O NORDESTE / Enciclopédia Nordeste / Caetano Veloso

Pesquisar em ordem alfabética

A B CD E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W Y X Z
  • C

Caetano Veloso

  • Tamanho da letra

    Diminuir o tamanho da letraAumentar o tamanho da letra
  • Imprimir

    Imprimir
  • Enviar por e-mail

    Enviar por e-mail
Voltar
LP História da Música Popular Brasileira/Acervo www.onordeste.com
Caetano Veloso, cantor e compositor
Caetano Veloso

Caetano Veloso
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso
 7/8/1942 Santo Amaro, BA

Compositor. Cantor. Escritor.

Nasceu a 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro da Purificação, Bahia. Filho de José Telles Veloso, funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Vianna Telles Veloso, mais conhecida como dona Canô. Tem sete irmãos: Nicinha, Clara, Mabel, Irene, Rodrigo, Roberto e Maria Bethânia (cujo nome escolhera por causa de uma valsa do compositor pernambucano Capiba). Seu sobrenome não vem com o "n" e o "l" dobrados em Vianna e Telles, respectivamente, por descuido do escrivão. Desde menino, demonstrou interesse pela música, pintura e depois pelo cinema. Tirava de ouvido canções aprendidas no rádio e pintava a óleo, a princípio paisagens e casarios, e mais tarde abstrações. Em 1952, gravou "Feitiço da Vila" (Vadico e Noel Rosa) e "Mãezinha querida" (Getúlio Macedo e Lourival Faissal), acompanhado ao piano por Nicinha, sua irmã mais velha. A gravação não teve intenção profissional, foi apenas de circulação familiar. Durante o ano de 1956, num curto período em que morou em Guadalupe, no Rio de Janeiro, freqüentou o auditório da Rádio Nacional, palco de apresentações dos maiores ídolos musicais brasileiros da época. No ano seguinte, retornou a Santo Amaro. Em 1959, conheceu o trabalho de João Gilberto através do LP "Chega de saudade", apresentado por um amigo do ginásio. Este seria o músico que mais influenciaria sua trajetória artística: "No João, parece que é tudo mais justo, necessário: melodia, as vogais, as consoantes, os sentimentos, o respeito por aquela forma, que ele reconheceu ali, o jeito daquelas coisas se expressarem esteticamente. João traduz a canção." (Songbook Caetano Veloso vol.1). Em 1960, após concluir o curso ginasial (atual ensino fundamental), mudou-se com a família para Salvador, onde concluiu o colegial (atual ensino médio). Entre os anos de 1960 e 1962, escreveu críticas de cinema para o "Diário de Notícias". Neste mesmo período, aprendeu a tocar violão e cantou com a irmã Maria Bethânia em bares de Salvador. Ingressou na Faculdade de Filosofia, da Universidade Federal da Bahia, em 1963. Ainda neste ano, conheceu e tornou-se amigo do ídolo que já conhecia pela TV, Gilberto Gil, apresentado pelo produtor Roberto Santana. Conheceu também Gal Costa, ainda chamada de Maria da Graça, e Tom Zé. Casou-se, em 21 de novembro de 1967, com a baiana Dedé Gadelha, numa cerimônia que traduzia os ares contraculturais da época. No dia 22 de novembro de 1972 nasceu seu primeiro filho com Dedé, Moreno Veloso, e no dia 7 de janeiro de 1979, Júlia, que morreu dias depois. Seu pai morreu em 13 de dezembro de 1983, aos 82 anos. Em 1986, já separado de Dedé Veloso, uniu-se à carioca Paula Lavigne, com quem teve mais dois filhos, Zeca Lavigne Veloso, nascido no dia 7 de março de 1992, e Tom Lavigne Veloso, nascido em 25 de janeiro de 1997, em Salvador, no dia do aniversário de Tom Jobim.

Seu primeiro trabalho musical foi a composição da trilha sonora da peça de Nelson Rodrigues "O boca de ouro", da qual participou também como ator. O diretor baiano Álvaro Guimarães, que o dirigiu nesta montagem, o convidou para compor a trilha de outra peça, "A exceção e a regra", de Bertolt Brecht.

Em junho de 1964, integrando os eventos de inauguração do Teatro Vila Velha, dirigiu o show "Nós, por exemplo", no qual também atuou como cantor, ao lado de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé, entre outros. Esse show representou um marco histórico, reunindo pela primeira vez o núcleo que futuramente viria a ser conhecido como Doces Bárbaros. Em setembro, apresentou-se, com o mesmo grupo, no mesmo teatro, com o espetáculo "Nova bossa velha e velha bossa nova". A estrutura desses espetáculos foi referência para outros que aconteceram mais tarde no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além de fazer alusão às questões políticas e sociais, tinha o intuito de criar uma perspectiva histórica que os situasse no desenvolvimento da música popular brasileira.

Em 1965, conheceu, em Salvador, João Gilberto. Abandonou a faculdade e seguiu para o Rio de Janeiro acompanhando Maria Bethânia, chamada para substituir a cantora Nara Leão no show "Opinião". No mesmo ano, teve seu primeiro registro de compositor, com a gravação de sua canção "É de manhã", lançada em compacto simples por Maria Bethânia, pela RCA Victor. O compacto, que continha também "Carcará", projetou nacionalmente a cantora. Em maio desse ano, gravou seu primeiro compacto simples, com suas composições "Cavaleiro" e "Samba em paz", também pela RCA Victor. Participou ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Tom Zé e Pitti, do espetáculo "Arena canta Bahia", dirigido por Augusto Boal e apresentado no TBC, antigo palco do Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo. Passou uma temporada em Salvador logo a seguir. Nessa ocasião, o diretor Geraldo Sarno incluiu algumas de suas músicas na trilha de seu curta-metragem "Viramundo".

Concedeu um depoimento à "Revista Civilização Brasileira" nº 7, de maio de 1966, enfatizando a necessidade da "retomada da linha evolutiva da música popular brasileira" a partir das lições mais fundamentais da Bossa Nova. Em junho desse mesmo ano, participou do II Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior), com sua canção "Boa palavra", defendida por Maria Odette, classificada em quinto lugar. Em outubro desse mesmo ano, recebeu o prêmio de Melhor Letra no II Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), com a canção "Um dia".

Em 1967, destacou-se no programa "Esta noite se improvisa" (TV Record). Nesse ano, foi contratado pela Philips, gravadora pela qual lançou seu primeiro LP, "Domingo", ao lado de Gal Costa. O disco, produzido por Dori Caymmi e ainda sob forte influência da Bossa Nova, traz o seguinte texto na contracapa: "Minha inspiração agora está tendendo para caminhos muito diferentes do que segui até aqui". Ainda em 1967, apresentou-se no III Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), com a marcha "Alegria, alegria", que interpretou acompanhado pelas guitarras elétricas do conjunto argentino Beat Boys. A música foi classificada em quarto lugar. Nesse mesmo festival, "Domingo no parque" reuniu Gilberto Gil, Rogério Duprat e Os Mutantes, segundo ele "a base do som tropicalista". Sua admiração por João Gilberto e pela Bossa Nova era tanta, que a necessidade de criar algo novo era latente: "A gente não queria ficar fazendo sub-Bossa Nova depois do João e do Tom" (Songbook Caetano Veloso vol.1). Sob a influência da Jovem Guarda e dos Beatles, nasceu o Tropicalismo, movimento de vanguarda que abalou as estruturas musicais e culturais de então. As canções "Domingo no parque" e "Alegria, alegria" retomaram a "linha evolutiva" da música brasileira à qual o compositor se referia no depoimento publicado na "Revista Civilização Brasileira", buscando novas sonoridades e formas de expressão poética, mais condizentes com os anseios da juventude. "Alegria, alegria" foi lançada em compacto simples.

