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21.08.2010

Exportação de frutas começa no Rio Grande do Norte

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CMA CGM é uma das responsáveis pela exportação de produtos através de navios pelo porto (Foto: Adriano Abreu)

Ricardo Araújo - repórter de Economia

O Rio Grande do Norte dará início ao ciclo de exportações 2010 neste final de semana. O navio francês Marfret Guyane atracará no porto de Natal hoje para dar início ao carregamento de frutas rumo à Europa. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) estima um incremento de 20% em relação ao volume de contêineres embarcados no ano passado. As melhorias realizadas no Porto contribuirão para o aumento no índice da pauta de produtos exportados pelo estado.

O auge da safra de frutas ocorre entre os meses de outubro e fevereiro. Até o final da safra,  27 embarques estão programados, sendo um por semana. A produção de frutas a serem exportadas vêm de cidades localizadas no Vale do Açu e região Oeste. Os itens embarcados incluem: banana, melão, melancia, uva, mamão e caju.

Em 2009, houve uma movimentação de 10 mil contêineres no porto de Natal. Para este ano, a expectativa é que o volume aumente em 1 mil contêineres após os serviços de ampliação da pista do porto. O crescimento vertical possibilitou a ampliação da retro-área (área destinada às operações de carga e descarga das carretas), local onde se empilham as caixas metálicas que chegam das fazendas produtoras de frutas.

Após a reforma, a área de carga e descarga funcional do porto chegou a 31 mil metros quadrados. Ou seja, o triplo do espaço que os trabalhadores tinham até antes da ampliação da pista. Além disso, novos produtos foram adquiridos para dar agilidade ao processo de carregamento dos navios. Mais uma balança foi comprada, o que facilita a liberação das carretas.

Os portões sul, norte e central do porto estão disponíveis para a entrada e saída dos carregamentos. Com isso, estima-se que o tempo compreendido entre o preenchimento da documentação até a liberação da carga pós-descarregamento seja reduzido. Objetiva-se a otimização da logística, acima de tudo.

O número de máquinas para movimentação de cargas subiu de duas para três. Elas funcionam como empilhadeiras que descarregam os contêneires das carretas e empilham numa área próxima ao navio, para que dali o guindaste leve a caixa até o navio.

No Rio Grande do Norte, a união das empresas CMA CGM Group e Marfret, originou a Join Venture que se encarrega de viabilizar a saída semanal dos navios rumo à Europa. A viagem do porto de Natal ao porto de Rotterdam na Holanda, dura em média 12 dias. A empresa CMA CGM Group é dona do terceiro maior navio cargueiro do mundo.

A previsão de saída do navio para a Europa é o domingo pela manhã. O carregamento será feito durante todo o dia de hoje e na madrugada do domingo. Após a conclusão dos serviços de carregamento e conferência dos documentos do navio e da carga, o cargueiro estará liberado para partir.

Vendas do melão sofrerão queda de 10%

Com o fim da produção de melão no Ceará pela empresa Del Monte, o presidente do Comitê Executivo de Fitossanidade (Coex), Wilson Galdino, prevê uma queda de 10% na exportação da fruta que também sai pelo Rio Grande do Norte. "A Del Monte produz hoje apenas banana e abacaxi. A exportação do melão será afetada pelo fim da produção pela empresa".

Segundo Galdino, a Del Monte decidiu parar a produção de melão devido às sucessivas quedas do dólar no ano passado, estendendo-se até 2010. Além disso, uma diminuição do consumo nos países importadores influenciou na decisão. No Rio Grande do Norte,  a produção de banana nanica pela empresa ocupa uma área de mil hectares no Vale do Açu.

Reforma

Visando um aumento das exportações a partir de 2010, o governo financiou, junto com parceiros, uma reforma no porto de Natal. Galdino analisa as melhorias positivamente. "As mudanças foram e são importantes. Precisamos continuar evoluindo e o governo precisa investir mais no porto". Apesar da ampliação para mil metros quadrados de área para carga e descarga, as empresas de navegação preferem o porto de Pecém, no Ceará. A eficiência dos serviços prestados naquele porto são um dos fatores que despertam o interesse das empresas de navegação.

"A liberação de cargas, a logística do porto num todo se sobressai em relação ao RN", enfatiza Galdino. Ele complementa que  o ano de 2010 será difícil para a cultura do melão, um reflexo da queda do dólar. Os produtores apostarão, a partir de agora, no mercado de consumo nacional.

