O NORDESTE / Enciclopédia Nordeste / Bajado

Pesquisar em ordem alfabética

A BC D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W Y X Z
  • B

Bajado

  • Tamanho da letra

    Diminuir o tamanho da letraAumentar o tamanho da letra
  • Imprimir

    Imprimir
  • Enviar por e-mail

    Enviar por e-mail
Voltar
Acervo www.onordeste.com
Bajado, artista plástico
Foto: Clóvis Campêlo/1991 BAJADO, UM ARTISTA DE OLINDA

Bajado
 
Regina Coeli Vieira Machado - Servidora da Fundação Joaquim Nabuco - pesquisaescolar@fundaj.gov.br

Euclides Francisco Amâncio, artista plástico, chargista, letreirista, cartazista, pintor de quadros e murais, conhecido mundialmente como Bajado, nasceu no dia 9 de dezembro de 1912, no município de Maraial, no Estado de Pernambuco.

O apelido Bajado surgiu na infância por causa de uma brincadeira, durante um jogo de bicho, seu passatempo preferido.

Bajado mudou-se para Catende, outro município pernambucano, ainda adolescente, indo trabalhar como ajudante e pintor de cartazes de filmes de faroeste, onde ficou até 1930.

Quatro anos depois, foi morar no Recife, onde arranjou um emprego como letreirista de cartazes e operador de máquina do Cine Olinda, função que exerceu até 1950.

Nas horas vagas pintava letreiros, fachadas e interiores de lojas comerciais, restaurantes e botequins, ornamentando-os com figuras ou compondo painéis e quadros.

O artista prestou uma grande homenagem ao bloco carnavalescoDonzelinhos dos Milagres que estava encerrando, para sempre, os seus festejos de carnaval, pintando na parede de sua sede os versos: "O mar que levou a praia, levou também Donzelinhos."

O gosto pela arte se manifestou quando Bajado retratou os clubes carnavalescos de Olinda, Pernambuco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante,O Homem da Meia-Noite, Cariri, Vassourinhas, assim como o frevo rasgado na Ribeira, Largo do Amparo, Varadouro, Praça do Carmo.

Em 1964, junto com alguns amigos de profissão, inaugurou o Movimento de Arte da Ribeira, em Olinda, onde passou a expor seus trabalhos.

Dentre uma mistura de cores e tintas, Bajado foi capaz de reproduzir inúmeras telas sobre a vida cotidiana, o sofrimento, as emoções e a cultura do povo pernambucano.

O artista possuía um temperamento calmo e brincalhão. Fluiu na arte, com a simplicidade de um homem humilde. Era considerado um artista primitivo, inserido no estilo da arte contemporânea. Sua tendência artística era a liberdade de estética, comum na arte moderna, e suas obras retratavam tanto os folguedos carnavalescos, como também reverenciavam políticos e personalidades ilustres da sociedade pernambucana: Agamenon Magalhães, o presidente Jânio Quadros, o general Teixeira Lott, entre outros.

Na década de 1970, um turista italiano, Giuseppe Baccaro, ao ver as suas pinturas e quadros a óleo expostos nas residências e estabelecimentos comerciais de Olinda, ficou impressionado diante do primitivismo artístico do pintor que assinava da seguinte maneira as suas obras: "Bajado um artista de Olinda". Contactando-o, lançou-se como divulgador e administrador dos seus trabalhos.

Em decorrência disso, alguns meses depois, começaram a aparecer as suas primeiras exposições e mostras no Recife, na Casa da Cultura, naFundação Joaquim Nabuco, na Caixa Econômica Federal, no Lions Club, no Cabanga Iate Clube.

Novas oportunidades continuaram a surgir, desta vez para o artista expor em outras capitais brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória. Do exterior, Bajado recebeu vários convites para ir apresentar as suas obras. Neste sentido, iniciou pela França uma maratona artística, passando pela Itália, Espanha, Holanda e Tchecoslováquia, atual República Tcheca.

Em 1994, no limiar dos 80 anos, Bajado foi homenageado com uma mostra internacional na sede da Unesco, em Paris, com a participação de diversos artistas internacionais.

Contido, apesar da sua fama e do seu talento artístico, ele sempre viveu humildemente. Tinha como o maior prazer da vida a expressão da sua arte primitiva, a alegria do seu povo.

Bajado passou seus últimos dias assistindo filmes antigos na televisão e recordando as peripécias da sua mocidade. O artista plástico, faleceu em 1996, aos 84 anos de idade, em sua residência localizada na Rua do Amparo, nº 186, Olinda, imóvel este que lhe foi doado por Baccaro, o seu marchand italiano.

Recife, 17 de novembro de 2003.

(Atualizado em 21 de agosto de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

HOMEM, Selênio. Pureza na arte e na vida. Diario de Pernambuco, Recife, 10 jul. 1994. Caderno Viver, p. D-1.

MOURA, Ivana. Bajado: há 77 anos amando o futebol, o carnaval e o povo. Diario de Pernambuco, Recife, 3 abr. 1990. Caderno Viver, p. D-1.

Um artista de Olinda

Pintor primitivista que se intitulava "Um artista de Olinda", nasceu na cidade de Maraial, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, em 1912. O seu nome de batismo foi Euclides Francisco Amâncio. Em 1930, mudou-se para o Recife, fixando-se posteriormente em Olinda, onde durante anos morou na casa de nº 186 da Rua do Amparo. Iniciou pintando cartazes para cinemas e letreiros para lojas e açouges.

Em 1960, começou a dedicar-se à pintura de telas com tinta esmalte. A arte ingênua de Bajado tornou-se conhecida internacionalmente. O artista chegou a ser considerado pelo jornal francês Le Monde como um dos maiores pintores primitivista do mundo. Faleceu em 1996, aos 84 anos de idade.