Em 1968, gravou seu primeiro LP individual, "Caetano Veloso", com arranjos de Rogério Duprat e acompanhamento dos conjuntos RC-7 e Os Mutantes. Participou dos programas de televisão "A buzina do Chacrinha" e "Jovem Guarda". Nesse mesmo ano, lançou um compacto simples com a leitura tropicalista de "Yes, nós temos bananas" (João de Barro e Alberto Ribeiro). Nesse mesmo ano, foi impedido de participar da I Bienal do Samba, na TV Record, São Paulo, por utilizar acompanhamento de guitarra elétrica. Ainda em 1968, lançou o LP-manifesto "Tropicália ou Panis et circensis", ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e os poetas-letristas tropicalistas Torquato Neto e Capinam, além dos maestros e arranjadores Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzella, firmando as bases do Tropicalismo. Em setembro desse mesmo ano, foi realizado no Teatro da Universidade Católica (SP), o histórico III Festival Internacional da Canção (FIC/TV Globo), no qual o compositor, vaiado ao apresentar "É proibido proibir", vociferou um discurso contra a platéia e o júri: "Vocês não estão entendendo nada(...) O júri é muito simpático mas incompetente". A canção foi desclassificada e saiu em compacto simples. Ainda em 1968, Gal Costa interpretou, no IV Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), sua canção "Divino maravilhoso", que ficou em terceiro lugar. Nesse mesmo evento, defendeu como intérprete "Queremos guerra", de Jorge Benjor (na época Jorge Ben). Também nesse ano, estreou na TV Tupi de São Paulo o programa "Divino Maravilhoso", com todo o grupo tropicalista. Seu samba "A voz do morto" foi lançado em compacto duplo. A música foi censurada e o disco recolhido das lojas. Em dezembro, mais um compacto simples foi lançado com o seu frevo "Atrás do trio elétrico" e a canção "Torno a repetir", de domínio público. No dia 27 de dezembro de 1968, foi preso juntamente com Gilberto Gil sob o pretexto de desrespeito ao hino e à bandeira do Brasil. Foram levados para o quartel do exército de Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, permanecendo detidos por dois meses.

Em fevereiro de 1969, foram soltos, porém em regime de confinamento, seguindo para Salvador. Nos meses de abril e maio desse ano, gravou as bases de voz, com o acompanhamento de Gil ao violão, para seu novo disco "Caetano Veloso". Essas bases foram posteriormente arranjadas por Rogério Duprat, que também dirigiu as gravações em São Paulo. Nos dias 20 e 21 de julho, apresentou com Gilberto Gil o show de despedida, antes de embarcarem junto com suas mulheres, as irmãs Dedé e Sandra Gadelha, para o exílio na Inglaterra. A realização do show só foi permitida devido à necessidade de arrecadaão de fundos para as passagens e estadia nos primeiros meses de exílio. Fixaram-se em Londres, no bairro Chelsea. O espetáculo veio a transformar-se, três anos mais tarde, no disco "Barra 69". Em agosto, foi lançado o disco "Caetano Veloso", o primeiro álbum que não trazia sua foto na capa. Em novembro, foi lançado o compacto simples com "Charles, anjo 45", de Jorge Benjor, e sua canção "Não identificado". Mesmo no exílio, sua produção não parou.

Em 1970, enviou artigos para o jornal carioca "O Pasquim", além de canções para Gal Costa ("London, London" e "Deixa sangrar"), Maria Bethânia ("A tua presença morena"), Elis Regina ("Não tenha medo"), Erasmo Carlos ("De noite na cama") e Roberto Carlos ("Como dois e dois"). Apresentou-se em palcos da Inglaterra e de outros países da Europa. Ainda em 1970, lançou o LP "Caetano Veloso" pelo selo Famous (Paramount Records), seu primeiro disco no exílio.

Em janeiro de 1971, retornou ao Brasil para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais, obtendo permissão para ficar um mês fora do exílio. No Rio, foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica, na época em construção. Nesse período, apresentou-se no programa "Som Livre Exportação" (Rede Globo). Em junho, o disco gravado na Inglaterra foi lançado no Brasil, para onde retornou novamente em visita à família. Nessa ocasião, apresentou-se na TV Globo e na TV Tupi, em um programa ao lado de Gal Costa e João Gilberto. Gravou o frevo "Chuva, suor e cerveja" para o Carnaval do ano seguinte. De volta a Londres, gravou mais um LP pelo selo inglês, "Transa". Em dezembro, foi lançado no Brasil o compacto duplo "O Carnaval de Caetano".

Em janeiro de 1972, volta definitivamente ao Brasil e lança o LP "Transa". No dia seguinte ao retorno do exílio, apresentou o show "Transa", ao lado de Gil, no Teatro João Caetano (RJ). Estreou também no TUCA (SP) e percorreu outras grandes cidades do país. Com visual hippie, chocou parte do público ao se apresentar imitando trejeitos de Carmen Miranda. Em novembro, dirigiu a produção do LP "Drama - anjo exterminado", de Maria Bethânia. Compôs a trilha de "São Bernardo", de Leon Hirszman, premiada no ano seguinte como Melhor Música do Festival de Cinema de Santos. Nos dias 10 e 11 de novembro, apresentou-se, ao lado de Chico Buarque, no Teatro Castro Alves, em Salvador. O show teve participação do grupo vocal MPB-4 e gerou o LP "Chico e Caetano juntos e ao vivo".

Em janeiro de 1973, lançou "Araçá azul", seu novo LP individual, que surpreendeu o público pelo alto grau de experimentalismo. O disco teve um grande número de devoluções e foi retirado do catálogo. Iniciou, em março desse mesmo ano, uma série de apresentações pelo interior do Brasil, seguindo o roteiro dos circuitos universitários. Em maio, marcou presença no evento "Phono 73", promovido pela gravadora Philips no Palácio das Convenções do Anhembi (SP), por cantar a canção "Eu vou tirar você deste lugar", de Odair José, cantor considerado brega.

Em 1974, produziu os LPs "Cantar", que se tornou um marco na carreira de Gal Costa, e "Smetak", do músico experimental Walter Smetak. No início desse mesmo ano, realizou, ao lado de Gal e Gil, um show no Teatro Vila Velha, em Salvador, gravado ao vivo e lançado no álbum "Temporada de verão".

No ano de 1975, o compato simples com musicalizações suas para os poemas "Dias,dias,dias" e "Pulsar", de Augusto de Campos, saiu encartado em "Caixa preta" (Edições Invenção), obra do poeta em parceria com Júlio Plaza. Quatro anos depois, saiu também acoplado ao livro "Viva vaia" (editora Duas Cidades), publicado por Augusto de Campos. Ainda em 1975, lançou os LPs "Jóia" e "Qualquer coisa". A capa original do primeiro, proibida por trazer um desenho dele, a mulher e o filho nus, foi reconstituída mais tarde, quando o disco foi lançado em CD.

