29.08.2009
Bodas de prata de Agamenon e Da. Antonieta, com Dom Miguel Valverde, em 16 de julho de 1944. (Reproduzida de O China Gordo)
Dom Miguel de Lima Valverde, natural de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 29 de setembro de 1872 e falecido em Recife, em 7 de maio de 1951, foi o 3º Arcebispo e o 27º Bispo. Seu lema episcopal era "Quis ut Deus?" ("Quem como Deus?").
Foi nomeado pelo Papa Pio XI através da Bula Hodie Nos, de 14 de fevereiro de 1922. Havia sido o 1º bispo de Santa Maria/RS, tendo sido sagrado pelo Arcebispo Primaz do Brasil D. Jerônimo Tomé da Silva. Sua posse na Arquidiocese de Olinda e Recife ocorreu em 23 de julho de 1922.
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Esse prelado governou a AOR entre 1922 a 1951, portanto, por quase trinta anos. Os seus contemporâneos, dentre os quais Gilberto Freyre, o descrevem como um homem "austero e até hierático", "um príncipe da Igreja". Mário Melo apresentou o seu nome pra membro do Instituto Histórico e Arqueológico de Pernambuco, como sócio honorario, o que significa suas boas relações com a sociedade civil e política pernambucana.
"O período de atuação de Dom Miguel foi um dos mais conturbados na história política pernambucana e brasileira, o que gerou oportunidades para que houvesse, por parte do Arcebispo, diversas manifestações de caráter político. Presenciou os movimentos que antecederam a Revolução de 1930, a Intentona Comunista, o estabelecimento do Estado Novo, a participação do Brasil na Guerra de 1939-45, a reorganização democrática após a deposição de Getúlio Vargas. Seus pronunciamentos foram sempre no diapasão da ordem e da defesa das instituições, evitando qualquer palavra de apoio a movimentos que contestassem o status quo. Sempre reconheceu as mudanças após elas estarem estabelecidas." In Entre o Tibre e o Capibaribe, pg 109.
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Foi um tenaz opositor ao socialismo e ao comunismo, não poupando esforços em suas pastorais em combater essas ideologias políticas sociais como doutrinas que dizimariam a Igreja, o Estado e a Família, sustentáculos da vida católica. Esse seu ponto de vista foi fundamental para a formação do clero e povo de pernambuco, cuja influência ultrapassou ao seu governo diocesano, chegando aos dias atuais. Mesmo quando a Igreja de Pernambuco seguia uma linha mais "à esquerda", a partir de 1964, muitos dos clérigos formados por dom Miguel se contrapuseram às novas idéias, como também leigos, irmandades e confrarias.
Era amigo pessoal de Agamenon Magalhães, Interventor Federal em Pernambuco, homem de confiança do Arcebispo. Católico, o interventor tinha confessor indicado pelo prelado. Mantinha com o poder público relações amistosas, incentivando participação da sociedade nos programas governamentais, incluindo o censo, utilizando-se desses dados para uso administrativo eclesial, dentre esses a ereção de paróquias, dentre as quais: N. S. da Soledade, Bom Jesus do Arraial, N. S. do Rosário do Pina, São Sebastião do Cordeiro, Santo Antonio de Água Fria, Coração Eucarístico do Espinheiro, N. S. do Rosário de Tejipió e N. S. da Boa Viagem, dentre outras, em bairros que já apontavam aumento populacional.
"Dom Miguel Valverde viu-se envolvido em uma disputa com os inovadores educacionais, especialmente Carneiro Leão, que introduzia no Estado de Pernambuco novos parâmetros, antecedendo o debate que viria ocorrer nas décadas seguintes entre os partidários de uma educação modernista e os defensores da tradição. Embora óbvio, assinalamos que as aulas de catecismo formam mentalidades e os católicos formados naquele período receberam a orientação anticomunista da Igreja no período, o que não é de pouca importância para o momento em que veio a ocorrer a movimentação progressista dos anos setenta." In Entre o Tibre e o Capibaribe., pg. 112
Sua morte foi assim noticiada pelos jornais: "Às 5 horas e 30 minutos do dia 7 de maio de 1951, ocorreu o falecimento de Dom Miguel de Lima Valverde, Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife", no Palácio do Manguinho, aos 79 anos. Seu sepultamento na Sé de Olinda, onde jaz, ocorreu meio à comoção popular e foi muito concorrido pelo povo e pelas autoridades.
REFERÊNCIAS:
SILVA, Severino Vicente da. ENTRE O TIBRE E O CAPIBARIBE - OS LIMITES DA IGREJA PROGRESSISTA NA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE , Editora Universitária da UFPE, 2006;
Palavras-chave: Historia, Biografia
Jornalista desde os 17 anos. Repórter e editor do "Diário da Noite" (Recife, Prêmio Esso de Jornalismo - Região Nordeste (1978).