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Zé Praxédi

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Zé Praxéxi, compositor, poeta, violeiro e cantor
Zé Praxédi foi o autor do primeiro livro sobre Luiz Gonzaga

Zé Praxédi

José Praxédes Barreto, nasceu em  15/1/1916 Cerro Corá, Rio Grande do Norte - Faleceu em 1983. Compositor. Poeta. Violeiro. Cantor.

No início dos anos 1950 foi considerado por muitos como o sucessor de Catulo da Paixão Cearense. Ficou conhecido como o poeta vaqueiro. Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro.

Dados Artísticos

Em 1951 apresentou recital numa das mais elegantes casas de espetáculos do Rio de Janeiro, o Teatro Copacabana sob o patrocínio do então vice-presidente da República Café Filho. Em 1952 teve o baião "Batistério" gravado por Zé Gonzaga na Odeon. No mesmo ano publicou em versos matutos, a primeira biografia de Luiz Gonzaga, que teve prefácio de Luís da Câmara Cascudo. Em 1954, Passarim do Norte gravou na Continental o rojão "Cabra valente", parceria com J. Mendonça. No mesmo ano Zé Gonzaga gravou na Continental o "Galope à beira-mar", de parceria dos dois. Ainda no mesmo período foi homenageado por Juca do Acordeom e Seu Conjunto, com o baião "Zé Praxédi", de Juca do Acordeom e José Ramos. Em 1955 gravou com o acordeonista Alencar Terra, na Copacabana a música "Quadrilha", de Alencar Terra. Em 1957, Jackson do Pandeiro gravou na Copacabana o "Baião mineiro", parceria com Pato Preto e Sebastião Longon. Em 1960 publicou o livro "O sertão é assim". Em 1961 participou do filme "Virou bagunça", de Watson Macedo, com Trio Irakitan e Nádia Maria, entre outros. Em 1962, De Morais e Doquinha gravaram na Sertanejo a marcha "Meu balão", parceria com De Morais. Nos anos 1960 gravou LP pela Mocambo interpretando entre outras, "Um poeta nordestino", "A morte de Zé Dantas" e "Sabedoria de matuto", todas de sua autoria. Em 1974 lançou novo LP, desta vez pela Rosicler, selo da gravadora Chantecler, no qual canta acompanhado do compositor e parceiro Peres Gonzaga e das cantoras Lucia Valentim e Mariluza. Com Lucia Valentim, interpretou "Luar do sertão", de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambudo e com Peres Gonzaga, "Rei do cangaço", "Meu nordeste" e "O Brasil tem tudo", parcerias dos dois. Cantou ainda com Lucia Valentim e Mariluza, o tema folclórico "Peixe vivo", para o qual fez arranjos e adaptação.

Obra

A morte do Zé Dantas
A vaquejada
Amor de bandido (c/ Peres Gonzaga)
Baião mineiro (c/ Pato Preto e Sebastião Longon)
Batistério (c/ Zé Gonzaga)
Cabra valente (c/ J. Mendonça)
Confissão
Coração aflito
Devosão de matuto
Galope à beira-mar (c/ Zé Gonzaga)
Jurema (c/ Peter Bill e Altamiro Vieira)
Matutos no trem
Meu balão (c/ De Morais)
Meu nordeste (c/ Peres Gonzaga)
Não é pecado (c/ Arthur Goulart)
O analfabeto
O Brasil tem tudo (c/ Peres Gonzaga)
O Brasil vai se casá
Proguntando
Rei do cangaço (c/ Peres Gonzaga)
Sabeduria de matuto
Um poeta nordestino

Discografia

([S/D]) O poeta vaqueiro • Mocambo • LP
(1974) Zé Praxédi-O poeta vaqueiro • Rosicler • LP

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Zé Praxédi - O Poeta Vaqueiro

