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Antônio Carlos Nóbrega

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Antônio Carlos Nóbrega
Antonio Carlos Nóbrega

Antônio Nóbrega - 2/5/1952 Recife, Pernabuco. Cantor. Ator. Violonista. Dançarino.

Seu pai era médico na cidade do Recife. Seus estudos iniciais foram feitos em colégio religioso, o Colégio Marista. Com 12 anos, começou a estudar violino na Escola de Belas Artes do Recife. Teve aulas de violino com Luís Soler, mestre-violinista catalão. Estudou canto lírico com Arlinda Rocha.

Dados Artísticos

Sua carreira artística teve início na Orquestra de Câmara da Paraíba, onde atuou no final dos anos 1960. No mesmo período, atuou na Orquestra Sinfônica do Recife e deu concertos como solista em sua cidade natal. Por essa época, recebeu do escritor Ariano Suassuna o convite para tomar parte do Quinteto Armorial, como compositor e instrumentista. Com o Quinteto Armorial, atuou no Brasil e no exterior e gravou quatro discos. Nesse período, teve intenso contato com artistas populares do Nordeste, o que o levou a aprimorar seus conhecimentos sobre as formas de expressão da cultura popular, em especial a dança e a música.

Em 1976, começou a desenvolver seu próprio estilo de concepção de artes cênicas, dança e música. No mesmo ano, apresentou no Recife o espetáculo "A bandeira do divino" . Em 1982, apresentou em São Paulo, no Primeiro Festival Internacional de Teatro, o espetáculo "A arte da cantoria". No ano seguinte, apresentou "Maracatu misterioso", vindo a mudar-se no mesmo ano, com a esposa Rosane para a capital paulista. Em São Paulo, dedicou-se primeiramente à mímica e em seguida às aulas de circo, sob a orientação de Klaus Viana. Nesse período, ajudou a implantar na Unicamp o Departamento de Artes Corporais, tendo lecionado na mesma universidade danças brasileiras, durante cinco anos. Pouco depois, dirigiu e atuou no espetáculo "Mateus presepeiro". Em 1989, criou "O Reino do meio", espetáculo solo apresentado no III Carlton Dance, e que recebeu premiação da Apca. Criou, em seguida, com Bráulio Tavares, os espetáculos "Brincante" e "Segundas Histórias", epopéia picaresca onde introduz o personagem "Tonheta", uma espécie de colcha de retalhos de diversos tipos populares que habitam as ruas e praças do Brasil. A partir desses espetáculos, fortaleceu a parceria com a mulher Rosane, que se destacou como sua parceira ideal nas apresentações, em razão de seus dotes circenses. O casal criou, então, a Escola e Teatro Brincante, centro cultural, onde ensaiam, apresentam espetáculos e promovem eventos e cursos. A partir dos anos de 1990, mudou um pouco o ramo de seus espetáculos para a música, produzindo com Rosane diversos espetáculos. Em 1994, recebeu o Prêmio Shell pelo conjunto de sua obra. Em 1996, foi produzido, "Na pancada do ganzá", nome dado por Mário de Andrade aos registros musicais arquivados em suas viagens, entre 1927 e 1928, pelo Norte e Nordeste do Brasil. O espetáculo e o CD resultante foram uma homenagem ao poeta brasileiro e ao coqueiro Chico Antonio, descoberto por Mário em suas andanças. No CD, lançado pelo Estúdio Eldorado, estão presentes diversas composições de domínio público, entre as quais, "Vinde, vinde, moços e velhos" e "A vida do marinheiro". Aparecem, ainda, diversas composições de importantes compositores pernambucanos, entre as quais, "Serenata suburbana", de Capiba, "Marcha da folia", de Raul Morais e "Mexe com tudo", de Levino Ferreira, além de composições do próprio Antônio Nóbrega e o primeiro movimento do Concerto de Bach em ré menor, para rebeca e flauta. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Mambembe pelo conjunto de sua obra, o Prêmio O Globo pelo melhor show do ano, além do Prêmio Sharp pelo melhor CD, "Na pancada do ganzá", melhor música "Na pancada do ganzá" e o Prêmio Apca de Projeto e Pesquisa Musical do Ano.