No dia 24 de junho de 1976, 10 anos depois do show "Nós, por exemplo", reencontrou Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia no elenco do espetáculo "Doces Bárbaros", que estreou no Anhembi, em São Paulo, e deu origem ao LP "Doces Bárbaros ao vivo", lançado pela PolyGram. Saiu em turnê com o grupo até o dia 7 de julho, quando Gil e o baterista Chiquinho Azevedo foram presos por porte de maconha, em Florianópolis (SC).

No início de 1977, participou, ao lado de Gilberto Gil, do 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Lagos (Nigéria). Em abril desse ano, lançou seu primeiro livro, "Alegria, alegria", uma compilação de artigos, manifestos e poemas, além de entrevistas concedidas ao amigo e poeta Waly Salomão.

Em 1978, viajou à Europa com Gal Costa, para apresentações em Roma, Milão, Genebra e Paris. Em junho, lançou o LP "Muito", com os músicos de A Outra Banda da Terra, grupo que o acompanhou até 1983.

Apresentou-se como intérprete no Festival 79 de Música Popular (TV Tupi), defendendo "Dona Culpa ficou solteira", de Jorge Benjor. Foi vaiado em protesto à participação de artistas já consagrados. A canção não recebeu premiação.

Em março de 1980, recebeu seu primeiro Disco de Ouro, com o álbum "Outras palavras", que atingiu a vendagem de 100 mil cópias.

Em 1981, lançou, com João Gilberto e Gilberto Gil, o álbum "Brasil", disco Pelo qual recebeu, no ano seguinte, o troféu Vinicius de Moraes, na categoria Melhor Cantor.

Em março de 1982, lançou o álbum "Cores, nomes", que lhe rendeu seu segundo Disco de Ouro. Ainda nesse ano, integrou o elenco de "Tabu", filme de Júlio Bressane, interpretando Lamartine Babo.

No dia 16 de março de 1983, convidado pelo jornalista Roberto D""Ávila, entrevistou, em Nova York, o cantor Mick Jagger, na estréia do programa "Conexão Internacional" (Rede Manchete).

Em 1984, lançou "Velô", acompanhado pelos músicos da Banda Nova.

No ano seguinte, compôs e gravou a música tema "Milagre do povo", da trilha sonora da minisérie "Tenda dos milagres" (Rede Globo), sobre a obra homônima do escritor Jorge Amado.

Em 1986, fez sua primeira incursão cinematográfica, "O cinema falado", cujo título remete ao primeiro verso de um samba de Noel Rosa. O filme foi realizado em apenas três semanas. Sua canção "Merda", composta para a peça "Miss Banana", foi censurada. Essa composição foi feita em homenagem à expressão "merda", muito utilizada pela gente do teatro para desejar boa sorte na estréia de um espetáculo. Em maio, a Rede Globo estreou o programa mensal "Chico e Caetano", no qual os dois artistas, além de cantar, apresentavam artistas convidados, nacionais e internacionais. Em junho, estreou em São Paulo o show "Caetano Veloso e violão", gravado ao vivo e transformado em LP premiado com Disco de Platina, pelas 250 mil cópias vendidas. Em setembro, "Cinema falado" estreou no 3º Festival de Cinema, Televisão e Vídeo do Rio de Janeiro. Ainda em 1986, gravou seu primeiro disco nos Estados Unidos, "Caetano Veloso", pela gravadora Nonesuch. No dia 26 de dezembro, foi ao ar o último programa "Chico e Caetano".

Prestou depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo no dia 14 de fevereiro de 1987, entrevistado por Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Tenório Cavalcanti. Em junho, foi relançado "Araçá azul".

Em 1988, foi publicado pela editora carioca Lumiar o Songbook "Caetano Veloso", em dois volumes, contendo letra e partitura de 135 canções.

Em abril de 1989, atuou no papel do poeta Gregório de Mattos em "Os sermões - a história de Antonio Vieira", filme de Júlio Bressane. Ness mesmo ano, lançou o disco "Estrangeiro", pouco depois também nos Estados Unidos, com destaque para "Meia-lua inteira", de um compositor então desconhecido, Carlinhos Brown, que integrava sua banda como percussionista. No dia 21 de novembro, recebeu o Prêmio Shell para a Música Brasileira 1989, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em dezembro, foi contemplado com o Prêmio Sharp de Música.

No dia 26 de janeiro de 1990, sofreu um atentado em sua casa, em Salvador, quando passava férias. Uma bomba explodiu e três tiros foram disparados. Duas semanas antes fizera duras críticas à administração do prefeito Fernando José. Em outubro, saiu seu álbum "Caetano Veloso", gravado em 1986, nos Estados Unidos. Publicou um longo artigo sobre a cantora Carmen Miranda, no jornal "The New York Times", em outubro. Este mesmo artigo saiu posteriormente na "Folha de São Paulo".

Em 1992, foi lançado o estudo "Caetano, por que não?", de Gilda Dieguez e Ivo Lucchesi, pela editora Francisco Alves. Em abril desse ano, participou do programa "Jô onze e meia" (SBT), no qual inesperadamente resolveu contar quem o delatou em 1968: o locutor de rádio Randal Juliano. Recebeu, pela segunda vez, o Prêmio Sharp.

Em 1993, foi publicado o livro "Caetano: esse cara", organizado por Héber Fonseca, pela editora Revan, contendo depoimentos concedidos pelo compositor, ao longo de sua carreira, a publicações e emissoras de Rádio e Televisão. Em agosto desse mesmo ano, lançou, com Gilberto Gil, o CD "Tropicália 2", em comemoração aos 25 anos do movimento.

Em 1994, reuniu-se com Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia na quadra da escola de samba Mangueira para o show "Doces Bárbaros na Mangueira", que comemoraria os 18 anos do grupo. Nesse mesmo ano, a escola os homenageou com o samba-enredo "Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu", parafraseando seu sucesso "Atrás do trio elétrico". Os Doces Bábaros voltaram a se reunir em junho, no Royal Albert Hall, em Londres, com a participação da bateria da Mangueira.

Em 1995, começou a escrever um livro encomendado pela editora norte-americana Alfred Knopf.

Em 1996, compôs a trilha do filme "Tieta do Agreste", de Cacá Diegues. Em dezembro, foi objeto de mais um livro: "O arco da conversa: um ensaio sobre a solidão", de Cláudia Fares (Casa Jorge Editorial).

Lançou, em 1997, o livro de ensaios e memórias "Verdade Tropical" e o álbum "Livro". Em 30 de outubro, convidado por Madalena Fellini, irmã de Federico Fellini (1921-1993), fez um show na República de San Marino, perto de Rimini (Itália), cidade natal do cineasta, em comemoração do aniversário de casamento de Fellini e da atriz Giulietta Masina (1920-1994), anteriormente homenageada em canção que leva seu nome. Em novembro, foi lançado o livro "Verdade Tropical" (Companhia das Letras, 524 páginas), contendo uma visão profunda e pessoal acerca dos principais aspectos e acontecimentos relacionados ao movimento tropicalista.

