No último deles, o artista recebia mais uma proposta de show. "Estou em uma entrevista, mas me ligue depois. Você sabe que quando quiser um brega, é aqui. E é de qualidade".

Eram dois copos, mas um só coração

O sucesso do "quebra-mesa" tem uma profunda relação, é claro, com o alto nível de identificação que a música provoca no público masculino, essa relação afetiva parece ser duplicada. O estudante de comunicação Queops Negronski, 38 anos, poderia ser aqui entendido como um "estudo de caso" em relação ao sucesso de ouro de Carlos André. A música serviu como espécie de escoadouro de mágoa no momento em que ele, como o cantor, não viu o seu amor chegar. Hoje apaixonado e casado com uma arquiteta, ele conta a história que aconteceu há cerca de seis anos. Conheceu a moça em um ônibus, algo rodriguiano e apropriado para esta temática. "Da catraca reparei no pedaço de bom caminho que ela era. Engatamos uma conversa boa e ficamos juntos uns três ou quatro meses." O namoro seguia bem quando, em um fim de semana, a garota desapareceu. Não atendia telefones, não inventou uma gripe, não falou se ia comprar cigarros, nada. "Liguei pra casa dela, para irmã, para mãe e ninguém me dizia nada. Daí a ficha caiu."

Ao perceber que estava sendo enganado, o estudante foi para casa. Colocou O apaixonado de Carlos André no som e ficou ouvindo a música repetidas vezes. "Só parei quando comecei a querer encher a cara, coisa que me amedronta mais do que mil gaias." Se na canção não ficamos a par se o amor de Carlos realmente volta, o fato é que, no caso aqui contado, ela, a garota da catraca, chegou. Questionada sobre o sumiço, não tentou ludibriar (de novo) o rapaz: falou naturalmente da traição. Como se fosse algo incluído no contrato, um contrato que o rapaz não leu tão bem quanto deveria. "Esperneei, perguntei mil vezes porque, e como letra de brega, terminamos na cama."

DISCOGRAFIA

1998 - Seleção de ouro. 20 sucessos

1996 - 20 super sucessos

1996 - Seleção de ouro

1995 - Popularidade

1993 - Para recordar e xamegar

1990 - Não te esquecerei

1989 - Na estrada do amor

1987 - O que o povo gosta

1986 - Na parede da paixão

1986 - Seleção de ouro

1985 - Para sempre vou te amar

1984 - Volte pra mim

1980 - Aquelas canções

1979 - O apaixonado

1978 - Seleção de ouro

1976 - O apaixonado

1974 - O apaixonado

- Contato para shows: 3422-0605/9121-4485


SE MEU AMOR NÃO CHEGAR

Eu hoje quebro esta mesa

se meu amor não chegar

Também não pago a despesa

Nem saio desse lugar

Tem tanta mulher me olhando

Querendo me conquistar

Acabo me desesperando

Se meu amor não chegar

Pra que dois copos na mesa

Com uma cadeira vazia?

E eu aqui na incerteza

Vendo amanhecer o dia

Não posso mais, eu confesso

Confesso que vou chorar

Hoje quebro essa mesa

Se meu amor não chegar

Fonte: Jornal do Commercio - 28/12/2011

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