Em 1997, produziu o espetáculo "Madeira que cupim não rói" , que é o nome de uma consagrada marcha-rancho do compositor pernambucano Capiba. No espetáculo e nas músicas do CD, procurou fortalecer a herança musical ibero-mediterrânea e afro-indígena, com a utilização de instrumentos musicais brasileiros quase em desuso, como o urucungo, elo perdido entre o berimbau e a rebeca e o marimbau, uma espécie de berimbau de latas tocado com o auxílio de um pedaço de vidro e uma baqueta. É prestada uma homenagem ao esquecido compositor pernambucano de frevos e polcas Lourival Oliveira, o Louro amigo. São divididas com Wilson Freire, a autoria de 11 das 20 músicas do disco. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Multicultural Estadão como "Criador Participante na Cultura Brasileira", o Prêmio Ministério da Cultura "Cultura Popular", o Prêmio O Globo por Melhor Show do Ano e recebeu a indicação para o Prêmio Sharp como melhor show e melhor arranjador. Apresentou, ainda, "Aula espetáculo/Sol a pino".

Em 1998, foi convidado, pelo Departamento Cultural do Itamarati e pela Comissão Nacional dos 500 anos do Brasil, a excursionar em Portugal e outros países com um espetáculo especialmente criado para os festejos luso-brasileiros, chegando a exibir-se na Expo de Lisboa com muito sucesso. Em 1999, lançou o espetáculo e o CD "Pernambuco Falando Para o Mundo", que era o nome de um programa de rádio da cidade do Recife. Neste trabalho, apresenta uma viagem pela diversidade da música pernambucana, através de seus principais compositores, seja os clássicos, como Capiba, seja os desconhecidos, como Felinho e Luís de França. Em 2000, o ator-músico apresentou o show no Rio de Janeiro, com cenários e figurinos inspirados nas ruas do Recife e Olinda, assinados pelo artista plástico Dantas Suassuna, filho de Ariano Suassuna. Apresentou-se acompanhado por uma autêntica orquestra de frevo, a Banda Pernambuco, com 14 integrantes. Seu trabalho realiza um resgate das fontes brasileiras, uma viagem pelo folclore, especialmente o nordestino, revitalizando gêneros como frevo, coco, maracatu, caboclinho, ciranda, cavalo-marinho e as marchas de bloco. Em 2001 apresentou uma aula-show, no Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, durante o VII Encontro Nacional de Pesquisadores da MPB. No mesmo ano, apresentou no Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro o espetáculo "O marco do meio-dia", apresentado também em São Paulo e Brasília.

Em 2002 voltou ao Rio de Janeiro para comemorar os 50 anos de vida e 30 de carreira com seu novo espetáculo "Lunário perpétuo", encenado no Teatro Odylo Costa Filho, na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O espetáculo, do qual foi gravado CD homônimo, vem do nome de um livro que, segundo Câmara Cascudo, serviu por 250 anos de régua e compasso aos poetas populares do nordeste do Brasil. O espetáculo foi mais centrado na música, se compardo a "O marco do meio dia", montado no ano anterior no mesmo espaço da Universidade do Rio de Janeiro. O mesmo show foi apresentado no Teatro João Caetano também no Rio de Janeiro, desta vez, de Dona Militana, de 70 anos, mestra do romanceiro medieval e figura mítica do sertão nordestino em especial, no Rio Grande do Norte, onde nasceu. No CD "Lunário perpétuo" interpretou, entre outras composições "A morte do touro mão de pau" e "Romance da filha do Imperador do Brasil", parcerias com Ariano Suassuna; "Carrossel do destino"; "Meu foguete brasileiro" e "O rei e o palhaço", com Bráulio Tavares e "Pagão", de Pixinguinha, além de "Ponteio acutilado", de sua autoria.