Fonte: Tribuna do Norte

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20.08.2010

Magazine Luiza: Investimento de até R$ 8 mi no RN

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Em passagem por Natal, Luiza Helena Trajano detalhou os planos do Magazine Luiza (Foto: Rodrigo Sena)

Renata Moura - Repórter de economia

O Magazine Luiza, terceira maior varejista de eletrodomésticos e móveis do país, comprou a rede de lojas Maia, em julho deste ano, e, para dar sua cara à nova aquisição, deverá investir entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões, no Rio Grande do Norte, até 2011. De acordo com a presidente da companhia, Luiza Helena Trajano, os recursos estão no mesmo patamar do que será desembolsado nos demais estados da região e serão usados para montar e adaptar lojas, mas também em ações para treinar os funcionários. Só em Natal, a equipe, cujo tamanho atual não foi revelado, deverá aumentar em até 30%, com a implantação da Luizacred, a financeira do grupo.  Também há planos de abrir de quatro a cinco novos pontos de venda, em no máximo um ano.


Atualmente, as lojas Maia contam com 11 unidades no estado. Desse total, oito estão em operação na capital, uma está em Paranamirim e duas funcionam em Mossoró. A partir de setembro, as fachadas dessas unidades passarão a  estampar, além do nome Maia, a marca da nova dona. A tendência é,  no entanto, que, em oito meses ou um ano, o nome do Magazine reine sozinho aos olhos do consumidor. Essa não será a única mudança visível.

Reformas e outras adaptações deverão ser realizadas nos pontos de venda para ceder espaço ao aumento e à diversificação da linha de produtos. A ideia, diz Luiza, é acrescer ao mix mercadorias como brinquedos e utensílios domésticos, como panelas e outros itens de cozinha. "Queremos também incrementar a parte de eletros pesados e de tecnologia. As lojas são grandes, o que nos dá condição de trazer bastante coisa", disse ela. A compra das lojas Maia marca a estreia do Magazine Luiza no Nordeste, região em que o grupo diz enxergar grande potencial de crescimento, mas em que ainda não havia desembarcado por "simples falta de oportunidade". "Há pelo menos dois anos estamos sondando o mercado nordestino", revelou Luiza.

Em passagem por Natal ontem, para dar seguimento à série de visitas que vem realizando desde o final de julho em território nordestino, Luiza negou que o grupo fará cortes na equipe de funcionários deixada pelas lojas Maia e acrescentou que vai implantar na região a política de valorização da equipe em vigor nas outras praças, o que inclui a concessão de bolsas de estudo e auxílios financeiros batizados cheque mãe e cheque de educação especial, para colaboradores que tenham filhos, respectivamente, menores de dez anos e portadores de necessidades especiais. "Acredito que isso vai melhorar a  relação de outras empresas do varejo com o funcionário. Sempre estivemos ao fato de que nosso negócio é feito de pessoas, para pessoas". Com as novas lojas, a previsão da companhia é faturar R$ 6 bilhões este ano, aumentar para 611 o número de lojas e alcançar a marca de 16,6  mil funcionários no país, incluindo os 2.300 deixados pela outra rede.

Loja planeja novas aquisições no NE

A rede de lojas Maia foi a 11ª comprada pelo Magazine Luiza. A política de aquisições da empresa teve início em 1976, mas não é o único meio de expansão do negócio. "Também crescemos de forma orgânica (com a abertura de lojas próprias). Foi isso o que fizemos, por exemplo, em São Paulo, onde abrimos 50 unidades de uma só vez", diz a presidente. Sem detalhes, ela frisou que o Magazine ainda está aberto à pequenas aquisições no Nordeste.

"Mas nosso foco é, no momento, consolidar as lojas que compramos. Também não está previsto, agora, fazermos grandes compras".  A empresária não revelou quanto pagou pelas lojas Maia, mas negou que a cifra tenha chegado a R$ 290 milhões, como publicou o Valor Econômico.

Com 456 lojas distribuídas em sete estados (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), o Magazine Luiza diz ter como maior diferencial o tratamento especial dado ao cliente, conhecido como o "Jeito Luiza de Ser". Com a aquisição da Lojas Maia, inicialmente a rede contará com 141 lojas nos Estados da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Maranhão. O Magazine Luiza foi fundado em Franca (SP) em 1957 pela tia de Luiza Helena Trajano, Luiza Trajano Donato, cresceu e se transformou em uma das maiores redes do comércio varejista do país. A empresa figura na lista das 10 melhores companhias para se trabalhar, do Brasil, segundo pesquisa realizada pela consultoria norte-americana Great Place to Work Institute.