Em 1998, lançou o CD "Prenda Minha", com o qual atingiu, no ano seguinte, pela primeira vez, a faixa de mais de um milhão de cópias vendidas, puxado pela regravação de "Sozinho", música de Peninha.

Em 2000, dirigiu a produção do CD "João violão e voz", de João Gilberto. Nesse mesmo ano, foi conteplado com o Prêmio Grammy Awards, na categoria World Music, pelo CD "Livro", lançado nos Estados Unidos, em 1999. Ainda em 2000, na primeira edição do Grammy Latino, seu disco "Livro" foi premiado na categoria Melhor Disco de MPB. Em dezembro desse mesmo ano, lançou o CD "Noites do Norte", cuja faixa-título foi inspirada no texto homônimo de Joaquim Nabuco.

Em 2001, recebeu o Prêmio Multishow de Música, na categoria Melhor Cantor. Nesse mesmo ano, fez turnê pelo Brasil com o show "Noites do Norte". Ainda em 2001, participou do filme "Fale com ela" ("Hable con Ella"), de Almodóvar, cantando a canção "Cucurrucucú Paloma" ("Coo Coo Roo Coo Coo Paloma"). Também nesse ano, lançou o CD duplo "Noites do Norte ao vivo".

Em 2002, gravou, com Jorge Mautner, o CD "Eu não peço desculpas", contendo suas composições "Feitiço", "O namorado", "Cajuína", "Tarado", "Homem bomba" e "Graça Divina", as três últimas em parceria com Jorge Mautner, além de "Manjar de reis", "Maracatu atômico" e "Morre-se assim", todas de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, "Todo errado" (Jorge Mautner), "Coisa assassina" (Gilberto Gil e Jorge Mautner), "Voa, voa, perereca" (Sérgio Amado) e "Hino do carnaval brasileiro" (Lamartine Babo). No dia 8 de dezembro desse mesmo ano, apresentou-se para 100.000 pessoas na Praia de Copacabana (RJ), ao lado de Gilberto Gil e Gal Costa e Maria Bethânia, no show "Doces Bárbaros", que encerrou o projeto "Pão Music". Ainda em 2002, foi lançada a caixa "Todo Caetano".

Em 2003, sua interpretação de "Burn it Blue" (Elliot Goldenthal e Julie Traymor), ao lado da mexicana Lila Downs, representando o filme "Frida", na cerimônia de entrega do Oscar, foi o primeiro registro de participação de um cantor brasileiro no evento. Nesse mesmo ano, recebeu o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, pelo CD "Eu não peço desculpas", trabalho em parceria com Jorge Mautner. Ainda em 2003, seu filme "Cinema falado" foi relançado em DVD. Também nesse ano, foi lançado o livro "Letra só", seleção de letras de autoria do compositor, organizada por Eucanaã Ferraz.

No dia 25 de janeiro de 2004, apresentou-se na esquina das avenidas Ipiranga e São João, em São Paulo, na comemoração dos 450 anos da cidade. Nesse mesmo ano, lançou o CD "A foreign sound", contendo canções norte-americanas. Também em 2004, apresentou-se no Carnegie Hall, em Nova York, e fez turnê do disco "A forein sound" pelo Brasil. Ainda nesse ano, participou da trilha sonora, registrada em CD, do filme "Meu tio matou um cara", de Jorge Furtado, como intérprete ("Pra te lembrar", de Nei Lisboa) e como compositor ("Se essa rua" e "Habla de mi").

Em 2005, apresentou-se, ao lado de Milton Nascimento, no Canecão (RJ), com o show "Milton e Caetano". No repertório, "Paula e Bebeto", "A terceira margem do rio", "As várias pontas de uma estrela", "Senhor do tempo", "Sereia" e "Perigo", parcerias de ambos incluídas na trilha sonora do filme "O Coronel e o lobisomem", além de outros clássicos do cinema, como "Luz de Tieta" ("Tieta") e "Luz do sol" ("Índia, a filha do sol"), de sua autoria, e "A felicidade" ("Orfeu"), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, entre outros. O espetáculo contou com cenário de Hélio Eichbauer. Também em 2005, lançou o livro "O mundo não é chato" (Companhia das Letras), coletânea de ensaios e críticas publicadas ao longo de sua trajetória em jornais e revistas organizada pelo poeta Eucanaã Ferraz. Compôs, em parceria com José Miguel Wisnik, a trilha sonora do espetáculo "Onqotô", do Grupo Corpo, lançada em CD homônimo, também nesse ano.

Em 2006, lançou o CD "Cê", contendo canções inéditas de sua exclusiva autoria: "Outro", "Minhas lágrimas", "Rocks", "Deusa urbana", "Waly Salomão", "Não me arrependo", "Musa híbrida", "Odeio", "Homem", "Porquê?", "Um sonho" e "O herói". A seu lado, o trio formado por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo e piano rhodes) e Marcelo Callado (bateria). O disco foi produzido por Moreno, seu filho, e Pedro Sá.

Após realizar vários shows de lançamento do disco "Cê", apresentou-se, em 2007, na Fundição Progresso (RJ), tendo a seu lado Pedro Sá (guitarra), Marcello Calado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo). Com direção de Mauro Lima, o show foi gravado ao vivo para lançamento em CD e DVD. Nesse ano, lançou o CD "Multishow ao vivo: Caetano Veloso - Cê", gravado ao vivo na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

Em 2008, ao lado da Banda Cê, apresentou-se no Vivo Rio (Museu de Arte Moderna, RJ) com a série de shows "Obra em progresso", recebendo no palco um convidado especial por semana. Nesse mesmo ano, apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado de Roberto Carlos, em homenagem a Tom Jobim e aos 50 anos da bossa nova. Ainda em 2008, gravou, no Teatro Oi Casa Grande (RJ) o DVD "Obra em Progresso".

Tendo ao seu lado a bandaCê, formada por Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados) e Marcelo Callado, lançou, em 2009, o CD "Zii e Zie", com suas composições "Perdeu", "Sem cais" (c/ Pedro Sá), "Por quem?", "Lobão tem razão", "A cor amarela", "A base de Gantánamo", "Falso Leblon", "Menina da Ria", "Lapa" e "Diferentemente", além de "Incompatibilidade de gênios" (João Bosco e Aldir Blanc) e "Ingenuidade" (Serafim Adriano). Nesse mesmo ano, fez show de lançamento do disco no Canecão (RJ), acompanhado pelos mesmos músicos, com cenário de Hélio Elchbauer, iluminação de Maneco Quinderé e imagens dos cineastas Miguel Przewodowski e Lais Rodrigues. O espetáculo foi incluído na relação "Os Melhores Shows de 2009" do jornal "O Globo", publicada ao final do ano.

Em 2010, após turnê pela Europa, fez apresentação única do show "Zil e Zie" no espaço Vivo Rio (RJ) registrada ao vivo para edição em CD e DVD, ao lado da bandaCê, formada Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria). Nesse mesmo ano, a cantora Maria Bethânia registrou, no CD e DVD "Amor, Festa e Devoção", suas canções "Dama do Cassino", "Pronta pra cantar", "Queixa" e "Reconvexo". Também em 2010, apresentou-se com a cantora Maria Gadú no Citibank Hall (RJ) com o show "Caetano Veloso + Maria Gadú", para gravação do DVD.