Em 2004, passou a apresentar no canal Futura, juntamente com Rosane Almeida a série "Danças brasileiras", um inventário de danças de todo o país passando pelas diferentes regiões. Em fevereiro de 2005, foi convidado para apresentar-se no Teatro Nacional de Havana, em Cuba. No mesmo ano, apresentou show de encerramento da cerimônia em homenagem a Ariano Suassuna, a quem foi entregue o título de Doutor Honoris Causa, na Universidade de Passo Fundo,RS, sendo aplaudido efusivamente por cerca de 5 mil pessoas, entre estudantes, professores e intelectuais. No início de 2006, lançou o primeiro CD do projeto "Nove de freveiro", pela aproximação do centenário do frevo. Em novembro do mesmo ano, apresentou-se no programa Sr. Brasil, na TV Cultura de São Paulo, que lhe dedicou dois blocos da programação. Na oportunidade, interpretou diversas obras de compositores de sua estima, como "Folias da madrugada", de Toscano Filho, acompanhando-se de sua rabeca. Também interpretou o frevo-canção " "Dia azul" e o clássico "Madeira que cupim não rói, ambas de Capiba, além de "Mulher peixão", de Luís de França. Ainda em dezembro do mesmo ano, lançou o segundo CD do projeto "Nove de Freveiro", aludindo ao dia e mês de 1907, em que a palavra frevo foi falada pela primeira vez numa rádio. O lançamento de "Nove de Freveiro II" foi realizado com temporada de show em São Paulo e em outras cidades, como no Rio de Janeiro, em que teve lugar no Teatro Sesc Ginástico, no centro da cidade. O show, homônimo do disco, teve direção do próprio Antônio Nóbrega, que deu uma aula-show, e contou com participação de diversos artistas, entre eles, a Spok Frevo Orquestra. Um telão no centro do palco, em formato de estandarte, exibiu uma vídeo instalação com fotos de Recife na década de 1930, além de uma animação em que bonecos dançam e tocam frevo, trabalho assinado por Gabriel Almeida, filho de Nóbrega e Dantas Suassuna. No repertório do show, um mix de músicas dos dois CDs do projeto Nove de Freveiro. Do primeiro CD, entre outros, como "Fervo e festim", parceria com Wilson Freire, além de clássicos de mestres como, "Galo de Ouro", de Zé Menezes, "Corisco", de Lourival de Oliveira e uma versão em frevo de "Melodia sentimental", de Villa-Lobos. O CD traz encarte de 60 páginas com biografias de importantes personalidades do frevo, fotos do fotógrafo Pierre Verger, um ensaio fotográfico realizado por Walter Carvalho sobre a dança de Nóbrega e, entre outras, uma faixa especial:"Florilégio", um pot-pourri de frevos na voz de artistas como Elba Ramalho, Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Chico César, Ná Ozzetti, Silvério Pessoa e Dalva Torres. De produção independente, o disco foi distribuido pelo Selo Brincante, de Antônio Nóbrega. Em fevereiro de 2007, foi um dos participantes do CD "100 anos de frevo", lançado pela Biscoito Fino, do qual participaram diversos artistas consagrados como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Chico Buarque e Gilberto Gil. No disco, interpretou "Evocação", de Nelson Ferreira.No carnaval do mesmo ano, comandou o tradicional "Arrastão do dia do frevo", com a apresentação de diversos blocos líricos e orquestras itinerantes e com a apoteose no Marco Zero, num grande show de lançamento do CD Duplo "100 Anos do Frevo- É de perder o sapato". Também nesse carnaval, apresentou-se no palco do Citibank Hall, em São Paulo, acompanhado da Spok Frevo Orquestra, juntamente com outros artistas representativos da música nordestina, como Alceu Valença, Elba Ramalho, Silvério Pessoa, Lula Queiroga, Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, num evento que marcou o lançamento do Carnaval do Recife em São Paulo.

Obra

A morte do touro mão de pau (c/ Ariano Suassuna)
Carrossel do destino (c/ Bráulio Tavares)
Desassombrado
Lunário perpétuo (c/ Bráulio Tavares e Wilson Freire)
Mateus embaixador
Minervina (c/ Marcelo Varella)
Na pancada do ganzá (c/ Wilson Freire)
O rei e o palhaço (c/ Bráulio Tavares)
O romance de Riobaldo e Diadorin (c/ Wilson Freire)
Ponteio articulado
Romance da filha do Imperador do Brasil(c/ Ariano Suassuna)

Discografia

(2006) Nove de Freveiro I • Independente • CD
(2006) Nove de Freveiro II • Independente • CD
(2002) Lunário perpétuo • CD
(2001) Marco do meio-dia • CD
(1999) Pernambuco falando para o mundo • CD
(1997) Madeira que cupim não rói • Eldorado • CD
(1996) Na pancada do ganzá • Estúdio Eldorado • CD

Bibliografia Crítica

MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Antonio Carlos Nóbrega (Recife PE 1952). Ator, dançarino e músico. Artista múltiplo, escreve, atua, dirige, dança, compõe, canta e toca instrumentos. Através de seus espetáculos divulgada a cultura e o imaginário nordestino.