Fonte: Tribuna do Norte

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19.08.2010

Noar Linhas Aéreas chega ao RN com voos diários para Mossoró e João Pessoa

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A Noar Linhas Aéreas começa a operar no Rio Grande do Norte com voos diários intermunicipais e interestaduais a partir do dia 30 de agosto. A empresa confirmou o início de sua operação no estado em uma entrevista coletiva na Infraero, no Aeroporto Augusto Severo, na manhã desta quarta-feira (18). Inicialmente haverá voos diários saindo de Natal para Mossoró e para João Pessoa.

A princípio duas aeronaves irão operar em Natal e a expectativa é de que mais seis venham cheguem para atender as linhas do Rio Grande do Norte. O voo de Natal para Mossoró tem duração de 50 min e o preço da passagem deverá ser em torno de R$ 60,00.

A Noar também atua com voos em Refice (PE), Maceió (AL), Paulo Afonso (BA) e Aracaju (SE).

Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR com informações de Luan Xavier

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17.08.2010

Melão deve elevar vendas no RN

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O Rio Grande do Norte fechou os primeiros sete meses do ano com US$ 154,82 milhões (R$ 272 milhões) exportados para outros países e com perspectivas de faturar ainda mais alto a partir deste mês, quando começará a embarcar a safra do melão. A fruta deverá puxar a cifra para cima e ajudar o estado a encerrar o ano com um crescimento entre 8% e 15% no valor total negociado com o mercado externo, segundo projeções de especialistas. De janeiro a julho, a soma negociada pelos exportadores potiguares significou um crescimento de 9,38%, na comparação com o mesmo período de 2009. Nas importações, o valor mais que dobrou, embalado por investimentos para geração de energia eólica, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No âmbito das exportações, o desempenho registrado para as vendas até julho é considerado positivo, mas poderia ser melhor, não fosse o câmbio, diz o diretor do curso de Comércio Exterior da Faculdade de Ciências, Cultura e Extensão do Rio Grande do Norte (Facex), Saulo Medeiros Diniz. "Abaixo dos R$ 2, o câmbio continua tornando as vendas para o exterior um negócio menos rentável e, por consequência, menos atrativo", analisa. Mas apesar do faturamento ser reduzido com a moeda desfavorável, o período foi de crescimento para boa parte dos itens exportados, de acordo com o balanço divulgado pelo MDIC.

Entre os 20 produtos cujas exportações ultrapassaram a barreira de US$ 1 milhão, por exemplo, 12 registraram crescimento nas vendas, em relação ao ano passado. O granito, com aumento de 306,11%, e a cera de carnaúba, com alta de 255%, foram os itens, nesse contexto, que mais avançaram. "Nunca se exportou tanta cera de carnaúba do Rio Grande do Norte como agora", observa o coordenador de Desenvolvimento Comercial da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Otomar Lopes Cardoso Junior. Mudanças na administração de uma empresa do setor em Mossoró foram decisivas para a explosão nas vendas, diz ainda.

Em queda

Enquanto alguns produtos estão em ascensão, outros, como é o caso do camarão, continuam em queda livre, mês a mês, na pauta de exportações do Rio Grande do Norte. Só entre janeiro e julho, as vendas do crustáceo levaram um tombo de 50,90%. O resultado está diretamente ligado à desaceleração da produção da Camanor, a maior exportadora do produto no Brasil, e à decisão do setor de aumentar as vendas para o mercado interno, como forma de driblar as perdas que vinha amargando com o dólar baixo.

No caso da Camanor, a desvalorização do real frente à moeda norte-americana foi um dos fatores que levaram a empresa a vender sua maior fazenda no estado, a Peixe Boi, para se dedicar com mais força ao desenvolvimento de novas tecnologias de produção e ao cultivo de outras espécies marinhas.  Com 70% das exportações destinadas à Europa, a fruticultura também sofre com a questão cambial e com a crise que continua retraindo o consumo em importantes países importadores.

Dólar desvalorizado aumenta números da importação

Se o dólar desvalorizado atrapalha os negócios dos exportadores, para os importadores tem efeito contrário e serve de estímulo a novos investimentos, observa Otomar Lopes Cardoso Junior, coordenador de Desenvolvimento Comercial do estado. De fato, entre janeiro e julho, as aquisições realizadas por empresas do estado ultrapassaram US$ 226 milhões (R$ 397 milhões, considerando a cotação do dólar a R$ 1,7570, em vigor ontem). O valor representou um crescimento de 171,21%, em relação a 2009, e foi impulsionado, em boa parte, pela compra de equipamentos para a implantação de parques de geração de energia eólica.

