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31.07.2010

Eterna Mágoa por Augusto dos Anjos

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O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!


Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.


Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda


Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Pau d´Arco, 1904.
__________

AUGUSTO DOS ANJOS - CRONOLOGIA

1884 - Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos nasce no dia 20 de abril, no Engenho Pau-D'Arco, localizado na Vila do Espírito Santo, na Paraíba.

1900 - Matricula-se no Liceu Paraibano, curso de Humanidades. Aluno ausente mas brilhante nos exames.

1901 - Primeiros poemas. Colabora no jornal "O Comércio" da Paraíba.

1903 - Matricula-se na Faculdade de Direito do Recife.

1907 - Forma-se em Direito.

1909 - Professor de Literatura do Liceu Paraibano.

1910 - Casa-se com Ester Fialho. Do casamento nascem Glória (1912) e Guilherme (1913). Mora no Rio de Janeiro.

1912 - Lança seu livro de poesias "Eu". A obra, a partir de 1919, começa a ser reeditada com o título "Eu e Outras Poesias", cujas edições, hoje, passam de 40. Deixou a obra poética mais divulgada, recitada e discutida da literatura brasileira na atualidade.

1914 - Aceita mudar-se para Leopoldina, Minas Gerais, onde trabalha como diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Falece a 12 de novembro, de congestão pulmonar provavelmente. As causas, em verdade, não foram esclarecidas.
__________

ABC DE AUGUSTO DOS ANJOS

AMOR - "O amor na Humanidade é uma mentira".

"O amor é como a cana azeda, a toda a boca que o não prova engana."

BEIJO - "O beijo, amigo, é a véspera do escarro".

CORAÇÃO DO POETA - "O coração do poeta é um hospital onde morreram todos os doentes".

COVEIRO - "Este ladrão comum - que arrasta a gente para o cemitério".

DOR - "Ancoradouro dos desgraçados, sol do cérebro, ouro de que as próprias desgraças se engalanam!"

INCONSCIENTE - "O Inconsciente me assombra e eu nele rolo".

LUPANAR - "É o grande bebedouro coletivo, onde os bandalhos, como um gado vivo, todas as noites, vêm matar a sede!"

MELANCOLIA - "És a árvore em que devo reclinar-me... Se algum dia o Prazer vier procurar-me dize a este monstro que eu fugi de casa".

MORTE - "Morte, ponto final da última cena".

"Morte - esta carnívora assanhada - serpente má de língua envenenada que tudo que acha no caminho, come..."

"Morte - alfândega onde toda a vida orgânica há de pagar um dia o último imposto!"

MUNDO - "O mundo é um sepulcro de tristeza".

PODRIDÃO - "A podridão me serve de Evangelho".

VERME - "Verme, este operário das ruínas".

VIDA - "Vida, aquela grande aranha que anda tecendo a minha desventura".
___________

Técnica da ilustração: Tinta acrílica e pastel. colorida.
___________

Data: 2004.

Siga www.onordeste.com pelo Twitter

Palavras-chave: Poesia, Desenhos de Ivan Mauricio, Nordeste, Augusto dos Anjos

Comentários

Denise Sales
Comentou em 03/08/2010 às 11:12:17


Quero saber porque nesse site não colocaram o nome e a foto do poeta Américo falcão?Sou do Projeto Américo Falcão,ele faz parte da história literária paraibana,foi um grande poeta.Se vocês precisarem de algum material sobre ele,eu darei com todo prazer,o projeto serve pra isso, pra divulgar a obra do poeta.

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