(*) Kydelmir Dantas

JOSÉ PRAXEDES BARRETO (1916 - 1983), nasceu a 15 de novembro na fazenda 'Espinheiro', município de Currais Novos, atualmente Cerro Corá (RN). Filho de Francisco Praxedes Barreto e Maria Segunda Barreto. Aos sete anos de idade foi matriculado na Escola do povoado Recanto, do mesmo município, onde sua família passou a residir. Com 16 anos foi internado no Colégio Pedro II, hoje Ruy Barbosa, na capital do estado. Durante as férias ele retornava à Recanto, onde se dedicava, de corpo e alma, a vida do campo. Nas vaquejadas era alvo da admiração e orgulho dos vaqueiros; contava em versos a vida do homem sertanejo.
Casou-se com Hilda Pinheiro, em 1941, e geraram José Praxedes Filho. Em 1950, como quase todo nordestino fazia à época, tomou um ITA, navio, juntamente com a mulher e o filho, e desembarcou no Rio de Janeiro. No ano de 1960 publicou o livro "O Sertão é Assim"; posteriormente, em 1970, foi publicado "Meu Siridó", que teve uma 2ª edição em 1979, pela editora Clima.
Um dos seus trabalhos, mais importantes foi o livro "Luiz Gonzaga e Outras Poesias", que é a primeira biografia sobre o Rei do Baião, inclusive, toda escrita em versos matutos, com o prefácio de Luís da Câmara Cascudo, editado em São Paulo no ano de 1952. Deste trabalho, destacamos o seguinte poema, na grafia original:

DOIS GRANDES

Duas boas arturidade
Me truveram do Sertão.
A sigunda do País
E a prenmêra do baião.

O Luiz Lua Gonzaga,
Qui dus pampa ao Amazona,
Todo o meu Brasí se curva
Para uví sua sanfona.
Gonzaga, o cantô da terra
Dos matuto e boiadeiro,
O cantô dos tangirino,
Do caçadô, do vaqueiro!
O homem de quem se fala,
É o seu cantá qui imbala
O Nordeste brasileiro.

Apôs bem, esse cabôco
Tão festêjado e feliz!
Protégi o pobe nas ruas,
O vigáro na Matriz.
O Luiz Lua Gonzaga,
Trabáia pelo País.

Doutô João Café Filho,
A palavra desse home,
Tem o gosto da cumida
Quando a gente tá cum fome.

O maió dos Députado
Qui o Brasí já conheceu!
Inté o só ismoréci,
Café nunca ismoreceu!
Esse Café de que falo,
Num é café de São Paulo,
Em minha terra nasceu.

Apôs bem, doutô Café,
Tem um grande coração!
Trabainado como vive
Pru distino da Nação.
Inda tira um momentim
Pra se alembrá do Baião.

Nesta obra de arte, o poeta-vaqueiro, que deixou saudades por onde passou, homenageou os dois responsáveis pela sua apresentação no Teatro Copacabana, no Rio de Janeiro, o vice-presidente da República, portanto a segunda autoridade do País naquele momento, João Café Filho (1899 - 1970) e o Rei do Baião, Luiz Gonzaga do Nascimento (1912 - 1989), que no intervalo, entre a primeira e a segunda partes do programa, cantou os sucessos de sua autoria, naqueles idos de 1952. Portanto, temos assim, três potiguares ligados a História musical do Rei do Baião: Zé Praxédi - autor do livro, Câmara Cascudo - prefaciador e Café Filho - apoiou na publicação e divulgação.

Gravou em 1966, pela Rezenblit, sob o sêlo Mocambo, o LP ZÉ PRAXÉDI, o Poeta Vaqueiro, que levou o nº 40346 desta gravadora. Neste LP declama suas poesias, que foram assim gravadas:
Lado A:
1. Cunfissão
2. Sabedoria de Matuto
3. O Brasí vai casá
4. O Anafaberto
5. Um pueta nordestino

Lado B:
1. Matuto no trem
2. A Vaquejada
3. Proguntando
4. Devonção de Matuto
5. A morte de Zé Dantas.

Fontes de Consulta:
* Luiz Gonzaga e Outras Poesias - Zé Praxédi - São Paulo, 1952.
* Meu Siridó - Zé Praxédi. Ed. Clima - Natal, 1979.

A primeira biografia do Rei do Baião
     
Por Kydelmir Dantas

A ligação de LUIZ GONZAGA com o Rio Grande do Norte não vai apenas pela sua presença em shows pelo interior e em Natal; além de Cidadão Natalense ele recebeu os títulos de cidadania de várias outras cidades no estado, como: Mossoró, Caraúbas, Pau dos Ferros, Caicó...