Lançou, em 2011, o DVD "MTV ao vivo - Caetano - Zii e Zie", em formato simples e em formato especial. Neste último, além do registro do show "Zii e Zie", canções da temporada de "Obra em Progresso". Nesse mesmo ano, participou, como convidado da Orquestra Imperial, do "Tributo a Jorge Mautner", realizado no Circo Voador (RJ). Foi homenageado pela escola de samba Paraíso do Tuiuti no Carnaval de 2011, com o samba enredo "O mais Doce Bárbaro - Caetano Veloso", de Eric Souza, Elton Divino, Rodrigo Monteiro, Zezé e Gê Tuiuti.

Obra

"Vamo" comer (c/ Tony Costa)
13 de maio
A base de Gantánamo
A cor amarela
A filha da Chiquita Bacana
A grande borboleta
A hora da estrela de cinema
A little more blue
A luz de Tieta
A mulher
A outra banda da terra
A polícia sobe o morro
A rã (c/ João Donato)
A tua presença, morena
A voz de uma pessoa vitoriosa (c/ Waly Salomão)
A voz do morto
A voz do vivo
Abandono
Acrilírico (c/ Rogério Duprat)
Adeus, meu Santo Amaro
Ai de mim, Copacabana (c/ Torquato Neto)
Alegria, alegria
Alexandre
Alteza (c/ Waly Salomão)
Alucinação
Amo-te mesmo muito
Amotor (c/ Rogério Duprat)
Ângulos (c/ Eduardo Gudin e Arrigo Barnabé)
Anunciação (c/ Rogério Duarte)
Araçá azul
Aracaju (c/ Tomás Improta e Vinícius Cantuária)
As ayabás (c/ Gilberto Gil)
As várias pontas de uma estrela (c/ Milton Nascimento)
Asa
Ascânio no jeguinho
Atrás do trio elétrico
Avarando
Ave-Maria
Baby
Baby-doll the nylon (c/ Robertinho do Recife)
Barato modesto
Batmacumba (c/ Gilberto Gil)
Batuque final
Beira-mar (c/ Gilberto Gil)
Beleza pura
Boa palavra
Bonina (c/ Capinam)
Brilhante
Cá já
Cajuína
Campeão olímpico de Jesus (c/ Waly Salomão)
Canção de protesto
Cantiga de boi
Canto das lavadeiras
Canto do bola de neve
Capitão Lampião (c/ Torquato Neto)
Cara a cara
Caras e bocas (c/ Maria Bethânia)
Cardo vai embora
Cauby! Cauby!
Cavaleiro
Cavaleiro de Jorge
Certeza de beleza
Chuva, suor e cerveja
Ciclo (c/ Nestor de Oliveira)
Cidade pequenina (c/ Roberto Menescal)
Cinema novo (c/ Gilberto Gil)
Cinema Olímpia
Circuladô de fulô (c/ Haroldo de Campos)
Clara
Clarisse (c/ Capinam)
Cobra coral (sobre poema de Waly Salomão)
Comeu
Comigo me desavim
Como dois e dois
Construção da casa
Coração imprevisto (c/ Eugênia Melo e Castro)
Coração vagabundo
Coração-pensamento
Coraçãozinho
Da gema (c/ Waly Salomão)
Da maior importância
Dadá (c/ Gilberto Gil)
Dama do Cassino
De cara (c/ Lenny)
De conversa
De manhã
De noite na cama
De palavra em palavra
Dedicatória
Deixa sangrar
Depois do Carnaval (c/ Macalé)
Deus e o diabo
Deus vos salve esta casa santa (c/ Torquato Neto)
Deusa urbana
Diamante verdadeiro
Dias, dias, dias (c/ Augusto de Campos)
Diferentemente
Divino maravilhoso (c/ Gilberto Gil)
Doideca
Dom de iludir
Domingo
Drama
Duas manhãs
É de manhã
É proibido proibir
Eclipse oculto
Ela e eu
Ele me deu um beijo na boca
Eles (c/ Gilberto Gil)
Enquanto seu lobo não vem
Épico
Escândalo
Escapulário (c/ Oswald de Andrade)
Esse cara
Estrela do meu céu (c/ Toninho Horta)
Estrela grande
Eu e água
Eu sou neguinha?
Eu te amo
Falou, amizade
Falso Leblon
Farol da barra (c/ Galvão)
Festa
Festa imodesta
Final
Final do Leblon
Flor da imaginação (c/ Ivone Lara)
Flor do cerrado
Força estranha
From far away (c/ Jorge Mautner)
Gema
Gênesis
Gente
Gilberto misterioso (sobre versos de Sousândrade)
Giulietta Masina
Grafitti (c/ Antônio Cícero e Waly Salomão)
Gravidade
Guá (c/ Pedrinho Albuquerque)
Habla de mi
Hino a Nossa Senhora da Purificação
Homem
Ia
Iansã (c/ Gilberto Gil)
If you hold a stone
Imaculada
In the hot sun of a Christmas Day
Irene
It""s a long way
Itapuã
Janelas abertas nº 2
Jeito de corpo
Jóia
José
Júlia/Moreno
La barca (c/ Moacir Albuquerque)
Lapa
Leonora na janela
Lia (c/ Gilberto Gil)
Lindonéia (c/ Gilberto Gil)
Língua
Linha do Equador (c/ Djavan)
Livros
Lobão tem razão
London, London
Lost in the paradise (c/ Torquato Neto)
Louco por você
Love, love, love
Lua de São Jorge
Lua, lua, lua
Luz da noite (c/ Maria Bethânia)
Luz do sol
Luz e mistério (c/ Beto Guedes)
Mãe
Malacacheta 2 (c/ Pepeu Gomes)
Mamãe coragem (c/ Torquato Neto)
Manhatã
Mansidão
Maria Bethânia
Maria, Maria (c/ Capinam)
Marinheiro só
Massa real, mel (c/ Waly Salomão)
Menina da Ria
Menino Deus
Menino do Rio
Merda
Meu bem, meu mal
Meu é assim (c/ Eugênia de Melo e Castro)
Meu Rio
Michelangelo Antonioni
Midas (c/ Fauzi Arap)
Milagres do povo
Minha mulher
Minha voz, minha vida
Minhas lágrimas
Mira mata Orfeu
Miragem de Carnaval
Motriz
Muito
Muito romântico
Muitos carnavais
Musa híbrida
Não enche
Não identificado
Não me arrependo
Não posso me esquecer do adeus
Não quero ver você dançar (c/ Sérgio Dias)
Não tenha medo (c/ Perinho Santana)
Naturalmente (c/ João Donato)
Nave Maria (c/ Roberto de Carvalho)
Navio negreiro
Negror dos tempos
Nenhuma dor (c/ Torquato Neto)
Neolithic man
Nicinha
Nine out of ten
No carnaval (c/ João Viana de Carvalho)
No dia em que eu vim-me embora (c/ Gilberto Gil)
Noite de cristal
Noite de hotel
Noites do Norte (sobre texto de Joaquim Nabuco)
Nosso estranho amor
Nossos momentos,
Nostalgia (That""s what rock""n""roll is all about)
Novidade
Nu com a minha música
O amor
O bater do tambor
O ciúme
O conteúdo (c/ Maria Bethânia)
O enredo de Orfeu (c/ Gabriel O Pensador)
O fundo (c/ João Donato)
O grande lance é fazer romance (c/ Vinícius Cantuária)
O grão (c/ Sérgio Dias)
O herói
O homem velho
O leãozinho
O motor da luz
O nome da cidade
O penúltimo cordão (c/ Danilo Caymmi e Sérgio Fayne)
O prefeito relembra
O quereres
Odara
Odeio
Onde andarás (c/ Ferreira Gullar)
Onde eu nasci passa um rio
Onde o Rio é mais baiano
Oração ao tempo
Orfeu dorme
Orfeu leva Eurídice
Os argonautas
Os mais doces bárbaros
Os meninos dançam
Os passistas
Outras paisagens (c/ João Donato)
Outras palavras
Outro
Pagodespel (c/ João Bosco, Chico Buarque e Oswald de Andrade)
Paisagem útil
Panis et circensis (c/ Gilberto Gil)
Pássaro estrelado
Pássaro proibido (c/ Maria Bethânia)
Paula e Bebeto (c/ Milton Nascimento)
Peixe
Pele
Pelos olhos
Perdeu
Perigo (c/ Milton Nascimento)
Perpétua
Perpétua e Zé Esteves
Peter Gast
Piaba
Pipoca moderna (c/ Banda de Pífaros de Caruaru)
Podres poderes
Por quem?
Porquê?
Porteira
Pra chatear
Pra ninguém
Primeira pessoa do singular
Pronta pra cantar
Pulsar (c/ Augusto de Campos)
Purificar o Subaé
Qual é, baiana? (c/ Moacir de Albuquerque)
Qualquer coisa
Quando (c/ Gal Costa e Gilberto Gil)
Que tristeza
Queda-d""água
Queixa
Quem me dera
Quero ir a Cuba
Rapte-me, camaleoa
Reconvexo
Relance (c/ Pedro Novaes)
Remelexo
Rio Negro (c/ Vinícius Cantuária)
Rock""n""Raul
Rocks
Rosa vermelha
Salva-vida
Samba em paz
Sampa
São João
Saudosismo
Se essa rua
Sem cais (c/ Pedro Sá)
Sem grilos (c/ Moacir Albuquerque)
Sem se atrapalhar (c/ Moacir Albuquerque)
Senhor do tempo (c/ Milton Nascimento)
Sentido (c/ Nando Chagas, Arthur Maia, José Lopez, Pedro Gil e Francisco Farias)
Sereia (c/ Milton Nascimento)
Sete mil vezes
Shoot me dead
Shy moon
Sim, foi você
Sim/Não (c/ Bolão)
Sol negro
Sorvete
Sou seu sabiá
Sou você (Asa delta)
Sucesso bendito
Sugar cane fields forever
Superbacana
Surpresa (c/ João Donato)
Sutis diferenças (c/ Vinícius Cantuária)
Tá combinado
Talismã (c/ Waly Salomão)
Tapete mágico
Taturano (c/ Chico de Assis)
Tem que ser você
Tempestades solares
Tempo de estio
Tenda
Terra
The empty boat
Tieta e Ascânio
Tieta sorri para Perpétua
Tieta vê Lucas
Tigresa
Tomara
Tonha e Tieta
Torno a repetir
TR (c/ Rogério Duprat)
Trampolim (c/ Maria Bethânia)
Trem das cores
Trem fantasma (c/ Rita Lee, Sérgio Batista e Arnaldo Batista)
Três travestis
Trilhos urbanos
Triste Bahia (c/ Gregório de Mattos)
Tropicália
Tudo de novo
Tudo sobre Eva
Tudo, tudo, tudo
Two naira fifty kobo
Um canto de afoxé para o Bloco do Ilê (c/ Moreno Veloso)
Um dia
Um dia desses eu me caso com você (c/ Torquato Neto)
Um frevo novo
Um índio
Um sonho
Um Tom
Uns
Vaca profana
Vai levando (c/ Chico Buarque)
Venha cá
Vento
Vera gata
Vida real
Villain (c/ Arto Lindsay e Peter Scherer)
Você é linda
Você é minha
Você não entende nada
Waly Salomão
Xangô menino (c/ Gilberto Gil)
You don""t know me
Zé Esteves
Zera a reza

