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Cana de açúcar

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Cana, a lavoura histórica
Publicado em 05.01.2010

O AÇÚCAR ESTÁ NA FORMAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA E LOGO ALCANÇOU O POSTO DE PRINCIPAL PRODUTO DE EXPORTAÇÃO DA COLÔNIA

Especiaria de alto valor, o açúcar brasileiro já nasceu como produto de exportação. A cana, oficialmente introduzida por Martim Afonso de Sousa na capitania de São Vicente (São Paulo), em 1532, logo se transformou na principal atividade agrícola da colônia. Três anos depois era cultivada com sucesso na capitania de Pernambuco.

Há, na verdade, um documento mais antigo com o registro do pagamento de imposto sobre o açúcar enviado do Brasil para Portugal em 1526. Mas o fato é que em 1550 a colônia alcançou o posto de maior produtor mundial de açúcar, título que manteve até a chegada dos holandeses no ano de 1630.

"A arma de guerra durante a ocupação holandesa (1630-1654) foi o fogo. Os engenhos eram queimados como estratégia de defesa e isso provocou a queda na produção açucareira", diz o pesquisador do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano Paulo Maranhão. A entidade é referência nos estudos sobre o período holandês.

O historiador Rômulo Xavier, da mesma instituição, observa que até 1620, dois terços do açúcar embarcado para a Europa eram produzidos em Pernambuco. "É o motivo maior da invasão holandesa", explica. A saída dos flamengos provoca o primeiro impacto no alicerce econômico da colonização portuguesa no Brasil nos séculos 16 e 17.

"Quando deixaram o Brasil, os holandeses passaram a financiar o açúcar das colônias francesas e inglesas do Caribe, que concorriam com a produção brasileira e podiam oferecer um produto mais barato no mercado europeu", diz o historiador Evaldo Cabral de Mello, por telefone, do Rio de Janeiro.

Como consequência das mudanças, a colônia começou a exportar menos. "Além disso, houve uma queda muito grande de preço do açúcar na Europa na segunda metade do século 17", completa Evaldo Cabral de Mello. "Os holandeses não apenas financiaram a produção açucareira nas Antilhas e no Caribe, eles levaram a tecnologia portuguesa dos engenhos para lá", acrescenta Paulo Maranhão.

Esse conjunto de fatores, analisa o pesquisador, fez com que o Brasil perdesse espaço no mercado internacional. Na avaliação de Cabral de Mello, a permanência dos holandeses no Brasil não teria alterado a produção açucareira para mais ou para menos.

"Isso não ia depender de holandeses ou portugueses, mas das condições do mercado internacional", diz. No tempo dos flamengos os engenhos de cana-de-açúcar também se apoiaram na mão de obra escrava. "Eles continuaram o mesmo tipo de exploração que havia na época dos portugueses", afirma Evaldo Cabral de Mello. O Brasil exportava açúcar bruto para ser refinado em Amsterdã, na Holanda.

ORIGEM

As primeiras canas plantadas no Brasil são conhecidas como crioula ou da terra. "Vieram da Ilha da Madeira, trazidas pelos portugueses", diz a antropóloga Fátima Quintas, da Fundação Gilberto Freyre, que pesquisou o assunto para escrever um livro sobre açúcar, previsto para ser lançado em abril deste ano.

Junto com a cana, os portugueses trouxeram a tecnologia que usavam na Ilha da Madeira, maior produtor de açúcar do mundo no século 15, desbancado no século 16 pelo Brasil. "A ilha foi o laboratório dos engenhos de Pernambuco", informa Rômulo.

Mas a cana, chamada pelos botânicos Saccharum officinarum, não é originária da ilha. Para uma corrente de pesquisadores, é natural do sudeste da Ásia, provavelmente da Índia, na região de Bengala. Alcançou a Pérsia e os mouros se encarregaram de disseminá-la pela Itália, Espanha e Portugal.

Outro grupo defende a origem na Indonésia, na Ilha de Papua-Nova Guiné. De lá, teria migrado para a Pérsia e pelo Mediterrâneo chegou a Florença e Gênova, seguindo para Espanha e Portugal. O folclorista Câmara Cascudo (1898-1986) verificou que a cana não faz parte do hagiológio religioso (tratado sobre a vida dos santos) indiano e, por isso, não seria nativa, mas cultivada, pondera Fátima Quintas.

"Hoje, a cana é um produto agrícola com duas commodities, serve para fazer açúcar e álcool", observa o professor de história da Universidade Federal de Pernambuco Marcus Carvalho. Açúcar, diz ele, pode ser extraído da beterraba ou qualquer fruta. A neutralidade do sabor explica a preferência pela cana.

Estatísticas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica-SP) indicam que o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Responde por cerca de 20% da produção e 40% das exportações. São Paulo é o maior produtor do País, seguido do Paraná, Minas Gerais, Alagoas e Pernambuco.

Fonte: jc

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CANA DE AÇÚCAR

Palavras-chave: Nordeste