O interessante é que pouca gente sabe que "a sua primeira biografia" foi escrita pelo poeta potiguar Zé Praxédi - O Poeta Vaqueiro - em 1952, editado pela Continental Artes Gráficas, de São Paulo - SP, tendo o prefácio do folclorista  Luis da Câmara Cascudo, apresentação de Sábato Magaldi e com o apoio do, então, Vice-Presidente da República, João Café Filho, sob o título de "LUIZ GONZAGA E OUTRAS POESIAS."

O livro compõe-se de vários poemas, dentre eles, o principal, sob o título LUIZ GONZAGA. Neste, o poeta levou a sua mensagem na escrita do dizer do povo do interior, semi-alfabetizado e/ou analfabeto, na linguagem que se denominou de "poesia matuta". Muita gente boa coloca estes versos, em publicações diversas, como sendo da autoria do Mestre Lua. Mas não! Os versos são de Zé Praxédi... A verdade é pra ser dita!

Estão lá, nos primeiros versos e na grafia original, num total de 128 estrofes, ora em quadras, ora em sextilhas, na conformidade e gosto do poeta potiguar.

"Meu nome é Luiz Gonzaga,
Não sei se sou, fraco ou forte,
Só sei que graças a Deus,
Té pra nascer tive sorte,
Apôs nasci em Pernambuco
Fanmoso Leão do Norte.

Nas terras de Novo Exu,
Da fasenda Caiçara,
Im novecentos e dôse,
Viu o mundo a minha cara.


Dia de Santa Luzia,
Purisso é qui sô Luiz,
No mêz qui Cristo nasceu,
Purisso qui sô feliz."

A respeito do poeta e sua obra, quando da apresentação de um Recital no Teatro Copacabana, com a presença do próprio Luiz Gonzaga, o crítico Sabato Magaldi escreveu no Diário Carioca: Utilizando forma popular, com temas próprios da vida nordestina, o poeta interessou à platéia pela simplicidade espontânea de seus versos. Será certamente incorporada as curiosidades, para enriquecimento de nosso folclore, a poesia de Zé Praxédi."

Após este recital, veio o livro... A primeira biografia oficial. Depois, vieram outros, ficando mais conhecido o escrito pelo jornalista cearense SINVAL SÁ, que recebeu o título de O SANFONEIRO DO RIACHO DA BRÍGIDA; este teve 4 edições só no ano do seu lançamento, 1966, mudando apenas as cores das capas e permanecendo o desenho. Hoje já se encontra a 8ª edição nas livrarias. Para mim um dos mais importantes.

A partir de então, saíram vários livros sobre Luiz Gonzaga do Nascimento, o segundo filho de Januário José dos Santos (Mestre Januário e Ana Batista de Jesus (Santana), os quais listamos os que, particularmente, mais ’apreceio’: Eu Vou contar pra Vocês - Assis Ângelo - Ed. Ícone, 1990, o primeiro a ser publicado após a grande viagem do Rei; Luiz Gonzaga, o Matuto que Conquistou o Mundo - Gíldson de Oliveira - Ed. Comunicarte, Recife - 4ª edição - 1993, o jornalista potiguar, radicado em Recife, juntou reportagens e entrevistas com Gonzagão, nos últimos meses de vida. Este livro ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 1990; A Vida do Viajante - A Saga de Luiz Gonzaga - Dominique Dreyfus. Editora 34, São Paulo, 1996, a francesa fez o que é considerada a biografia mais completa, até o momento, do Rei do Baião; Luiz Gonzaga: A Síntese Poética e Musical do Sertão - Elba Braga Ramalho. Terceira Margem. São Paulo. 2000, a Professora e Doutora da UECE, pegou sua Tese de Doutorado, realizado na Inglaterra e transformou num belo livro.

Câmara Cascudo, em uma Acta Diurna, para o Diário de Natal, escreveu: Acho muita graça quando anunciam Zé Praxédi aos microfones das estações rádio-emissoras que é um folclorista. Não é folclorista. É o próprio Folk Lore.

Isto eu assino, em cima e em baixo, concordando com Magaldi e Cascudo.

(*) Pesquisador, poeta e cordelista. De Nova Floresta - PB, radicado em Mossoró - RN.

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