De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, só a empresa New Energy Options, que está implantando os parques Alegria 1 e Alegria 2, importou US$ 132,46 milhões (R$ 232,73 milhões) no período. "O estado tem um grande potencial para geração de energias renováveis e a tendência é que os números ligados a esse setor cresçam cada vez mais, se considerarmos que dezenas de parques vencedores do leilão do ano passado serão implantados e que um novo leilão será realizado este ano", observa Saulo Diniz.

 Para Otomar Cardoso Junior, se o ritmo de crescimento das importações continuar, deverá haver um equilíbrio na balança comercial do estado, com as importações, hoje inferiores às exportações, se equiparando ao nível das vendas. "E esse tipo de importação é extremamente positivo para o estado, porque gera dividendos e vai desencadear outras demandas de serviços e produtos, acrescenta ele, lembrando que a implantação de parques eólicos deverá exigir um grande movimento para qualificação de mão de obra e que entidades como o IFRN já estão se preparando para suprir essa demanda. Segundo Lopes, o Instituto deverá abrir um curso específico para formar pessoal especializado nessa indústria, em 2011. O curso deverá funcionar no município de João Câmara, um dos que estão atraindo investimentos em projetos para a geração desse tipo de energia.

De janeiro a julho, o principal país emissor de mercadorias para o Rio Grande do Norte foi a Índia.  O principal destino das exportações foi os Estados Unidos.

Fonte: Tribuna do Norte

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Palavras-chave: Rio Grande do Norte, Agricultura, Nordeste, Negocios

02.08.2010

Entrevista - José Ivonildo do Rêgo, Reitor da UFRN

- A maior conquista foi se tornar uma universidade de pesquisa

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Bruno Vasconcelos // brunovasconcelos.br@dabr.com.br

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) cresceu nos últimos 15 anos bem acima de qualquer outro indicador econômico ou social do Brasil. Todos os setores da UFRN evoluíram, seja no ensino, na extensão ou na pesquisa. E foi exatamente a expansão na pesquisa que mais enche de orgulho o reitor José Ivonildo do Rêgo. Perto de concluir seu terceiro mandato à frente da UFRN, José Ivonildo ressalta que o papel de uma universidade é contribuir para o processo de desenvolvimento do estado. E segundo ele, nunca a UFRN esteve tão presente nas discussões do estado. Em entrevista exclusiva ao Diário de Natal, José Ivonildo faz um balanço de sua gestão e detalha como a universidade cresceu desde 1995, quando ele foi escolhido pela primeira vez para assumir a reitoria, passando pela reeleição em 1999 e retornando ao cargo maior da instituição em 2007.

Entre 1995 e 2010, a UFRN passou por uma grande expansão em todos os aspectos. Isso foi uma meta imposta quando o senhor assumiu pela primeira vez a reitoria, em 95, ou foi um crescimento natural?

O nós fizemos na primeira gestão foi extremamente importante para a universidade que nós temos hoje. Iniciamos uma expansão com duas preocupações básicas. A primeira foi aumentar a inserção da universidade no estado, sobretudo aumentar a oferta de ensino superior para que os jovens pudessem ingressar na universidade. A média de jovens entre 18 e 24 anos cursando o ensino superior no Brasil está em 14%, enquanto no RN essa média está em 10%. A região Nordeste de um modo geral está abaixo da média nacional, como em qualquer outro índice da educação. Essa foi a primeira motivação. Somos um estado de baixa renda. A população, de fato, não pode estar pagando o ensino privado. Em São Paulo, estado mais rico da federação, 18% dos jovens naquela faixa etária estão na universidade. Lá existem seis universidades públicas, três estaduais - as maiores do país - e três boas federais. Porém, o sistema público de São Paulo responde a apenas 7% das matrículas do ensino superior. Ou seja, por lá mais de 90% das matriculas estão no setor privado. Isso porque as pessoas podem pagar. No caso do nosso estado, devido à baixa renda, o aumento da oferta do ensino superior tem que se dar no setor público. O privado não cresce mais aqui no estado, pois não há mais mercado que possa pagar. Por isso apostamos tanto na expansão. A UFRN detém quase 40% das matrículas de graduação no estado. No mestrado e no doutorado nós respondemos por 90%. Essa instituição tem uma grande responsabilidade no estado.