Discografia

(2011) MTV ao vivo - Caetano - Zii e Zie - Universal - DVD
(2008) Zii e Zie (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(2007) Multishow ao vivo: Caetano Veloso - Cê (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(2006) Cê (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(2005) Onqotô (Caetano Veloso) • Independente • CD
(2004) A foreign sound (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(2002) Eu não peço desculpas (Caetano Veloso e Jorge Mautner ) • Universal Music • CD
(2002) Todo Caetano (Caetano Veloso) • Universal Music
(2001) Noites do Norte ao vivo (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(2000) Noites do Norte (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(1999) Orfeu (Caetano Veloso) • Natasha • CD
(1999) Omaggio a Federico e Giulietta (Caetano Veloso) • Universal Music • CD
(1998) Prenda minha (Caetano Veloso) • PolyGram • CD
(1997) Livro (Caetano Veloso) • PolyGram • CD
(1996) Tieta do agreste - Trllha sonora do filme (Caetano Veloso) • Natasha • CD
(1995) Fina estampa ao vivo (Caetano Veloso) • PolyGram • CD
(1994) Fina estampa (Caetano Veloso) • PolyGram • CD
(1993) Tropicália 2 (Caetano Veloso e Gilberto Gil) • PolyGram/Philips • LP
(1992) Circuladô ao vivo (Caetano Veloso) • PolyGram • CD
(1991) Circuladô (Caetano Veloso) • PolyGram • CD
(1990) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1989) Estrangeiro (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1989) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Polygram • LP
(1987) Caetano (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1986) Totalmente demais (Caetano Veloso) • Polygram/Philips • LP
(1986) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Nonesuch • LP
(1986) Melhores momentos de Chico & Caetano e convidados (Chico Buarque, Caetano Veloso e artistas convidados) • Som Livre • LP
(1985) Caetanear (Caetano Veloso) - coletânea • Fontana • LP
(1984) Velô (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1983) Uns (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1983) Luz do Sol (Caetano Veloso) • PolyGram • Compacto simples
(1982) Cores, Nomes (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1982) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1981) Outras palavras (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1981) Brasil - João Gilberto, Caetano, Gil (João Gilberto, Caetano Veloso e Gilberto Gil) • WEA • LP
(1979) Cinema transcendental (Caetano Veloso) • PolyGram/Philips • LP
(1979) Carnaval 80 (Caetano Veloso) • PolyGram • Compacto simples
(1978) Pecado Original (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1978) Muito (dentro da estrela azulada) (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1978) Maria Bethânia e Caetano Veloso - Ao vivo (Caetano Veloso e Maria Bethânia) • Phonogram • LP
(1978) O bater do tambor/Samba da cabeça (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1978) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1978) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1977) Piaba/A filha da Chiquita Bacana (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1977) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Abril Cultural • 33/10 pol.
(1977) Bicho (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1977) Muitos carnavais (Caetano Veloso) • Phonogram /Philips • LP
(1977) A música de Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Fontana • LP
(1976) Doces Bárbaros - Ao vivo (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia) • Philips • LP
(1976) Doces Bárbaros (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia) • Philips • Compacto simples
(1975) A arte de Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Phonogram/Fontana • LP
(1975) Dias, dias, dias (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1975) Jóia (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1975) Qualquer coisa (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1975) A filha da Chiquita Bacana (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1974) Temporada de verão - Ao vivo na Bahia (Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil) • Phonogram • LP
(1974) Cara a cara (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1974) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1973) Araçá azul (Caetano Veloso) • Phonogram/Philips • LP
(1973) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Phonogram/Philips • LP
(1973) Um frevo novo (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1973) Deus e o diabo (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1973) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1972) Barra 69 - Caetano e Gil ao vivo na Bahia (Caetano Veloso e Gilberto Gil) • Philips • LP
(1972) Transa (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1972) Tropicália (Vários artistas) - participação • Philips • LP
(1972) Cada macaco no seu galho/Chiclete com banana (Caetano Veloso e Gilberto Gil) • Philips • Compacto simples
(1972) Caetano e Chico juntos e ao vivo (Caetano Veloso e Chico Buarque) • Phonogram • LP
(1971) Caetano Veloso/Gilberto Gil (Caetano Veloso e Gilberto Gil) • Fontana • LP
(1971) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Famous/Paramount Records • LP
(1971) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1971) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • RCA/Abril Cultural • 33/10 pol.
(1971) O Carnaval de Caetano (Caetano Veloso) • Phonogram/Philips • Compacto simples
(1971) Caetano canta ""A volta da Asa Branca"" de Luiz Gonzaga (Caetano Veloso) • Zem produtora • Compacto simples
(1969) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1969) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1969) Não identificado/Charles, Anjo 45 (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1968) Caetano Veloso (Caetano Veloso) • Philips • LP
(1968) Yes, nós temos babana/Ai de mim, Copacabana (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1968) Tropicália ou Panis et Circensis (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes) • Philips • LP
(1968) Ao vivo Caetano e Mutantes (Caetano Veloso e Os Mutantes) • Philips
(1968) Velloso, Gil e Bethania (Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia) • RCA Victor • LP
(1968) III Festival de Música Popular Brasileira (Vários artistas) - participação • Philips • LP
(1968) Atrás do trio elétrico/Torno a repetir (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1967) Domingo (Caetano Veloso e Gal Costa) • Philips • LP
(1967) Alegria, alegria (Caetano Veloso) • Philips • Compacto simples
(1965) Cavaleiro/Samba em paz (Caetano Veloso) • RCA Victor • Compacto simples