Até os 18 anos, o artista, filho de um médico que incentiva os pendores artísticos da família, cultiva apenas as manifestações da música erudita. É convidado, então, para integrar o Quinteto Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, um dos mais importantes grupos a criar uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares.

Toma contato, a partir dessa época, com diversos artistas populares e começa a estudar intensamente a música, as danças, a maneira de representar e cantar desses brincantes brasileiros.

A partir de 1976 começa a desenvolver um estilo próprio de concepção em artes cênicas, dança e música, apresentando a partir de então os espetáculos A Bandeira do Divino, 1976; A Arte da Cantoria, 1981; Maracatu Misterioso, 1982; Mateus Presepeiro, 1985, todas concebidas e dirigidas por ele; O Reino do Meio Dia, com direção de Francisco Medeiros, 1989; Figural, 1990 e Brincante, de Bráulio Tavares e Nóbrega, 1992, ambos com direção de Nóbrega e Romero de Andrade Lima; e Segundas Histórias, também texto de Bráulio Tavares e Nóbrega, com direção dele em parceria com Rosane Almeida, em 1994.

Na Unicamp, ajuda a implantar o Departamento de Artes Corporais e ensina danças brasileiras. Em 1992, funda em São Paulo, em parceria com a atriz e dançarina Rosane Almeida, o Teatro Escola Brincante, um espaço de conhecimento e valorização da cultura brasileira.

Vencedor de vários prêmios no Brasil e no exterior, acumula larga experiência e empreende, pelo seu selo Brincante, a gravação de seus discos, que acompanham cada um de seus espetáculos desde Na Pancada do Ganzá, texto e direção dele próprio, em 1995.

No ano seguinte, por seu trabalho como artista ganha o prestigiado Prêmio Multicultural Estadão. Em 1997, lança seu espetáculo Madeira Que Cupim Não Rói, viajando pelas capitais brasileiras. Desenvolve em São Paulo uma extensa programação denominada Encontro com a Dança e a Música Brasileiras, trazendo artistas de diversas regiões que apresentam o mais expressivo painel das manifestações populares já apresentado na cidade, em 1998. No mesmo ano, volta aos palcos com Pernambuco Falando para o Mundo. Suas criações mais recentes são O Marco do Meio Dia, textos de Wilson Freire, 2000 e Lunário Perpétuo, 2002, assistidas em um grande número de cidades brasileiras e no exterior.

Em 2004 e 2005, Antonio Nóbrega desenvolve, ao lado de Rosane Almeida, o projeto Danças Brasileiras, realizado para o Canal Futura. Trata-se de uma série de 12 programas em que a dupla interage com comunidades pelo Brasil afora, onde se encontram manifestações populares de dança. Esse projeto é fruto de um trabalho de pesquisa dos dois artistas visando a elaboração de uma linguagem brasileira de dança, que seja fundada nas diversas danças brasileiras ainda pouco conhecidas do circuito da criação artística.

A grande personagem de Nóbrega é Tonheta, anti-herói popular por ele definido como um misto de pícaro, bufão, palhaço, arlequim, vagabundo, uma espécie de colcha de retalhos desses tipos populares que povoam as ruas e praças do país.

O dramaturgo e professor de estética Ariano Suassuna, fundador do Movimento Armorial, nele vê a encarnação de seu projeto artístico: "De fato, com a aparição, na vida do palco brasileiro e no palco da vida brasileira, dessa extraordinária, ágil, lírica, e, ao mesmo tempo, cortante, aguda e satírica figura de Brincante, criado e recriado por Antonio Carlos Nóbrega - agora posso dizer, com orgulho e inveja ao mesmo tempo, que surgiu aquela maneira de encenar e representar com a qual eu sonhava" (...)

