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19.06.2010

Homo infimus - Poema de Augusto dos Anjos

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Homo infimus

Homem, carne sem luz, criatura cega,
Realidade geográfica infeliz,
O Universo calado te renega
E a tua própria boca te maldiz!

O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o ômega
Amarguram-te. Hebdômadas hostis
Passam... Teu coração se desagrega,
Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!

Fruto injustificável dentre os frutos,
Montão de estercorária argila preta,
Excrescência de terra singular.

Deixa a tua alegria aos seres brutos,
Porque, na superfície do planeta,
Tu só tens um direito: " o de chorar!

VOCABULÁRIO

Homo infimus - Do Latim: Homem sem valor.

Nôumeno - A coisa em si, considerado por Kant (filósofo alemão, 1724-1804) inacessível ao conhecimento humano.

Hebdômada - Semana.Espaço entre sete dias, sete semanas ou sete anos.

Estercorária - Que cresce ou vive no esterco.

AUGUSTO DOS ANJOS - CRONOLOGIA

1884 - Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos nasce no dia 20 de abril, no Engenho Pau-D'Arco, localizado na Vila do Espírito Santo, na Paraíba.

1900 - Matricula-se no Liceu Paraibano, curso de Humanidades. Aluno ausente mas brilhante nos exames.

1901 - Primeiros poemas. Colabora no jornal "O Comércio" da Paraíba.

1903 - Matricula-se na Faculdade de Direito do Recife.

1907 - Forma-se em Direito.

1909 - Professor de Literatura do Liceu Paraibano.

1910 - Casa-se com Ester Fialho. Do casamento nascem Glória (1912) e Guilherme (1913). Mora no Rio de Janeiro.

1912 - Lança seu livro de poesias "Eu". A obra, a partir de 1919, começa a ser reeditada com o título "Eu e Outras Poesias", cujas edições, hoje, passam de 40. Deixou a obra poética mais divulgada, recitada e discutida da literatura brasileira na atualidade.

1914 - Aceita mudar-se para Leopoldina, Minas Gerais, onde trabalha como diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Falece a 12 de novembro, de congestão pulmonar provavelmente. As causas, em verdade, não foram esclarecidas.

ABC DE AUGUSTO DOS ANJOS

Amor - "O amor na Humanidade é uma mentira".

Beijo - "O beijo, amigo, é a véspera do escarro".

Coveiro - "Amo o coveiro - este ladrão comum - que arrasta a gente para o cemitério".

Inconsciente - "O Inconsciente me assombra e eu nele rolo".

Melancolia - "És a árvore em que devo reclinar-me..."

Morte - "Morte, ponto final da última cena".

Mundo - "O mundo é um sepulcro de tristeza".

Podridão - "A podridão me serve de Evangelho".

Verme - "Verme, este operário das ruínas".

Vida - "Vida, aquela grande aranha que anda tecendo a minha desventura".
___________

Técnica da ilustração: Tinta acrílica sobre cartão.
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Data: 2003.

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Palavras-chave: Poesia, Biografia, Desenhos de Ivan Mauricio

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