Shows

Tributo a Jorge Mautner - participação - Circo Voador, Rio de Janeiro. (2011)
Zil e Zie. Show de gravação do DVD - Vivo Rio, Rio de Janeiro. (2010)
Caetano Veloso Maria Gadú. Show de gravação de DVD. Citibank Hall, Rio de Janeiro. (2010)
Nós, Por Exemplo. Junto a Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé, entre outros. Teatro Vila Velha. Bahia.
Nova Bossa Velha e Velha Bossa Nova. Junto a Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé, entre outros. Teatro Vila Velha. Bahia.
Arena Canta Bahia. Ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Tom Zé e Pitti. TBC, São Paulo.
Show de despedida antes do exílio. Com Gilberto Gil. Teatro Castro Alves, Salvador.
Transa. Com Gilberto Gil. Teatro João Caetano, Rio de Janeiro.
Show com Chico Buarque. Teatro Castro Alves, Salvador.
Phono 73. Anhembi, São Paulo.
Temporada de verão. Ao lado de Gal e Gil. Teatro Vila Velha, Salvador.
Doces Bárbaros. Com Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Anhembi, São Paulo.
Caetano Veloso e Violão. São Paulo.
Tropicália Duo. Praça da Apoteose, Rio de Janeiro.
Doces Bárbaros na Mangueira. Com Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia. Quadra da escola de samba Mangueira, Rio de Janeiro.
Concerto em homenagem a Federico Fellini e Giulietta Masina. República de San Marino, Itália.
2001. Noites do Norte. Turnê pelo Brasil.
Turnê pelo Chile, Peru, Venezuela e México.
Turnê nos Estados Unidos, México e Canadá.
Dosces Bárbaros. Rio de Janeiro e São Paulo.
A foreign sound. Turnê de lançamento do disco. São Paulo (Tom Brasil), Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (Teatro Municipal).
Milton e Caetano. Milton Nascimento e Caetano Veloso. Canecão, Rio de Janeiro.
Cê. Fundição Progresso, Rio de Janeiro.
Obra em progresso. Caetano Veloso e Banda Cê. Vivo Rio, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
Caetano Veloso e Roberto Carlos. Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Obra em Progresso. Show de gravação do DVD. Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro.
Zii e Zie. Show de lançamento do disco. Canecão, Rio de Janeiro.

Bibliografia Crítica

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, a história de um século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.
ALBIN, Ricardo Cravo. O livro de ouro da MPB. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008; 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
CALADO, Carlos. Tropicália: a história de uma revolução musical. São Paulo: Editora 34, 1997.
CAMPOS, Augusto. Balanço da bossa e outras bossas. São Paulo: Perspectiva, 1993.
CHEDIAK, Almir. Songbook Caetano Veloso vol 1 e 2. Rio de Janeiro: Lumiar, 1988.
DIEGUEZ, Gilda e LUCCHESI, Ivo. Caetano, por que não?. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992.
DINIZ, Júlio. "A voz múltipla de Narciso (uma leitura do projeto estético de Caetano Veloso)". In REIS, Roberto (edit.). Toward Socio-Criticism: Luso-Brazilian Literatures. Tempe: Arizona UP, 1991, pp. 183-188.
DINIZ, Júlio. "Língua: a idade da terra" In FEIJÓ, Elias J. Torres (org.). Do músculo da boca. Santiago de Compostela: Concello de Santiago / Universidade de Santiago de Compostela, 2001, pp. 96-98.
DINIZ, Júlio. "Música popular - leituras e desleituras" In OLINTO, Heidrun e SCHÖLLHAMMER, Karl Erik (org.). Literatura e mídia. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio/ São Paulo: Loyola, 2002, pp.173 -186.
DINIZ, Júlio. "Na clave do moderno (algumas considerações sobre música e cultura)" In Semear 4. Rio de Janeiro: NAU, 2000, pp. 237-261.
DUARTE, Paulo Sergio e NAVES, Santuza Cambraia (org.). Do samba-canção à tropicália. Rio de Janeiro: Relume-Dumará / FAPERJ, 2003.
DUNN,Christopher. Brutality garden. Tropicália and the emergence of a Brazilian counterculture. Chapel Hill: North Carolina UP, 2001.
FARES, Cláudia. O arco da conversa: um ensaio sobre a solidão. Niterói: Casa Jorge Editorial, 1996.
FAVARETO, Celso. Tropicália, alegoria alegria, São Paulo: Kairós, 1978.
FONSECA, Héber (org.). Caetano: esse cara. Revan, 1993.
HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Impressões de viagem. CPC, vanguarda e desbunde: 1960/1970. São Paulo: Brasiliense, 1980.
MATOS, Cláudia Neiva; MEDEIROS, Fernanda e TRAVASSOS, Elizabeth. (Org.). Ao encontro da palavra cantada - poesia, música e voz. Rio de Janeiro: 7Letras, 2001.
PERRONE, Charles. Letras e letras da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Elo, 1988.
PERRONE, Charles. Masters of contemporary brazilian song MPB 1965-1985. Austin: University of Texas Press, 1993.
SANCHES, Pedro Alexandre. Tropicalismo - decadência bonita do samba. São Paulo: Boitempo, 2000.
SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras,1989.
SANT'ANNA, Affonso Romano de. Música popular e moderna poesia brasileira.Petrópolis: Vozes, 1978.
SEVERIANO, Jairo e HOMEM DE MELLO, Zuza. A canção no tempo vol. 2. São Paulo: Editora 34, 1998.
VASCONCELLOS, Gilberto. Música popular: de olho na fresta. Rio de Janeiro: Graal, 1977.
VELOSO, Caetano. Alegria, alegria. Rio de Janeiro: Pedra Q Ronca, 1977.
VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras,1997.
WISNIK, José Miguel. "O minuto e o milênio ou por favor, professor, uma década de cada vez" In: Música popular, 7-23. Coleção anos 70. Rio de Janeiro: Europa, 1980.