Fotografei Bajado em 1991, na sua casa, em Olinda. Já doente e quase cego, desenhava compulsivamente. Com uma caneta hidrocor se auto-retratava e fazia inúmeros desenhos dos cow-boys americanos Tom Mix e Buck Jones. Todos estes desenhos, feitos naquela ocasião, foram guardados pelo também poeta e fotógrafo José Rodrigues Correia Filho, que me acompanhava. Apaixonado por futebol e torcedor fanático do Santa Cruz, fez inúmeras telas retrando o tema e o time coral.

Embora reconhecido internacionalmente, morreu pobre e sem recursos para financiar os tratamentos de saúde que necessitava.

Bajado não foi apenas um artista de Olinda, mas um patrimônio da cultura pernambucana.

Clóvis Campêlo

- Publicado no Meu JC (http://www.meujc.com), em 0.02.2008
www.cloviscampelo.blogspot.com


Bajado

Regina Coeli Vieira Machado
Servidora da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

Euclides Francisco Amâncio, artista plástico, chargista, letreirista, cartazista, pintor de quadros e murais, conhecido mundialmente como Bajado, nasceu no dia 9 de dezembro de 1912, no município de Maraial, no Estado de Pernambuco.

O apelido Bajado surgiu na infância por causa de uma brincadeira, durante um jogo de bicho, seu passatempo preferido.

Bajado mudou-se para Catende, outro município pernambucano, ainda adolescente, indo trabalhar como ajudante e pintor de cartazes de filmes de faroeste, onde ficou até 1930.

Quatro anos depois, foi morar no Recife, onde arranjou um emprego como letreirista de cartazes e operador de máquina do Cine Olinda, função que exerceu até 1950.

Nas horas vagas pintava letreiros, fachadas e interiores de lojas comerciais, restaurantes e botequins, ornamentando-os com figuras ou compondo painéis e quadros.

O artista prestou uma grande homenagem ao bloco carnavalesco Donzelinhos dos Milagres que estava encerrando, para sempre, os seus festejos de carnaval, pintando na parede de sua sede os versos: "O mar que levou a praia, levou também Donzelinhos."

O gosto pela arte se manifestou quando Bajado retratou os clubes carnavalescos de Olinda, Pernambuco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante, O Homem da Meia-Noite, Cariri, Vassourinhas, assim como o frevo rasgado na Ribeira, Largo do Amparo, Varadouro, Praça do Carmo.

Em 1964, junto com alguns amigos de profissão, inaugurou o Movimento de Arte da Ribeira, em Olinda, onde passou a expor seus trabalhos.

Dentre uma mistura de cores e tintas, Bajado foi capaz de reproduzir inúmeras telas sobre a vida cotidiana, o sofrimento, as emoções e a cultura do povo pernambucano.

O artista possuía um temperamento calmo e brincalhão. Fluiu na arte, com a simplicidade de um homem humilde. Era considerado um artista primitivo, inserido no estilo da arte contemporânea. Sua tendência artística era a liberdade de estética, comum na arte moderna, e suas obras retratavam tanto os folguedos carnavalescos, como também reverenciavam políticos e personalidades ilustres da sociedade pernambucana: Agamenon Magalhães, o presidente Jânio Quadros, o general Teixeira Lott, entre outros.

Na década de 1970, um turista italiano, Giuseppe Baccaro, ao ver as suas pinturas e quadros a óleo expostos nas residências e estabelecimentos comerciais de Olinda, ficou impressionado diante do primitivismo artístico do pintor que assinava da seguinte maneira as suas obras: "Bajado um artista de Olinda". Contactando-o, lançou-se como divulgador e administrador dos seus trabalhos.

Em decorrência disso, alguns meses depois, começaram a aparecer as suas primeiras exposições e mostras no Recife, na Casa da Cultura, na Fundação Joaquim Nabuco, na Caixa Econômica Federal, no Lions Club, no Cabanga Iate Clube.

Novas oportunidades continuaram a surgir, desta vez para o artista expor em outras capitais brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória. Do exterior, Bajado recebeu vários convites para ir apresentar as suas obras. Neste sentido, iniciou pela França uma maratona artística, passando pela Itália, Espanha, Holanda e Tchecoslováquia, atual República Tcheca.

Em 1994, no limiar dos 80 anos, Bajado foi homenageado com uma mostra internacional na sede da Unesco, em Paris, com a participação de diversos artistas internacionais.

Contido, apesar da sua fama e do seu talento artístico, ele sempre viveu humildemente. Tinha como o maior prazer da vida a expressão da sua arte primitiva, a alegria do seu povo.

Bajado passou seus últimos dias assistindo filmes antigos na televisão e recordando as peripécias da sua mocidade. O artista plástico, faleceu em 1996, aos 84 anos de idade, em sua residência localizada na Rua do Amparo, nº 186, Olinda, imóvel este que lhe foi doado por Baccaro, o seu marchand italiano.
 

Recife, 17 de novembro de 2003.
(Atualizado em 21 de agosto de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

HOMEM, Selênio. Pureza na arte e na vida. Diario de Pernambuco, Recife, 10 jul. 1994. Caderno Viver, p. D-1.

MOURA, Ivana. Bajado: há 77 anos amando o futebol, o carnaval e o povo. Diario de Pernambuco, Recife, 3 abr. 1990. Caderno Viver, p. D-1.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Bajado. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

Siga www.onordeste.com pelo Twitter

BAJADO, UM ARTISTA DE OLINDA

Palavras-chave: Nordeste, Pernambuco