Fonte: www.itaucultural.org.br


Antônio Carlos Nóbrega no Programa "Nomes do Nordeste"


O pernambucano Antônio Nóbrega é o próximo convidado do programa "Nomes do Nordeste". Ele concede entrevista aberta, amanhã, às 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza

O convidado desta edição do projeto "Nomes do Nordeste" é o mais sofisticado (multi) artista popular do Brasil e um dos principais porta-vozes da autêntica cultura nordestina. Foi pelas mãos do mestre Ariano Suassuna que Antônio Nóbrega entrou nas "brincadeiras", aprendeu o valor e a riqueza da cultura conservada nos pés descalços, nas tradições passadas de geração a geração. Percebeu ali terreno fértil para criar, inovar, inventar, traduzir, sem repetir nem trair. Mas, até que suas peripécias ganhassem eco pelo país, Nóbrega suou muito nos palcos.

Antônio Carlos Nóbrega nasceu em Recife em dois de maio de 1952. Com poucos anos de idade, já dominava com primor o violino. Mas foi a rabeca que o consagrou. A descoberta do instrumento popular, uma espécie de avó do violino, apontou-lhe a vocação de "brincante", artista dos espetáculos populares que o pernambucano de classe média conheceu já crescido, do bumba-meu-boi ao coco, do maracatu aos caboclinhos.

No final da década de 60, quando participava da Orquestra de Câmara da Paraíba e da Orquestra Sinfônica do Recife, Nóbrega foi convidado por Ariano Suassuna para a integrar, como instrumentista e compositor, o Quinteto Armorial - o mais importante grupo a criar uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares.

Com o tempo, o envolvimento com a cultura nordestina só aumentou. Em 1976, começou a desenvolver um estilo próprio de concepção em artes cênicas, dança e música, apresentando a partir de então os espetáculos "A Bandeira do Divino", "A Arte da Cantoria", "Maracatu Misterioso", "Mateus Presepeiro", "O Reino do Meio Dia", "Figural", "Brincante", "Segundas Histórias" e "Na Pancada do Ganzá" - com grande sucesso no Brasil e exterior, com prêmios como "Shell", "APCA" e "Mambembe".

Em 1997, lançou o espetáculo "Madeira Que Cupim Não Rói", acompanhado de CD homônimo, viajando pelas capitais brasileiras. Um ano depois, levou aos palcos o espetáculo "Pernambuco falando para o Mundo", novamente acompanhado de CD.

Em 2000, estreou em Lisboa "O Marco do Meio Dia", espetáculo produzido sob os auspícios da primeira Comissão Nacional para as Comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil, com o qual se apresentou em Paris (França), Hannover (Alemanha) e em várias cidades brasileiras. Em seguida, em 2002, fez a estréia do espetáculo "Lunário Perpétuo" e o lançamento do CD homônimo. Juntamente com Rosane Almeida idealizou e dirige o espaço cultural Teatro e Escola Brincante, em São Paulo.

Em 2004, começou a apresentar no canal Futura, também com Rosane, a série "Danças brasileiras", um inventário de danças de todo o país passando pelas diferentes regiões. Em fevereiro de 2005, foi convidado para se apresentar no Teatro Nacional de Havana, em Cuba. No início do ano passado, lançou o primeiro CD do projeto "Nove de freveiro", pela aproximação do centenário do frevo. Já no início de 2007, participou do CD "100 anos de frevo" (Biscoito Fino), do qual participaram diversos artistas consagrados como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Chico Buarque e Gilberto Gil.

No disco, interpretou "Evocação", de Nelson Ferreira. No carnaval deste ano, também comandou o tradicional "Arrastão do dia do frevo", com apresentação de diversos blocos líricos e orquestras itinerantes. Nesta terça-feira, é a vez do cearense conferir de perto o talento de Antônio Nóbrega. A entrevista, conduzida pelo jornalista Augusto César Costa, será entremeada de pequenas performances que pontuam o rico repertório de Antônio Nóbrega.

Serviço: Nesta terça-feira, às 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941, Centro). Entrada gratuita. Informações: (85) 3464.3108).

Fonte: diariodonordeste

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Palavras-chave: Nordeste, Pernambuco