Crítica

Que mistério tem Caetano Veloso? O que o faz um ser tão especial que quando arqueia as sobrancelhas solta fogo de leão mítico pelas ventas e quando pega o violão para compor tira dele canções definitivas, na maioria das vezes tão belas que chegam a doer? Nas letras ele não é menos especial. Da sua pena saem versos cortantes, confessos, cheios de referências a tudo e a todos. Já da provinciana cidade baiana de Santo Amaro da Purificação, ele conectava suas antenas com o planeta. Seu universo é ilimitado. Não à toa, junto com Gilberto Gil, comandou a tropicália, que se inscreveu como o movimento mais revolucionário da música popular brasileira, queira ele ou não. Depois da tropicália a MPB nunca mais foi a mesma, nem mesmo as guitarras roqueiras que ela introduziu no gênero e que hoje são tão familiarizadas com o pandeiro quanto o cavaquinho com o tamborim.

Ao longo da sua carreira estrelada, a inquietude de Caetano Veloso reflete-se em álbuns históricos como "Muito", "Cinema transcendental", "Uns" e em canções na linha de "Pobres poderes", "O quereres", "Eclipse Oculto", "O ciúme", "Trem das cores", "Oração ao tempo", "Sampa" e tantas outras que para sempre permanecerão no imaginário dos brasileiros. Como intérprete, Caetano corresponde ao luxo de sua obra. Ele talvez seja um dos raros compositores nacionais que demonstre total prazer em cantar, em se expor. Esta característica, aliada ao interesse em trabalhar a voz, o coloca como um de nossos melhores cantores. Seu álbum apenas de intérprete, "Fina estampa", é uma obra-prima. É difícil e até constrangedor afirmar que, mesmo no meio de tanta gente talentosa que o Brasil produz na área musical, Caetano Veloso é o Sol.

Apoenan Rodrigues

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

O baiano Caetano Emanuel Viana Telles Veloso nunca imaginou que, saindo de uma pequena cidade do Recôncavo Baiano, faria tanto sucesso pelo Brasil afora e seria umas das principais expressões da Música Popular Brasileira. Mas foi isso o que aconteceu.

Nascido em 07 de agosto de 1942, em Santo Amaro da Purificação, a 73 quilômetros de Salvador, Caetano Veloso, como ficou conhecido por todo o país, já sabia, desde pequeno, o que queria ser na vida: com pouco mais de 4 anos de idade, o irmão de Maria Bethânia já compunha A Tua Presença Morena, revelando seus dotes artísticos.

Mas, sua trajetória musical começou, realmente, quando se mudou com a família para Salvador no início dos anos 60. A capital baiana vivia um momento de efervescência cultural e Caetano aproveitou sua paixão pela música e pela bossa nova de João Gilberto e começou a tocar em barzinhos da cidade. Foi em Salvador, também, que Caetano conheceu o parceiro Gilberto Gil. Do fruto dessa amizade surgiram composições como No dia em que eu vim-me embora, Panis et Circenses, São João, Xangô Menino, Haiti, Cinema Novo, Dada, entre outras.

Nesse período, também, conheceu Gal Costa e Tom Zé, futuros componentes da Tropicália. Seu primeiro trabalho musical foi uma trilha sonora para a peça "O Boca de Ouro",de Nelson Rodrigues. O mesmo diretor, Álvaro Guimarães, também o convidou para, logo em seguida, compor a trilha de "A exceção e a regra",de Bertolt Brecht. Esses trabalhos influenciaram, definitivamente, o futuro de Caetano, fazendo-o decidir pela vida de cantor-compositor.

A primeira oportunidade como profissional
A carreira profissional de Caetano começou sob a influência da irmã Bethânia, que foi chamada ao Rio para substituir a cantora Nara Leão no show "Opinião", sucesso em 1965. A pedido do pai Zezinho Veloso, ele acompanhara a irmã. No mesmo ano, Bethânia gravou É de Manhã, de Caetano, e a música marcou sua estréia com um compacto simples. O primeiro disco "Domingo"; veio apenas em 1967, no qual cantava ao lado de Gal Costa.

Momentos difíceis do país
O Brasil vivia momentos de repressão por parte do governo militar. Com a liberdade de expressão proibida, os artistas tentavam, a todo custo, quebrar as barreiras da censura. Caetano era um dos revoltados com a situação pela qual passava o país. Junto com Gil, lançou o movimento cultural Tropicalista na tentativa de expressar seu inconformismo. Através do deboche, da irreverência e da improvisação, o tropicalismo revoluciona a MPB, utilizando-se de elementos estrangeiros fundidos com a cultura brasileira (a filosofia antropofágica do modernista Oswald de Andrade) e baseando-se na contracultura. O movimento foi lançado no Festival de MPB da TV Record, em 1967, com as músicas Alegria, Alegria, de Caetano, e Domingo no Parque, de Gil, que se tornaram hinos da juventude da época. Em 1968, no auge do movimento, Caetano lançou o álbum Tropicália, junto com Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé.

A parceria com Gilberto Gil estendeu-se da música e foi parar na vida dos dois artistas. O choque de idéias com a ditadura militar ocasionou a prisão dos dois, em São Paulo, e impôs o exílio na Inglaterra, em 1968. Entretanto, a barreira geográfica não impediu que os protestos continuassem e, de Londres, Caetano enviou artigos para o jornal O Pasquim e músicas para diversos intérpretes como Gal Costa, Maria Bethânia, Elis Regina, Erasmo e Roberto Carlos.

A volta para o Brasil
Em 1972, Caetano retornou ao Brasil e passou por um momento de alta criatividade. Até o final dos anos 70, muitos sucessos como Tigresa, Leãozinho, Odara e Sampa foram lançados. O encontro com os antigos companheiros Gal, Bethânia e Gil resultou, em 1976, na formação do grupo Doces Bárbaros. O show excursionou por São Paulo e outras dez cidades brasileiras, revivendo antigos sucessos, e resultando na gravação de um LP. (...)

Fonte: Revista Época

Siga www.onordeste.com pelo Twitter

CAETANO VELOSO

Palavras-chave: Nordeste