Como foi possível realizar a expansão sem prejudicar a qualidade do ensino?

Essa foi a nossa segunda preocupação. Nós buscamos fazer a expansão para melhorar a própria qualidade da instituição. As pessoas acham que crescer pode significar queda de qualidade. Pra gente (a expansão) foi uma estratégia, um elemento importante na construção da qualidade. Ao trabalhar o crescimento, nós pudemos trabalhar também outros elementos. Um exemplo é que na primeira gestão (1995-1999) nós tínhamos apenas 15 cursos de mestrado e doutorado com 350 alunos. Hoje, nós temos 74 cursos de mestrado e doutorado, com mais de 3,6 mil alunos. Então, na primeira gestão, fizemos uma forte política para o crescimento da pós-graduação. Primeiro, porque basicamente no nosso país é a universidade pública que oferece pós-graduação stricto sensu. Esse é um universo que o sistema privado não consegue penetrar, principalmente porque neste tipo de pós-graduação (stricto sensu) a base é a pesquisa, o que custa caro. E o lucro da pesquisa é dividido com toda a sociedade. Como o setor privado precisa do lucro, esse se torna um segmento que ele não entra. Então, na nossa primeira gestão, implantamos uma política muito clara de expandir a pós-graduação. As contratações dos professores eram dirigidas para doutores e, ao mesmo tempo, para qualificar as pessoas que aqui já estavam.

Se o senhor pudesse citar apenas uma conquista para a UFRN dentro dos três mandatos do senhor na reitoria, qual seria?

Sem dúvida o fato de a UFRN ter se tornado uma universidade de pesquisa foi a maior conquista. Isso porque a UFRN sempre foi, desde o início, uma boa universidade de ensino e extensão. Agora, uma instituição com 74 cursos de mestrado e doutorado, em qualquer lugar do mundo, é uma universidade de pesquisa. Soma-se a isso um quadro de docentes de mais de 1,2 mil professores doutores. A grande estratégia foi o crescimento da graduação, mas o foco na pós-graduação para que ela se transformasse uma universidade de pesquisa. Por isso, é que nós conseguimos sair de uma instituição que tinha 11,8 mil alunos e passou para 34 mil e vai chegar a 45 mil nos próximos quatro anos.

E como a UFRN é avaliada hoje, nacionalmente?

Na última avaliação que o Ministério da Educação fez em 2008, o chamado Índice Geral de Cursos, que combina a avaliação da graduação e da pós-graduação, nós ocupamos o segundo lugar em todoo Norte-Nordeste. E alguns cursos nossos, da graduação, ficaram na primeira posição do país, como odontologia, engenharia da computação e biomedicina. E muitos outros entre os melhores, como pedagogia e direito. Recentemente, o Ministério da Ciência e Tecnologia selecionou entre as universidades brasileiras que têm maior importância na produção do conhecimento e pesquisa. São 28 universidades selecionadas, entre públicas e privadas, e a UFRN é uma delas. Essas são as maiores conquistas. Crescemos no quantitativo e no qualitativo.

Como o senhor está vendo o processo sucessório deste ano, que conta com duas mulheres disputando a reitoria?

Eu acho que é uma coisa natural. Um processo natural nas instituições educacionais. Agora tem uma curiosidade. A minha candidata é a atual vice-reitora Ângela Cruz. A chapa dela é formada por outra mulher. Um amigo meu questionou o fato de serem duas mulheres. E eu respondi: mas rapaz, a vida toda foram dois homens e você nunca reclamou. Agora que são duas mulheres você reclama. O fato de serem duas mulheres é uma coisa natural, mais uma prova da evolução da nossa instituição.

Qual a avaliação que o senhor faz da realização da SBPC na UFRN?

Foi um grande evento, muito bem organizado. Foi fruto dessa coisa que nós falamos de a universidade crescer com qualidade. Nós atingimos um nível muito forte de organização e aprendemos a fazer as coisas bem feitas. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é a responsável pelas reuniões. Fizemos um processo muito bem planejado, desde a escolha do tema, que foi uma escolha conjunta. Fizemos uma programação para que todos os espaços desse Campus fossem ocupados de alguma forma. Aproveitamos o máximo as nossas potencialidades. A reunião foi uma grande conquista para o estado. Foi uma ótima oportunidade de a nossa população de um modo geral participar de um evento dessa dimensão.

Fonte: Diário de Natal

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